<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718</id><updated>2011-12-31T09:42:07.636Z</updated><category term='crónicas'/><category term='Sophia'/><category term='festas'/><category term='escritores'/><category term='Língua'/><category term='tradition'/><category term='mec escritores'/><category term='Agualusa'/><category term='Escritores guardados'/><category term='Educação- Estatuto do Aluno'/><category term='Educação- manifestação'/><category term='aulas de substituição'/><category term='Lobo Antunes'/><category term='professores'/><category term='dos jornais'/><category term='avaliação de professores'/><category term='escola-educação-violência'/><category term='da imprensa escrita'/><category term='Fim de ano'/><title type='text'>Restos de Colecção</title><subtitle type='html'>"A melhor resposta ao ódio é a educação." Steven Spielberg</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>147</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6280584153065086817</id><published>2011-12-30T14:53:00.004Z</published><updated>2011-12-31T09:42:07.644Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim de ano'/><title type='text'>Pé ante pé...</title><content type='html'>Começou de um modo muito triste o ano que agora se vai embora. &lt;br /&gt;A minha priminha já não corre, por entre os canteiros de couves e de alfaces que havia no quintal da minha avó, aquele que eu sempre julguei ser o Éden, com o rabo-de-cavalo a acompanhar a corrida, balançando para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo. E eu, ondulando timidamente no baloiço que o meu avô tinha conseguido construir, com uma tábua e duas cordas, sem coragem para grande balanço, contemplava e seguia encantada o caminho das correrias das mais novas...&lt;br /&gt;Eram bem mais felizes do que eu as minhas priminhas! Podiam ter rabo-de-cavalo, bibes coloridos, podiam correr, sabiam correr, sabiam cantar, sabiam dançar.&lt;br /&gt;Nos primeiros dias do ano, recebi a notícia: a minha priminha já não correria mais por entre as couves e as alfaces do jardim da casa dos nossos avós. &lt;br /&gt;Depois os meses correram, voaram e a crise colou-se às nossas conversas, aos nossos pensamentos, de modo tal que parece tudo ter já ruído no futuro que nos espera.&lt;br /&gt;Mas o dois mil e onze trouxe-me também a promessa de uma nova vida. Ninguém substitui ninguem. São paragens da linha da Vida que embarcam uns e desembarcam outros. &lt;br /&gt;E há que saber viver os momentos todos, com a nossa alma vestida a rigor.&lt;br /&gt;Feliz dois mil e doze!&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-V4SiKa5Xtjg/Tv3iNeMr-hI/AAAAAAAAK28/p3i7rU83_FY/s1600/563022.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-V4SiKa5Xtjg/Tv3iNeMr-hI/AAAAAAAAK28/p3i7rU83_FY/s400/563022.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691954225138629138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6280584153065086817?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6280584153065086817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6280584153065086817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6280584153065086817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6280584153065086817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2011/12/pe-ante-pe.html' title='Pé ante pé...'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-V4SiKa5Xtjg/Tv3iNeMr-hI/AAAAAAAAK28/p3i7rU83_FY/s72-c/563022.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6604177997144271936</id><published>2011-11-24T08:09:00.000Z</published><updated>2011-11-24T08:10:40.532Z</updated><title type='text'>Sinais de Fernando Alves</title><content type='html'>Life&lt;br /&gt;Quando a nossa infância começou a saber que a Terra era redonda havia na mesa da sala exemplares de revistas que tornavam o mundo mais próximo da nossa rua. A brasileira Cruzeiro, a Paris Match, a Life pareciam antecipar, nesse sul do mundo onde cresci, a televisão que não havia. Nesse sul havia uma revista que bebia na mesma fonte: chamava-se Notícia. Todas foram desaparecendo e a Life (um icone da imprensa norte-americana, que hoje faria 75 anos) resiste apenas no formato electrónico. È aí que podemos ver aquelas que a revista considera as melhores 75 capas da sua história. E também as 20 piores. &lt;br /&gt;A esta distância, sabendo ler o que na Life visava moldar a nossa percepção do mundo, é tocante percorrer esse fio da nossa própria vida. A primeira capa, de 23 de novembro de 1936, o logo vermelho e branco sobre a foto a preto e branco da torre do Empire State Building. Ou aquela outra, já em plena guerra, com o perfil quase esculpido de um soldado alemao segurando a sua espingarda. Ou Churchill fitando-nos, logo a 21 de Maio de 1945. E a muito jovem Elisabeth Taylor, a 14 de julho de 47. Ou Marilyn, em Abril de 52. Capa soberba, esta de 22 de Agosto de 1949: o gigante Leo Burnett com o seu chapéu de cow boy. Ele chegou antes da televisão ao sul onde a minha infância começou a saber que a Terra era redonda: nos grandes painéis de publicidade, nas cidades de todo o mundo, ele era o Homem Malboro. Mas esta manhã fiquei mais tempo diante daquela outra capa de Dezembro de 53: Audrey Hepburn está sentada na alcatifa, vestindo apenas uma camisa comprida, e atende o telefone fitando-me. &lt;br /&gt;Os olhos correm, agora, as 20 piores capas da Life. As marionetas de Salzburg como se tivessem perdido o equilibrio e a alma na capa de 29 de Dezembro de 52. Ou aquela, de Novembro de 62 feita de rabanetes e peras, uvas, pimentos, maçãs. Ou aquela outra de Dezembro de 51 em que um homem vestindo uma camisa demasiado garrida nos fita sorrindo. Não é, anota a legenda da Life, 60 anos depois, não é o maluco do tio Ed num hotel de Palm Springs esperando que a hapyy hour comece: é o 33º presidente dos Estados Unidos, Harry Truman vestindo uma camisa havaina. &lt;br /&gt;Já não há revistas assim. Mas a Life, varrida pela crise, sobrevive com uma outra agilidade, em suporte electrónico. Privilegiando o foto-jornalismo, que é o seu assunto. Ela dá-nos as fotos de hoje, os protestos na praça Tahrir, o momento em que lançam gás lacrimogéneo na Assembleia Nacional da Coreia do Sul, Hilary Clinton anunciando mais medidas contra o Irão. Mas, como se nos dissesse que já não quer moldar a nossa visão do mundo, ela desafia-nos a criar a nossa própria Life Timeline. Ela chama-nos: "Partilhe a sua história através de acontecimentos pessoais e momentos que mais importância têm para si". Pela minha parte, dispenso-me. Vim só revisitar o tempo em que comecei a saber que a Terra era redonda.&lt;br /&gt;Emitido a 23 de Novembro de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6604177997144271936?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6604177997144271936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6604177997144271936' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6604177997144271936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6604177997144271936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2011/11/sinais-de-fernando-alves.html' title='Sinais de Fernando Alves'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-1946613372549661290</id><published>2011-01-30T21:31:00.001Z</published><updated>2011-01-30T21:31:59.683Z</updated><title type='text'>Do Público, de hoje</title><content type='html'>"Venci o cancro!" O perigo das mentiras piedosas&lt;br /&gt;Laura Ferreira dos Santos - 30-01-2011&lt;br /&gt;O cancro é uma doença que se possa vencer, como uma gripe forte?De vez em quando, em revistas da moda ou mesmo em jornais sérios, é dito que alguma personagem conhecida "venceu o cancro", como se nunca mais se tivesse de preocupar com ele.&lt;br /&gt;No entanto, a medicina sabe que só de pouquíssimos cancros se pode de facto dizer que estão curados. Quanto aos outros, está-se entregue à sorte ou ao que quer que seja. Daí a necessidade de exames de vigilância, pois o cancro, de vez em quando, sabe-se lá porquê, apetece-lhe voltar. Uma das coisas que mais me impressionou nas leituras que fiz (e faço) sobre "morte assistida" (de que resultou o livro Ajudas-me a Morrer?, 2009), foi (é) o facto de encontrar recorrentemente este facto: passados 7, 15, 20 ou 30 anos, o cancro voltou. Quando ainda não passara pela recidiva do cancro da mama, estremecia um pouco: será que?... Depois de ter passado pela recidiva, seis anos depois de o ter "vencido", pergunto-me que mais mutilações estarão à minha espera e se estarei disposta a submeter-me a elas. Há pouco, uma óptima funcionária da minha universidade disse-me que o cancro voltara a atingir a mãe, 26 anos depois. Mas, é claro, não estamos em tempos de lembrar a nossa mortalidade (e não é por causa da "crise"...) e temos de ficar pelas histórias cor-de-rosa. Mas serão úteis estas mentiras piedosas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem tem a sorte de nunca ter passado por um cancro, a ideia pode ser sedutora: "aquilo" é uma doença que se pode vencer, como uma gripe forte, e voltar-se à saúde anterior. Mas quem passou pela experiência do cancro e é metida num follow-up médico até ao fim da vida, ou até ele voltar de forma mais aguda e dar-lhe a morte, sente-se espantada e enraivecida, pois, se essa vitória existe, porque é que vê os médicos assustados ou em pânico, quando não faz exames regulares? E apetece então voltar ao poema do Messias de Händel e dizer não O grave, where is thy victory?, mas O cancer, where is thy defeat?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apetece-me mesmo falar das consequências políticas destas histórias cor-de-rosa, pois ajudam a construir uma sociedade dessolidária em relação a quem teve cancro ou ainda não morreu dele. Pior ainda se a "chaga" não se vê, se a pessoa, vestida, parece não ter qualquer deficiência e se move com aparente facilidade. Quem sabe então das dores que essa pessoa pode atravessar, quem se interessa por saber com que sequelas ficou, em que limbos físicos (para já não falar de outros) é que vive, apesar de o limbo ter sido abolido teologicamente pela Igreja Católica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos, uma operária que também "venceu" o cancro da mama, falou-me em desespero da insensibilidade do patronato, que continua a colocá-la em serviços em que está constantemente a partir a prótese externa que usa (e que é cara!). Entendo que a minha jovem aluna me tenha admoestado, quando comentei numa aula: "Como sabem, a prazo estamos todos mortos!" "Não diga isso, professora!", disse ela. Chamada à realidade pelos colegas, o seu princípio de prazer ainda a fez defender-se: "Está bem, mas eu vou ficar para semente e desmentir essa frase!" Mas deve a sociedade incentivar um tipo de pensamento semelhante? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 22h das sextas-feiras, quando uma colega minha que já teve cancro e recidiva sai dos complexos pedagógicos para lá voltar nas segundas, lembra-se sempre com ironia desta frase de "vitória": como "venceu" o cancro por duas vezes, deve ser considerada mais forte do que qualquer outro colega. Por isso, deram-lhe o pior horário da semana, aquele que, em princípio, não consegue trocar com ninguém. O Victory, why is your taste so bitter?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-1946613372549661290?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/1946613372549661290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=1946613372549661290' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/1946613372549661290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/1946613372549661290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2011/01/do-publico-de-hoje.html' title='Do Público, de hoje'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7493015149273626163</id><published>2010-10-31T09:39:00.000Z</published><updated>2010-10-31T09:39:55.194Z</updated><title type='text'>The Calendar Song - Kids + Children Learn English Songs</title><content type='html'>&lt;object style="background-image:url(http://i3.ytimg.com/vi/N5bEbgBBAyU/hqdefault.jpg)"  width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/N5bEbgBBAyU?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/N5bEbgBBAyU?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" width="425" height="344" allowScriptAccess="never" allowFullScreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7493015149273626163?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7493015149273626163/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7493015149273626163' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7493015149273626163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7493015149273626163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/10/calendar-song-kids-children-learn.html' title='The Calendar Song - Kids + Children Learn English Songs'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8464171388948531568</id><published>2010-09-23T18:56:00.001Z</published><updated>2010-09-23T18:59:11.412Z</updated><title type='text'>Ainda ontem - O Mal Escrito - MEC</title><content type='html'>O cancro é como um romance que, depois de escrito e revisto, ainda não fica bem. Ganha uma segunda vida em que o personagem principal (a vítima, o herói) tem de redefinir-se e curar-se dos resultados das curas - ou rever-se do efeito das revisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cancro não é como um romance, porque a história continua. É mais como uma série televisiva. No primeiro episódio de Boardwalk Empire, realizado por Scorsese (é pena ter-se perdido o hábito de dizer apenas os apelidos dos realizadores), compreendemos que Nucky Thompson, interpretado por Steve Buscemi, não vai conseguir continuar a ser apenas meio-gangster.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As circunstâncias mudam; as surpresas fazem parte da ordem das coisas e, às tantas, deixa-se de poder pensar ou agir de maneira linear, como quem tem ou não tem: como quem já passou ou ainda vai passar por uma fase; como quem sabe ou consegue adivinhar o que vai acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cancro é uma vontade de continuação; uma multiplicação de ambições desavergonhadas. Não se pode matá-lo. Mas pode-se contrariá-lo e essas acções contrárias criam contrariedades à medida de quem ousou levantar-se contra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou só a falar da pneumonia da Maria João que ontem a levou da nossa casa, para fazer-lhe frente e dar cabo dela. Nem das sequelas. Nem das consequências esperadas ou inesperadas. É das surpresas. São sempre boas ou más. Muitas vezes acabam bem. Mas nunca são boas. Por serem surpresas. Por serem sorte. Por não nos pertencerem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8464171388948531568?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8464171388948531568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8464171388948531568' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8464171388948531568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8464171388948531568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/09/ainda-ontem-o-mal-escrito-mec.html' title='Ainda ontem - O Mal Escrito - MEC'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8623032914695872236</id><published>2010-08-24T08:48:00.000Z</published><updated>2010-08-24T08:49:09.930Z</updated><title type='text'>Tudo está confuso. Tudo está bem. Tudo está como deveria estar. Não há mundo que acabe às oito e doze da noite. MEC</title><content type='html'>Antes de jantar- Miguel Esteves Cardoso - 24-08-2010&lt;br /&gt;Várias pessoas me têm perguntado, sendo eu uma pessoa que está no segredo do que vai acontecer, se o mundo vai mesmo acabar em 2012. É tudo gente que sobreviveu ao millenium bug de 2000. Contrariada, talvez. Afinal 2000 é um número mais aterrador, para quem gosta de ter medo mas não liga à aritmética, do que 2012. &lt;br /&gt;Mesmo assim, a ideia que vamos todos morrer daqui a um ano e picos é irresistível, porque elimina o futuro - mais o trabalho e a preocupação que ele implica. Nada atrai tanto como uma data certa. Os obsessivos aproveitam para pôr a casa em ordem. Os chateados aproveitam para se divertirem o resto da vida. &lt;br /&gt;Aqui em casa desenvolvemos, para contrariar o pessimismo de 2012, uma teoria crono-paranóica igualmente convincente - isto é, nada. Acertámos que o dia, como o mundo, tem 24 horas. Jesus nasceu à meia-noite, às zero horas e zero minutos e Portugal fundou-se, muito tempo depois, 27 minutos antes do meio-dia, às 11 horas e 43 minutos. A tempo de fazer o almoço. Os anos 60 a 99 de cada século não contam - são intervalos de recreio. Por exemplo, o mundo entre 1960 e 1999. Estamos agora em 2010: seja às oito e dez da noite. Ainda vamos jantar e é possível que ainda despachemos, metaforicamente, antes de morrer à meia-noite, no ano 2400, uma tosta mista em 2345, 15 anos antes da nossa civilização desaparecer.&lt;br /&gt;Tudo está confuso. Tudo está bem. Tudo está como deveria estar. Não há mundo que acabe às oito e doze da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8623032914695872236?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8623032914695872236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8623032914695872236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8623032914695872236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8623032914695872236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/08/tudo-esta-confuso-tudo-esta-bem-tudo.html' title='Tudo está confuso. Tudo está bem. Tudo está como deveria estar. Não há mundo que acabe às oito e doze da noite. MEC'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-1388014778624730484</id><published>2010-07-13T09:39:00.001Z</published><updated>2010-07-13T09:39:40.903Z</updated><title type='text'>O MEC e o Mundial!</title><content type='html'>Estou desde 6 de Junho a ver todos os jogos do Mundial e a escrever sobre esses jogos, três mil caracteres, todos os dias. Não estou bem. Gosto muito do jornal em que escrevi - O Jogo - e eles também gostam muito de mim. Mas detesto futebol e estou perto do fim. Ou assim espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que me iam arrancar um grande naco da minha vida - pelo menos um terço dela, oito horas. Mas pensava que, tal como tinha acontecido noutros Euros e Mundiais, ainda ficaria com os outros dois terços, para viver e isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí a meio do Mundial, aconteceu uma coisa horrível. Estava a almoçar com a minha mulher na praia - um tempo sagrado, só nosso - e, de repente, dei comigo a fazer-lhe perguntas de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é que, antes de dar por isso, ainda fiz três ou quatro. E ela, que partilha o meu grande amor por tudo o que tenha a ver com bola, lá foi respondendo. Devemos ter conversado sobre o Mundial durante quatro longos minutos - e eu estava interessado na conversa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se não fosse a expressão aflita e estupefacta da Maria João - como se estivessem a crescer-me malmequeres das orelhas - eu nem sequer teria caído em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido contaminado pelo futebol. O futebol tinha saído da jaula fortificada onde eu o guardo e tinha conseguido invadir o jardim maximum security da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mãe já me tinha avisado. Quando nós éramos pequeninos e ela passava tempo de mais connosco, falando criancês - aquela língua delicodoce e cheia de diminutivos que os pais usam para dar ordens e ensinar coisas aos filhotes -, acontecia-lhe continuar a usar a mesma língua quando estava com adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um cocktail, aconselhava um comodoro americano que acabara de lhe ser apresentado a "não vai beber esse uisquizinho todo de uma vez, pois não? Parece muito bom e fresquinho, cheio de pedrinhas de gelo, mas o álcool faz mal ao figadozinho! E nós não queremos que isso aconteça com o comodoro, pois não? Não! Claro que não queremos, porque o comodoro é um bom comodoro e quer um dia ser almirante, não é?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No criancês, o adulto geralmente responde às suas próprias perguntas e à criança cabe fazer que sim ou que não com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebolês não é muito diferente. Pergunta-se: "Achaste que foi fora-de-jogo?" E segue-se logo com a resposta: "Aquilo nunca foi fora de jogo!" (O futebolês é tão exageradamente agressivo e discordante como o criancês é ternurento e unanimista).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito perigosa esta contaminação cruzada. Todas as línguas infectadas ficam a perder. Um exemplo contemporâneo é a contaminação cruzada da língua amorosa com a língua amistosa ou social. Chama-se "meu amor" aos cabeleireiros: "Despacha-te, meu amor, que eu estou super-atrasada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando "meu amor" é para toda a gente, todas as palavras do vocabulário amoroso são despromovidas. "Querido" já se usa como palavra agressiva: "Ó meu querido amigo, se você não tira já daí o carro..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Inglaterra, love you! já se usa mecanicamente ao telefone, para indicar o fim de uma conversa. Em Portugal, ainda não chegámos a esse ponto, mas já se diz "amo-te" com grande ligeireza, no sentido de "obrigado!" ou "fizeste exactamente o que eu queria - obrigada!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante esta apropriação, o amorês é obrigado a carregar-se de bagagens suplementares. Se "amo-te" não quer dizer nada, é preciso acrescentar: "Amo-te. Mas é a sério. É amor mesmo; amor verdadeiro." O que estraga tudo, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior do que a ignorância&lt;br /&gt;Durante o Mundial, aprendi este facto assustador: que é possível passar o dia inteiro a pensar em futebol. Os poucos momentos em que não se pode - como quando é preciso decidir o que se vai almoçar ou cumprimentar uma pessoa conhecida - são encarados como agressões. Como roubos de tempo. Quanto mais necessários são (ir à casa de banho), mais enervam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais terrível ainda é descobrir que o futebol fica acima dos princípios, por muito profundos que sejam. Mais de uma vez, dei por mim a torcer por selecções oriundas de países com sistemas políticos ou valores culturais que me eram repugnantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os apologistas do futebol dizem que o futebol une todos os povos do mundo. O pior é que é verdade. Produz uma sensação de conhecimento que é pior do que a ignorância. É como o bielorrusso que nos pergunta de onde somos e, quando dizemos Portugal, responde logo, todo contente e sabichão: "Sim, sim! Cristiano Ronaldo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sabedoria que o futebol traz é ilusória. Imagine-se o mais perspicaz e inteligente bielorrusso, com uma pistola da polícia secreta encostada à cabeça, a ver jogar Cristiano Ronaldo para, a partir da maneira como ele joga, tentar ficar com uma ideia de como é Portugal e transmitir ao facínora que nos quer fazer mal o que aprendeu sobre o nosso país e a nossa gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal joga à portuguesa? Os brasileiros têm sido os mais estigmatizados por esta contaminação cruzada, exigindo-se ignorantemente a sucessivas selecções que jogue "bonito" conforme os estereótipos implantados pelo Zé Carioca e pela Carmen Miranda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais uma contaminação cruzada, esta de confundir a maneira de jogar de uma equipa com a maneira de ser de um país. Mesmo que um país pudesse ter uma maneira de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Mundial que acabou ontem, tal como em todos os anteriores, é a figura do treinador que impede que os brasileiros joguem "à brasileira" ou os holandeses "à holandesa". Subjaz a convicção que, caso se subtraísse a influência nefasta do treinador, os jogadores começariam logo a jogar naturalmente, no estilo que aprenderam ao colo da mãe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o treinador for estrangeiro - como Fabio Capello e a selecção inglesa -, a noção é ainda mais fantasiosa. O italiano está a obrigar os ingleses a jogar à italiana. Se eles jogassem à inglesa, teriam ganho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refazer a vida&lt;br /&gt;Destas confusões simplórias e enganadoras não viria grande mal ao mundo - se não fossem tão divertidas. O que vale é que, mal fazemos uma, logo ela é desmentida no dia seguinte, quando acontece nem sequer o contrário do que esperávamos - mas outra coisa diferente, fora do espectro das nossas hipóteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando a Alemanha eliminou a Argentina, por 4-0, que eu comecei a ficar preocupado. Fiquei triste - triste! - com a derrota da Argentina. E, por outro lado - o lado ainda mais preocupante -, gostei de ver a Alemanha jogar. E não lhes fiquei com ódio nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se passava? Só agora, com o Mundial já arrumado, posso enfrentar a inaceitável conclusão: tinha começado a gostar de futebol. Não da selecção portuguesa ou brasileira ou argentina. Não do futebol da Alemanha ou do Uruguai. Mas de futebol. Por si só. Foi chocante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mais, segundo me avisaram alguns amigos preocupados comigo, não era só gostar - estava também a começar a perceber alguma coisa de futebol. Isto, para quem pensava que não havia ali nada para perceber, foi um susto ontológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui fica o aviso, para quem tenha a inteligência e a sorte de não gostar de futebol: não se exponha ao futebol por largos períodos de tempo. Porque será contaminado. E qualquer felicidade que o futebol lhe dê far-se-á pagar com o quádrobro de sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fugir ao futebol, tive de refazer a minha vida. Foi a minha mulher que me salvou. Cada vez que eu falava de futebol - sem ser durante um jogo -, ela respondia-me como se gostasse de futebol. E aí eu acordava, com o horror que isso acontecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostar de futebol, ainda vá que não vá. Mas ela - ela não podia ser. Para mais, contaminada por mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soluçando, disse adeus à rapaziada d"O Jogo, com quem tinha sido tão feliz, e casei-me com o PÚBLICO, onde o futebol não me pudesse encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o meu primeiro trabalho casado para o PÚBLICO. É sobre o Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se calhar, é impossível fugir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-1388014778624730484?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/1388014778624730484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=1388014778624730484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/1388014778624730484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/1388014778624730484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/07/o-mec-e-o-mundial.html' title='O MEC e o Mundial!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-9050039305325892126</id><published>2010-05-16T14:47:00.002Z</published><updated>2010-05-16T14:50:16.718Z</updated><title type='text'>Azul</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/S_AGI4kmIkI/AAAAAAAAIUs/GjQYX7pO_ZE/s1600/DSC01985.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/S_AGI4kmIkI/AAAAAAAAIUs/GjQYX7pO_ZE/s400/DSC01985.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471880296949752386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O azul invade os nossos sentidos. Os olhos descansam e banham as suas próprias lágrimas no azul do mar. Banhados e purificados, levantam voo até ao azul dos céus, apenas interrompido aqui e além pela brancura de uma nuvem bem disposta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-9050039305325892126?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/9050039305325892126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=9050039305325892126' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/9050039305325892126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/9050039305325892126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/05/azul.html' title='Azul'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/S_AGI4kmIkI/AAAAAAAAIUs/GjQYX7pO_ZE/s72-c/DSC01985.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7803489769690897141</id><published>2010-04-20T19:58:00.000Z</published><updated>2010-04-20T19:59:02.874Z</updated><title type='text'>Para as minhas amigas avós...</title><content type='html'>Mguel Esteves Cardoso&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O meu neto António, que tem um ano e mês, já fala - mas ainda não conversa. Mas exprime-se muito bem. E ai de quem não compreender ou obedecer os desejos bem claros do nosso novo Rei. Embora recompense com magnanimidade quem não o contrarie. A mãe dele, a minha filha Tristana, pede-me para falar com ele em inglês. Pois bem. Assim farei. Até porque, quando cá esteve no sábado, o António e eu entendemo-nos como se estivéssemos num western. Só com olhares, sorrisos e sobrancelhas. Ele era o triunfante Gary Cooper em High Noon. Eu era Lloyd Bridges, o subxerife que desiste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neto é um recriador de atenções. Pára numa flor; depois noutra; examina um pão. Força-nos a reparar nas coisas que nos escaparam. Quando tentamos fazer o mesmo ("Olha os patinhos, António!"), não liga. Desobedece e, desobedecendo, mostra. Não somos nós que lhe mostramos o velho mundo - é ele que nos deixa entrar no mundo dele. É novinho em folha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando ansioso para conversar com ele, mesmo em inglês. Conto os meses que faltam. Mas ele reconfortou-me: "Tem calma, avô. Esse processo comunicativo já está em marcha há muito tempo. E está a ser bom. Gosto mais da tua mulher do que tu mas, de resto, podes contar com a minha aprovação provisória."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E soube-me tão bem! Mal eu começo a aprender como ser avô, já ele sabe tudo o que vale a pena saber sobre ser neto. Somos aliados naturais. Não é preciso estarmos com fitas. A não ser aquelas em que entrou Gary Cooper.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7803489769690897141?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7803489769690897141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7803489769690897141' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7803489769690897141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7803489769690897141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/04/para-as-minhas-amigas-avos.html' title='Para as minhas amigas avós...'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7363491862765086113</id><published>2010-04-06T18:05:00.002Z</published><updated>2010-04-06T18:47:33.467Z</updated><title type='text'>MEC, outra vez belíssimo!</title><content type='html'>Anteontem fomos ao Magoito, sempre surpreendidos pelas novidades da Primavera. A rua do Chão Verde, em Fontanelas, deu-nos as primeiras vinhas de chão de areia, a nascer em folha. Está quase Maio! A meio de Maio, a Maria João deixa de ser radio-activa e poderá voltar a apanhar malmequeres sem torná-los azuis. O fim dos tratamentos está à vista, rodeado por princípios de novas vidas, todas a correr para o Verão, a acompanhar-nos e a dar-nos força e vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Praia Grande, o mar destapou grandes rochas, dividindo e complicando a praia, tornando-a ainda mais bonita. O mar faz e refaz as praias conforme quer, como se nunca estivesse satisfeito, como um bruto a torcer um bocado de plasticina, a ver se se distrai e a não conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A areia que falta à Praia Grande foi parar à Praia do Magoito, tapando quase todas as rochas. Parece a Praia Grande. E a Praia Grande mais parece o Magoito. E a coisa não há-de ficar por aqui. Nunca fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Magoito, conhecemos uma menina, sentada ao vento a ver o mar, que nasceu em "treze", há 97 anos. Estivemos a conversar. Quando era pequenina, sobreviveu à pneumonia. Chamavam-lhe "a boneca" por ser tão bonita e pequenina. Estava na mesma. Mais boneca ainda. Dantes vinha para o Magoito de burrinho e era um pulo. Agora tinha de ir a Sintra apanhar a carreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas valia a pena, por causa do iodo. A médica tinha-lhe receitado aquela praia: "Vá ao Magoito!" E ela lá estava, muito bonequinha e com muito prazer.&lt;br /&gt;Miguel Esteves Cardoso, Público, 3 de Abril&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7363491862765086113?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7363491862765086113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7363491862765086113' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7363491862765086113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7363491862765086113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/04/mec-outra-vez-belissimo.html' title='MEC, outra vez belíssimo!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-2361276983379814904</id><published>2010-03-29T11:05:00.000Z</published><updated>2010-03-29T11:06:38.446Z</updated><title type='text'>MEC. Público, Tens de ter força, 27 de Março</title><content type='html'>O cancro enfraquece - a fadiga do cancro é uma consequência inevitável.Um dos problemas do cancro e de outras doenças debilitantes é o conselho que damos aos doentes: "Tens de ter força!". Não percebo este conselho que mais parece uma ordem. Que quer dizer? Que se deve criar mais força? Que se deve manter a pouca força com que se fica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cancro enfraquece - a fadiga do cancro é uma consequência inevitável. O cancro cansa. Reduz a força. Não tira a vontade de viver. Mas reduz a energia para fazer os sacrifícios que é preciso fazer para melhorar as hipóteses de sobreviver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os doentes sabem que têm de empregar as poucas forças que lhe restam, assim como sabem que ajuda ser-se positivo: que o estado psicológico influencia o aproveitamento clínico. Sabem. A sério. Não é preciso estar sempre a recomendar que tenham força e que sejam positivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil para os doentes enfraquecidos que olham a morte de frente terem força e serem positivos. A tendência deles é para se sentirem tão fracos como estão e tão negativos como se sentem. Como os conselhos, apesar de parecerem ordens nazis, comandando os coxos a correr maratonas, são bem-intencionados e amigos, não podem ser ocos. São estúpidos, mas devem dizer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que, no fundo, apelam a eles próprios. São os fortes à volta do fraco que têm de usar a força deles para ajudá-lo. São os capazes de ser positivos que têm de animá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal são auto-exortações. Parecem conselhos amigos, que ficam por ali. Mas são incumbências que só a nós dizem respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-2361276983379814904?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/2361276983379814904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=2361276983379814904' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2361276983379814904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2361276983379814904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/03/mec-publico-tens-de-ter-forca-27-de.html' title='MEC. Público, Tens de ter força, 27 de Março'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8284310931897187639</id><published>2010-03-17T20:07:00.002Z</published><updated>2010-03-17T20:09:40.343Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>Ainda ontem, MEC, do Público</title><content type='html'>O princípio de ti, Miguel Esteves Cardoso &lt;br /&gt;Hoje a Maria João começa seis semanas de radioterapia diária no IPO. A meio de Maio poderá começar, graças a Deus e ao IPO, a esquecer-se, durante períodos de tempo cada vez mais longos, que estava na lista do cabrão do cancro e que, por enquanto, safou-se.&lt;br /&gt;Na segunda-feira decidiu ir almoçar sem peruca.Hoje a Maria João começa seis semanas de radioterapia diária no IPO. A meio de Maio poderá começar, graças a Deus e ao IPO, a esquecer-se, durante períodos de tempo cada vez mais longos, que estava na lista do cabrão do cancro e que, por enquanto, safou-se.&lt;br /&gt;Na segunda-feira decidiu ir almoçar sem peruca. Tanto a ruiva como a morena eram giras. Mas o cabelo doido, curto mas crescente, quase loiro e encaracolado, que irrompeu desde o fim da quimioterapia, tem uma beleza e um vigor que vai além de Jean Seberg no À bout de souffle de Godard. Em 1960, oito anos antes de a Maria João ter nascido. Eu juro que o vejo crescer, em vórtices e tropismos, mesmo durante a hora-e-meia de um almoço. São filamentos vivos. São relâmpagos capilares. Toda a cabeça dela está, depois de incendiada e caída, em maluca reflorestação. Bem sei que, daqui a uma semana até, o cabelo vai crescer até deixar de ser avant-garde e passar a ser, apenas, uber-cool. Mas, neste momento das nossas vidas e do nosso amor, é grandioso e bom que o processo da morte tenha mudado de sentido e que o corpo e a cabeça e o cabelo cresçam como se acabassem de ter nascido.&lt;br /&gt;O meu amor está agora - mas não por muito tempo - como a carinha de menina na fotografia que me salvou nas passagens por hospitais e que é a primeira e única maravilha que vejo no meu iPhone.&lt;br /&gt;Não precisas de força, amada querida. O teu cabelo, pela segunda e última vez, é a segunda coisa mais bonita que eu já vi, a seguir a ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8284310931897187639?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8284310931897187639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8284310931897187639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8284310931897187639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8284310931897187639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/03/ainda-ontem-mec-do-publico.html' title='Ainda ontem, MEC, do Público'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6862527688733532022</id><published>2010-01-04T23:04:00.001Z</published><updated>2010-01-04T23:04:47.168Z</updated><title type='text'>A year at a glance</title><content type='html'>&lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" border="0" bgcolor="#ffffff"&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;a href="http://smilebox.com/play/4d5451784d7a67324d7a633d0d0a&amp;blogview=true&amp;campaign=blog_playback_link" target="_blank"&gt;&lt;img width="386" height="303" alt="Click to play this Smilebox scrapbook: Year at a Glance" src="http://smilebox.com/snap/4d5451784d7a67324d7a633d0d0a.jpg" style="border: medium none ;"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;a href="http://www.smilebox.com/?partner=hallmark&amp;campaign=blog_snapshot" target="_blank"&gt;&lt;img width="386" height="46" alt="Create your own scrapbook - Powered by Smilebox" src="http://www.smilebox.com/globalImages/blogInstructions/blogLogoSmileboxSmall.gif" style="border: medium none ;"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="center"&gt;&lt;a href="http://www.smilebox.com/scrapbooks/?partner=hallmark" target="_blank"&gt;Make a Smilebox scrapbook&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6862527688733532022?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6862527688733532022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6862527688733532022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6862527688733532022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6862527688733532022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2010/01/year-at-glance.html' title='A year at a glance'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5455893223036446112</id><published>2009-12-21T07:44:00.001Z</published><updated>2009-12-21T07:44:53.483Z</updated><title type='text'>Custa dizer adeus ao mar... MEC, Público 21-12-09</title><content type='html'>Custa dizer adeus ao mar. É quase Inverno. O tremor de terra foi abafado, a cem quilómetros do cabo de São Vicente, pelo mar. Na quinta-feira, as ondas rebentavam até ao horizonte, assustadas, em estado de choque.&lt;br /&gt;No dia seguinte, o oceano parecia uma piscina, paralisado pelo medo do mar anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa dizer adeus ao Verão. Ao Outono não custa nada. No Outono, ainda se tomam muitos banhos de mar; ainda não está frio; ainda há Setembro, Outubro e Novembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma estranha e bem-vinda sintonia de cancro e de clima, o tempo acompanha a doença da mulher que eu amo. Foi no Verão que o descobrimos. Será no Verão, se tudo correr bem, que poderemos começar a esquecê-lo. Foi no Verão e no Outono que contra-atacámos, com quimioterapia a valer. Agora vem o Inverno, com cortes frios de cirurgia e bronzeamentos falsos de radioterapia. Vai chover todos os dias. Vai parecer que o mundo está a acabar. Mas não acabará. Graças ao grande e feliz cirurgião Fernando Orvalho e ao maravilhoso IPO que trabalha tanto com ele como connosco, já estamos a seis meses de distância da remissão, se Deus quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus quer sempre. São as pessoas - eu e tu e ela e nós e vocês - que têm de ajudar a cumprir a vontade de Deus, que é sempre, por facilidade, a melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta meio ano de um ano de má sorte. Vai escurecer e chover; ficar frio e trovejar. Mas daqui a seis meses será o princípio do Verão, dia 21 de Junho, seis dias antes da Maria João fazer anos. E tudo estará bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5455893223036446112?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5455893223036446112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5455893223036446112' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5455893223036446112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5455893223036446112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/12/custa-dizer-adeus-ao-mar-mec-publico-21.html' title='Custa dizer adeus ao mar... MEC, Público 21-12-09'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-259685739634385121</id><published>2009-10-22T08:46:00.002Z</published><updated>2009-10-22T08:51:03.129Z</updated><title type='text'>...que seria de nós se não sonhássemos. Saramago</title><content type='html'>Hoje, os jornais dizem que a Basílica do Convento de Mafra  se encheu de gente, que quis assistir ao Concerto de Órgão.&lt;br /&gt;Será  Mafra  ainda o destino saloio dos Lisboetas, ao domingo à tarde?&lt;br /&gt;Até lá chegarmos há moinhos na paisagem e as trouxas na Malveira. Bem perto, a Olaria do Zé Franco! E o velho oleiro ali está, moldando as suas figuras. Oferece um copo de vinho e pergunta, com simpatia, se gostamos daquele lugar.&lt;br /&gt;Em Mafra, terra propriamente dita, todos os caminhos vão dar aos sinos do famoso carrilhão do Convento. Ouvem-se num raio de quinze quilómetros. Os duzentos e vinte metros de comprimento tornam este monumento uma verdadeira omnipresença naqueles lugares, que recendem uma respeitável tranquilidade histórica.&lt;br /&gt;Mas não vamos poder falar de tranquilidade, se vamos falar do Memorial do Convento.&lt;br /&gt;Nem do Convento! Como é que uma arquitectura tão imensamente grande, tão intensamente grandiosa, nasce da inquietação da alma de quem não consegue gerar um filho varão?&lt;br /&gt; Só obra desta dimensão pode dar verdadeiramente graças ao poder divino, que aquietou  o rei D João V  e a rainha D. Maria Ana. Ou porque frei António de S. João tem razão, ou porque as preces repetidas de Dona Maria Ana Josefa foram finalmente ouvidas, a real barriga da humilde e submissa rainha vai finalmente crescer. &lt;br /&gt;Mas o rei e a rainha não são as personagens principais deste romance histórico, que nos embala num ritmo quase balançado de quem fala ou de quem ouve, como se tivesse sido escrito, para ser dito. Os protagonistas têm nobreza na alma, mas são povo de condição. À excepção do Padre, que pertencendo à habitualmente classe privilegiada, se aproxima de quem se acha próximo: o homem e a mulher, os verdadeiros, aqueles que sonham como ele sonha, que têm visões, com quem pode partilhar  a sua alucinação e o seu segredo: o voo e a passarola.&lt;br /&gt;O homem é Baltasar, o Sete-Sóis. Um ex-soldado. Perdeu a mão, tem agora para seu lugar um monte de ferros guardados. Pedinte em Évora. Na primavera, dirige-se a Lisboa. Pernoita em Aldegalega. ”Passou a noite em paz.” De manhã cedo, a maré é boa, paga a passagem e atravessa o rio. ”Na outra margem, assente sobre a água, ainda longe, Lisboa derramava-se para fora das muralhas.” Há-de seguir para Mafra, para abraçar a mãe, Marta Maria, que não sabe se o filho é vivo ou morto, por isso o julga morto ou vivo.&lt;br /&gt;A mulher é Blimunda, filha de Sebastiana Maria de Jesus. Tal como a mãe, ela tem poderes: vê dentro das pessoas. Para que isso não aconteça, logo de manhã,  deve quebrar o jejum, antes de abrir os olhos. Mas promete a Baltasar nunca o ver por dentro.&lt;br /&gt;O Padre  é  Bartolomeu Lourenço, mais tarde, Gusmão, depois de ser Doutor da Igreja. Fala a Baltasar dos seus projectos de voar. Por isso, lhe chamam o Voador. Afirma-lhe que já voou ao que o pobre replica que só pássaros e anjos voam. Ou os homens quando sonham. “...mas em sonhos não há firmeza.” Mas o Padre contrapõe: “O homem primeiro tropeça, depois anda, depois corre, um dia voará...” Mostra a  Baltasar um desenho do seu engenho voador. Baltasar vê o desenho de um pássaro e acredita que o homem pode voar.&lt;br /&gt;E são tantos os momentos tocados pela magia dos bons sentimentos de Baltasar, de Blimunda e do Padre Bartolomeu Lourenço! Porque puro e mágico é o seu pensamento. Um  pensamento que pensa  Deus misericordioso, Deus que vê directamente nos corações. “...e se os pecados forem tão graves que não devam passar sem castigo, este virá pelo caminho mais curto (....)se entretanto as  boas acções não compensarem por si mesmas as más....” Estas são considerações tecidas à cabeceira de Blimunda, quando ela adoece, ninguém sabe de quê. Quando Blimunda sai daquele torpor, a máquina de voar está pronta. &lt;br /&gt;E voam. Voam naquele céu de que o povo tanto espera, mas para o qual pouco olha. Acompanha-os um milhafre. A máquina cai, mas os três estão sãos e salvos.&lt;br /&gt;O Padre  desaparece e morre em Toledo. Baltasar também desaparece. Blimunda espera por ele. A angústia de uma espera frustrada perpassa a última parte deste romance. Com essa angústia procura-o, julga mesmo poder encontrá-lo, no dia da sagração. &lt;br /&gt;Mas só o vai encontrar nove anos mais tarde. É um dos onze que ardem no fogo da Inquisição.   &lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SuAcx5fU_AI/AAAAAAAAHBI/f1wRUWyk_6I/s1600-h/DSC01932.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SuAcx5fU_AI/AAAAAAAAHBI/f1wRUWyk_6I/s400/DSC01932.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395343997161241602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Leitura sugerida: O Memorial do Convento de  José Saramago&lt;br /&gt;José Saramago nasceu a 16 de Novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga, Ribatejo. Teve numerosos empregos e diversas profissões: foi serralheiro mecânico, editor, jornalista...A sua primeira obra data de 1947, Terra de Pecado tendo-se seguido um longo período sem qualquer publicação.&lt;br /&gt;Em 1993, já autor consagrado, retirou-se para Lanzarote, onde vive desde então, com a sua mulher Pilar. &lt;br /&gt;Em 1998, a mais alta distinção literária surpreende o escritor em pleno aeroporto de regresso a casa. Vinha da Feira Anual de Frankfurt. E regressou à  Feira, onde o esperavam as primeiras emoções e as primeiras rosas. As primeiríssimas, viveu-as sozinho, segundo conta, nos intermináveis corredores do aeroporto, depois de ter sido chamado ao telefone, para lhe comunicarem a razão pela qual não devia embarcar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-259685739634385121?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/259685739634385121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=259685739634385121' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/259685739634385121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/259685739634385121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/10/que-seria-de-nos-se-nao-sonhassemos.html' title='...que seria de nós se não sonhássemos. Saramago'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SuAcx5fU_AI/AAAAAAAAHBI/f1wRUWyk_6I/s72-c/DSC01932.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6399429097676510301</id><published>2009-10-05T10:59:00.000Z</published><updated>2009-10-05T11:02:11.297Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>Quando é Outono? MEC 05/10/09</title><content type='html'>Quando é Outono?&lt;br /&gt;Miguel Esteves Cardoso - 20091005&lt;br /&gt;No PÚBLICO de ontem saiu uma crónica minha a dizer que, no dia anterior, tinha tomado o último e melhor banho de mar deste ano. Mais uma vez, bastou eu escrever para se tornar mentira. Porque ontem tomei um banho, na mesma Praia das Maçãs, ainda melhor e mais comprido. Hoje e amanhã é provável que piore ainda mais a mentira. Quem sabe? Não há maneira de saber. Mas a água estava uma esmeralda fresca, passe a poesia rasca. Só a fome de ver a minha mulher (e de almoçarmos uma posta descomunal de badejo, confesso) me arrancou dobalancé daquele berço atlântico que bóia como se o oceano ainda fosse o nosso líquido amniótico.&lt;br /&gt;Compreendi então que o tempo português não é como os outros. Ninguém sabe quando começa o Outono: o Outono, em Portugal, é muito curto. Por isso deve-se apreciá-lo mais. Só resta adivinhar quando começa...&lt;br /&gt;Em Setembro não foi, com certeza. Em Outubro - até aqui - só ocorreu a parte botânica e cinematográfica, das folhas vermelhas a cair. Compreende-se porque é que Orlando Ribeiro passou tantas noites sem dormir, antes de perceber que tanto éramos mediterrânicos como atlânticos; sulistas como nortenhos; africanos como europeus.&lt;br /&gt;Acho que é em Novembro que vem o nosso Outono. Num Novembro já um pouco adiantado e invernoso, para não dizer miserável. Está feito com o Inverno, mas comprometido ainda com uma Primavera que já não ama mas que não pode desiludir.&lt;br /&gt;O Verão é o que se vê; o contrário do futuro do verbo ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6399429097676510301?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6399429097676510301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6399429097676510301' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6399429097676510301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6399429097676510301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/10/quando-e-outono-mec-051009.html' title='Quando é Outono? MEC 05/10/09'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6324387090723038307</id><published>2009-07-03T08:13:00.000Z</published><updated>2009-07-03T08:14:39.995Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sophia'/><title type='text'>A força de Sophia!</title><content type='html'>&lt;div style="width:477px;text-align:left" id="__ss_1676440"&gt;&lt;a style="font:14px Helvetica,Arial,Sans-serif;display:block;margin:12px 0 3px 0;text-decoration:underline;" href="http://www.slideshare.net/mrvpimenta/na-morte-de-sophia-andresen" title="Na Morte de Sophia Andresen"&gt;Na Morte de Sophia Andresen&lt;/a&gt;&lt;object style="margin:0px" width="477" height="510"&gt;&lt;param name="movie" value="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayerd.swf?doc=namortedesophia-090702184420-phpapp01&amp;stripped_title=na-morte-de-sophia-andresen" /&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"/&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"/&gt;&lt;embed src="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayerd.swf?doc=namortedesophia-090702184420-phpapp01&amp;stripped_title=na-morte-de-sophia-andresen" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="477" height="510"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div style="font-size:11px;font-family:tahoma,arial;height:26px;padding-top:2px;"&gt;View more &lt;a style="text-decoration:underline;" href="http://www.slideshare.net/"&gt;documents&lt;/a&gt; from &lt;a style="text-decoration:underline;" href="http://www.slideshare.net/mrvpimenta"&gt;mrvpimenta&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6324387090723038307?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6324387090723038307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6324387090723038307' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6324387090723038307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6324387090723038307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/07/forca-de-sophia.html' title='A força de Sophia!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8011360591273713042</id><published>2009-05-10T10:17:00.002Z</published><updated>2009-05-10T12:16:40.028Z</updated><title type='text'>Marisa Marchetto Vencer o cancro de saltos altos</title><content type='html'>10.05.2009, Texto Margarida Santos Lopes Fotografia Enric Vives-Rubio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o cancro da mama é o segundo entre os que mais matam mulheres em todo o mundo, Marisa Acocella Marchetto crê ter encontrado uma arma ainda mais mortífera para o combater. Fez uma BD e mostrou como "saltos assassinos de 12 centímetros" intimidam qualquer "célula zangada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho começou na viagem de avião que a trouxe a Lisboa, para a apresentação da edição portuguesa do livro Cancer Vixen, e ficou pronto antes do regresso a casa, em Nova Iorque (Estados Unidos da América) - menos de uma semana. &lt;br /&gt;Não foi fácil a Marisa Acocella Marchetto encontrar tempo para desenhar para a Pública e respeitar os prazos de entrega dos seus trabalhos para a New Yorker e a Glamour. &lt;br /&gt;Mas quem sobrevive a um cancro, tudo consegue. Não sejam vítimas, foi a mensagem que desenhou. Sejam mais generosas. Há uma receita para uma vida feliz: tomar uma dose de amor e perdão todos os dias.&lt;br /&gt;1. Descreva-se a.c. (antes do cancro) &lt;br /&gt;[ Marisa (eu) a.c. &lt;br /&gt;(antes do cancro)&lt;br /&gt;O meu peso&lt;br /&gt;O meu cabelo&lt;br /&gt;O meu isto&lt;br /&gt;A minha dieta&lt;br /&gt;Os meus sapatos&lt;br /&gt;A minha vida&lt;br /&gt;Eu, eu, eu, eu, euuuu&lt;br /&gt;Eu tinha de ter os melhores sapatos&lt;br /&gt;As melhores malas&lt;br /&gt;Os melhores jeans&lt;br /&gt;Os melhores óculos de sol&lt;br /&gt;Ir às melhores festas&lt;br /&gt;E tudo de tinha ser do melhor, melhor, melhor!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Encontrar um caroço no peito e saber o diagnóstico de cancro da mama sem seguro de vida foi devastador. Como encontrou coragem para lutar?&lt;br /&gt;[Tenho este hábito nervoso. Chama-se desenhar...&lt;br /&gt;... é melhor do que eu antes fazia, ao manter as minhas mãos ocupadas&lt;br /&gt;Bem, descobri que quando passamos os nossos sentimentos a papel, a isso se chama 'diário de um objectivo'. Aqui está como eu desenhei as 'células cancerosas', e quando fiz isso, ri-me delas. Tornou o cancro menos intimidativo.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. De um modo geral, as pessoas ainda olham para o cancro da mama como uma sentença de morte. Por que motivo sentiu necessidade de contar a toda a gente - até a estranhos - que tinha cancro? &lt;br /&gt;[Cancro&lt;br /&gt;Eu queria tirar o cancro para fora de mim...&lt;br /&gt;Cancro&lt;br /&gt;Cancro&lt;br /&gt;E colocá-lo numa página&lt;br /&gt;Tirem isso das vossas mamas, raparigas!&lt;br /&gt;Escrevam!&lt;br /&gt;Escrevam!&lt;br /&gt;Escrevam! *&lt;br /&gt;*Este processo chama-se 'diário de um objectivo']&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Foi fácil, para si, dizer a palavra "cancro"? &lt;br /&gt;[Ri-me na cara do cancro! Ha ha ha ha ha!!!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Levou a obsessão pelos sapatos até às sessões de quimioterapia. Isso foi importante porquê? &lt;br /&gt;[Eu pratiquei a 'lei da distracção', focando-me em algo bonito e não em algo doloroso...&lt;br /&gt;As agulhas não têm graça&lt;br /&gt;A única coisa que me fazia sentir bem era olhar para os meus sapatos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Como é que aprendeu a aceitar todas as transformações do seu corpo depois dos tratamentos e amar-se a si própria? &lt;br /&gt;[Eu, d.d. &lt;br /&gt;(Depois do diagnóstico)&lt;br /&gt;Lembro-me de dizer ao meu corpo...&lt;br /&gt;'Corpo, tu vais entrar em dieta, fazer exercício e ganhar o respeito que mereces!&lt;br /&gt;E obrigada por lutares e seres forte!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Como é que psicólogos, rabis e santos a ajudaram a sobreviver? Ainda precisa deles? &lt;br /&gt;[A minha fé ampara a minha vida&lt;br /&gt;Maria, Rainha do Céu&lt;br /&gt;Cabalistas, usam sobretudo branco&lt;br /&gt;O Padre Jake está comigo em espírito]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Escreveu que a experiência do cancro a mudou para sempre - até conseguiu perdoar pelo menos uma das suas "inimigas". Qual é a "receita" para ser mais positiva e generosa?&lt;br /&gt;[Receita para uma vida feliz.&lt;br /&gt;Amor&lt;br /&gt;Perdão&lt;br /&gt;Tome uma dose saudável todos os dias!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Sem o grande amor de Silvano (e da sua mãe), a sua história seria diferente? &lt;br /&gt;[Eu não estaria aqui sem o AMOR&lt;br /&gt;Silvano usa sempre os seus óculos escuros]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Vixen, uma guerreira, e não uma vítima - qual o objectivo do seu livro? O que recomenda a outras mulheres? &lt;br /&gt;[Não seja uma vítima, seja uma VIXEN&lt;br /&gt;Eu pensei nisso&lt;br /&gt;Eu vi isso&lt;br /&gt;Eu acreditei nisso&lt;br /&gt;Eu tornei-me nisso&lt;br /&gt;Desenhei-me a mim própria como uma vixen que dá um pontapé no cancro, e este desenho estava no meu estirador nesse ano do cancro [2004]&lt;br /&gt;Agora, chamo ao meu estirador a minha 'mesa magnetizadora'&lt;br /&gt;VEJA-SE COMO VIXEN E SERÁ UMA &lt;br /&gt;VIXEN!] a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira sessão de quimioterapia, Marisa Acocella Marchetto usou umas sandálias Charles Jourdan azul-metálico de lucite. Nas seguintes escolheu criações de Giuseppe Zanotti, Casadel ou Emílio Pucci. "Em vez de me concentrar na agulha que me espetava a mão, olhava para os meus maravilhosos five-inch killer heels [saltos assassinos de 12 centímetros] para me descontrair", diz esta americana, a "ilustradora citadina, louca por sapatos, obcecada por batom, apreciadora de uma boa pinga, doida por massas e fanática por moda" a quem foi diagnosticado um cancro de mama, em Maio de 2004. Tinha 43 anos e faltavam três semanas para se casar com "o homem perfeito".&lt;br /&gt;A dar um pontapé num tumor "do tamanho de uma pérola" é como ela se desenha a si própria em Cancer Vixen (edições Asa), a BD que veio lançar a Lisboa na semana passada - mais de 200 páginas coloridas de humor e amor. Sim, ela cronometra o medo que sentiu ao descobrir um caroço no peito, confessa a vergonha de nunca ter feito uma mamografia, alardeia o embaraço de ter deixado caducar o seguro de saúde e não oculta o pavor de ser abandonada pelo amor da sua vida. Por outro lado, é de forma hilariante e sem autocomiseração (mesmo no desconsolo) que vai dando conta de todas as etapas da batalha contra "um sacana que não veio nada a calhar" - quando ela, solteira Acocella, havia conquistado Silvano Marchetto às jovens que, descaradamente, o cobiçavam, planeava a compra de um gracioso vestido de noiva, e os editores das revistas New Yorker e da Glamour lhe requisitavam mais trabalhos. Oportunidade para aqui confirmar como é dura a vida de freelance ("por cada desenho vendido, há 100 que são rejeitados"). E ela não parou na doença, sempre acompanhada dos seus dois gravadores presos com fita-cola, câmara fotográfica, caderno de esboços e a caneta favorita, Rapdiograph 0.35.&lt;br /&gt;Marisa, que vivia num "apartamento superchique - um minúsculo T1 no 2.º andar de um prédio de três, sem elevador, em West Village [Nova Iorque]", e frequentava todos os "eventos in", diz à Pública que trocou o lema take it off your chest ("tira isso do peito") por take it off your breast ("tira isso da mama"). Quando fala do passado, já está a pensar no futuro. "Antes de pensar na quimioterapia, concentrei-me na minha lua-de-mel. Não queria que me vissem como doente de cancro." &lt;br /&gt;É por isso que, com ela, zombamos das "células zangadas" (cancerosas), criaturas verdes de língua escarlate de fora e dedo em riste num gesto obsceno. Que devoramos as tempestuosas conversas com Violleta, a mãe ou (S)mother - trocadilho para a expressão inglesa "asfixiar". Que aguçamos os ouvidos para os mexericos com as APS (amigas para sempre). Que rejubilamos com os raspanetes da Virgem Maria ("Se passares o dia na cama, nunca vencerás") e de Mary Poppins (Acabou-se a lamúria! Levanta-te... Já, já"). Que partilhamos a sua revolta por os testículos não serem "colocados num torno", tal como as mamas são "espremidas, esborrachadas, esmagadas e entaladas" nas mamografias. Que nos surpreendemos com a devoção a Santa Filomena e ao Beato Jacob, "protectores dos que sofrem", conjugada com sessões espirituais no centro cabalístico judaico. &lt;br /&gt;Conclusão de Marisa: "Se somarmos 29 agulhas, oito quilos, 11 técnicos de radioterapia, 11 assistentes médicos, nove enfermeiras, oito médicos, 192.720,4 dólares, dois rabis e um padre, o resultado é uma experiência que me mudou para sempre." Em Lisboa, cinco anos depois de sentir que o universo a aspirara para um buraco negro, a loura que "apenas se preocupava com questões estúpidas e egoístas de auto-estima, pele e cabelo", confessa que continua a ser uma fashionista.&lt;br /&gt;"Oh sim, ainda gosto muito de andar na moda, mas agora na perspectiva de me fazer sentir mais poderosa", confessa enquanto se senta na poltrona de um hotel, o sol primaveril a iluminar o rosto translúcido bem maquilhado. "Deixei de ser uma vítima da moda para ser uma vencedora. Já não é uma questão de competição, mas a expressão de quem se sente bem. Se nos sentirmos bem, isso reforça o nosso sistema imunitário e, assim, são menos as probabilidades de adoecermos. É uma outra forma de terapia."&lt;br /&gt;"Hoje, trago umas calças de cabedal justas e um sapatos altíssimos como eu adoro, tudo preto e Alexander McQueen", descreve-se a pequena Marisa (menos de 1,60 m), alongando as pernas para exibir o que qualifica de "grande extravagância" do ano corrente. "Esta camisola [cor-de-rosa, ostentando um laço da luta contra o cancro da mama] não tem marca, e a camisa tem uns 20 anos, mas aprecio combinar velho e novo. A sombra dos olhos permanece azul. As unhas, pintei-as de turquesa. Combinam bem com os ténis do meu marido" - e com a pedra do anel de noivado.&lt;br /&gt;Encostado a uma janela, Silvano, 62 anos, interrompe a conversa, fixando em Marisa os olhos azuis de ternura com que ela o retrata no livro a ele dedicado. "Então era isso que vinha naqueles sete sacos que o empregado levou lá a casa!", brinca num inglês-italiano (quase) imperceptível. "Sim", ri-se a primeira ilustradora do jornal New York Times ('autora the The Strip, que saía aos domingos alternados na secção Styles'). "Não lhe posso esconder nada."&lt;br /&gt;"Os tacões de 12 centímetros de salto fazem-nos sentir conquistadores do mundo", elucida Marisa. "As pernas não ficam bonitas com saltos rasos e eu não me sinto confiante." Na sala VIP, enquanto a mulher caminha altiva nos seus pumps (sapatos fechados com abertura à frente), o marido desfila, divertido, os ténis de múltiplos tons, personalizados com o logótipo do restaurante (famoso pela gastronomia toscana e pela clientela famosa) de que é proprietário em Nova Iorque, o Da Silvano.&lt;br /&gt;Violleta e Jackie Kennedy&lt;br /&gt;O logo - a cara bonacheirona de Silvano, de cabelo branco e óculos de sol - foi o princípio de uma relação que o cancro solidificou. Marisa tinha ido ao restaurante que Spielberg e Armani frequentam para escrever um artigo sobre "o preço de estar na moda". A reportagem não chegou a ser publicada pela extinta revista Talk porque se tornou superficial depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001. Em Janeiro de 2002, ela propôs a Silvano compensá-lo, desenhando o cartão de inauguração de um novo estabelecimento. Apresentou quatro sugestões e ele aceitou todas, depois de inúmeras modificações a que ela aquiesceu pacientemente. Difícil resistir a um galã que nunca se zanga e cuja palavra de ordem é che bella giornata. &lt;br /&gt;Além de carros desportivos (sete) e relógios (60), Silvano também colecciona sapatos - terá cerca 100, o dobro de Marisa, por causa das nódoas que apanha na cozinha -, mas a paixão que ela sente por andar de saltos altos foi herança de Violetta Paolina Margarida Mazzucca d'Rentis Acocella. "Quando comecei a desenhar, aos três anos, já imitava a minha mãe, que trabalhava em casa. Lembro-me que, aos quatro anos, tinha botas de verniz cor de marfim; aos cinco, botas de verniz pretas; aos seis, botas de cano alto e salto quadrado, verniz de cores verde ácido e laranja vivo. Já naquela altura, eu era uma shoe-aholic [sapatoólica]!"&lt;br /&gt;Violleta "tem um extraordinário fashion sense", elogia Marisa. "Nos anos 1960, ela usava Pucci e tinha o cabelo preto comprido como o da Cher, com uma madeixa loura na franja -muito na vanguarda. Levava-me às compras e o seu gosto era sempre o mais ousado. Foi ela que me encorajou a exprimir-me pela moda."&lt;br /&gt;Numa troca de emails com a Pública, a partir de Nova Jérsia, onde vive, a mãe de Marisa desvenda que começou a desenhar sapatos antes de terminar o liceu. "Eu ia para Nova Iorque aos sábados e deixavam-me fazer os meus sapatos durante o fim-de-semana. Fui depois completar os meus estudos para o Pratt Institute [escola de arte e arquitectura], mas sempre a desenhar sapatos."&lt;br /&gt;Quando se licenciou, Violletta foi trabalhar como designer na I. Miller Shoe Company, "naquele tempo, o mais requintado fabricante de sapatos de Nova Iorque", mas foi no armazém de luxo Bergdorf Goodman que ela conheceu Jacqueline Kennedy. "Quando ela me telefonou [para fazer uma encomenda], pensei que era alguém a pregar-me uma partida", relata. "Tinha uma voz doce e falava com eloquência. Tornámo-nos amigas e tínhamos algo mais em comum do que os sapatos. Estávamos ambas grávidas. Ela de John Jonh e eu de Marisa. Lamentávamo-nos por termos os pés grandes - embora ela ficasse contente por os meus serem maiores (número 42) do que os dela (número 41). Foi este episódio que me fez desenvolver tamanhos grandes e desenhar para ela sapatos que a faziam parecer maravilhosa. Ainda guardo um par de sapatos que fiz para mim na mesma altura que fiz para Jackie."&lt;br /&gt;O bicho do cartoon&lt;br /&gt;Não foi só nos sapatos e na moda que Violleta influenciou Marisa. "Vi como Marisa era talentosa desde muito pequenina", exulta a mãe. "Encorajei-a a seguir o seu talento. Aos quatro anos, levei-a a uma amiga que era professora de arte. Ela recusou inicialmente dizendo que não era babysitter. Pedi-lhe que a deixasse assistir apenas a uma aula. E Marisa foi, aos quatro anos, a uma aula de adultos. No final, a professora estava deslumbrada com a filha fabulosa que eu tinha. Pegou nas duas aguarelas que ela pintou, emoldurou-as e apresentou-as a um concurso. Marisa ganhou o primeiro prémio."&lt;br /&gt;Marisa dá mais pormenores: "A minha mãe desenhava sapatos fabulosos para mulheres e eu, aos três anos, tentava desenhar mulheres que conhecia. Aos oito, cheguei à conclusão de que essas mulheres eram muito aborrecidas. Não tinham nada para dizer. Um dia, o meu pai decidiu que iríamos ter umas férias grandes e fomos até às Bermudas. Ficámos num hotel que a minha mãe detestou, porque era muito pequeno. Queixou-se ao gerente e ele deixou-nos ficar numa casa cor-de-rosa em frente ao resort. Nas paredes havia desenhos com legendas, e eu exclamei: 'Oh meu Deus, as mulheres que eu desenho sabem falar!"&lt;br /&gt;A casa era de James Thurber, lendário cartoonista da New Yorker. "Nessa noite fiquei a ler as revistas e os livros dele até de madrugada", relembra. "Duas horas depois, acordei com formigas a subirem-me pelo corpo. Fomos para uma carrinha e havia lá outras 400 formigas. Gosto de dizer que fui mordida pelo bicho do cartoon. Foi assim que a aventura começou."&lt;br /&gt;Inquirida sobre se a sua mãe gostou da maneira como a desenhou em Cancer Vixen (que esteve para se chamar Breast Cancer Scenario, "título horrível" que um amigo chumbou), Marisa dá uma gargalhada: "Depois de meses de ausência, já na arte final, fui visitar os meus pais. A minha mãe entrou na sala, tinha emagrecido 12 quilos, e disparou: 'Não gostei da maneira como me desenhaste'." Violleta dá a sua versão: "Eu sei que Marisa me ama. O livro confirma esse amor e tocou-me o coração." Quanto a ser tratada como (S)mother, admite: "É um modo carinhoso de mostrar a minha personalidade, mas sim, creio que amo os meus filhos DEMASIADO, e agora todos me chamam (S)mother." &lt;br /&gt;Falta-nos alguma coisa?&lt;br /&gt;Se Violleta é uma mãe "sufocante", Marisa só poderá ser madrasta de Leyla, a filha de Silvano. Uma das passagens mais comoventes do livro é quando ela interioriza que só poderá engravidar aos 49 anos, devido à ingestão do Tamoxifen, medicamento que "bloqueia o estrogénio no peito". Desenha um bebé num céu estrelado e o diálogo é tristonho: "Desculpa... pensei que tinha muito tempo, mas só tinha um piscar de olhos." E a criança despede-se: "Adeus." Violleta chora: "Sempre pensei que ias ter uma menina."&lt;br /&gt;Marisa conformou-se: "Muita gente ficou impressionada. Não poder ter filhos é uma realidade. Mas tenho uma enteada maravilhosa. Tenho uma vida muito ocupada. Tenho muito trabalho. Tenho uma vida cheia. Tenho um marido maravilhoso." Vira-se para Silvano e pergunta: "Falta-nos alguma coisa?" Ele murmura: "Nada!" &lt;br /&gt;A grande missão de Marisa é agora o seu Cancer Vixen Fund, que tem Silvano com "principal benfeitor", criado em colaboração com o Hospital de St. Vincent, onde foi operada e tratada. "Este projecto é dedicado às mulheres que não têm seguro de vida e a quem foi diagnosticado cancro de mama", especifica. "Mais de 49 por cento correm o risco de morrer da doença. Porque adiam os exames ou, se estes dão positivo, não se tratam por falta de dinheiro. Temos vários patrocinadores: a fundação Estée Lauder, a Breast Awareness Campaign, os [armazéns] Bloomingdale's e a [transportadora] Continental Airlines, entre outros. Também somos membros da American Cancer Society."&lt;br /&gt;O Vixen Fund foi uma ideia que nasceu quase ao mesmo tempo que Marisa soube o seu diagnóstico. "Senti que tive muita sorte [o cancro foi detectado no início, uma leve quimioterapia não lhe fez cair o cabelo, amigos e chefes criaram uma rede de solidariedade, Silvano incluiu-a no seu seguro de saúde] e eu quis retribuir." &lt;br /&gt;A instituição realiza duas vezes por ano cerca de 300 mamografias gratuitas. Desde 2006, "felizmente, só um caso deu positivo". Poderá não ter um final feliz. Mas Marisa acredita em milagres.&lt;br /&gt;Espreite &lt;a href="http://www.glamour.com/health-fitness/2006/08/cancer-vixen-cartoon#slide=1"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://marisamarchetto.com/cancer_vixen.php"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8011360591273713042?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8011360591273713042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8011360591273713042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8011360591273713042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8011360591273713042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/05/marisa-marchetto-vencer-o-cancro-de.html' title='Marisa Marchetto Vencer o cancro de saltos altos'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-974464888531530024</id><published>2009-05-09T09:45:00.000Z</published><updated>2009-05-09T09:46:51.814Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>Odeio amar-te tanto!</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.publico.clix.pt/"&gt;&lt;strong&gt;Miguel Esteves Cardoso&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; Ainda ontem - 20090509&lt;br /&gt;Como também faço, nunca reparei. Mas é capaz de ser a faceta mais assustadora dos portugueses: quando elogiamos uma coisa, parece que ficamos zangados. Se dissermos que gostamos muito de uma coisa, o tom da voz e o carregar das sobrancelhas são agressivos: "Adoro pastéis de bacalhau! Sou muito amigo dele! Sou do Benfica!" As nossas declarações de amor são exprimidas como se estivéssemos numa batalha até à morte, a defender a coisa amada do ataque traiçoeiro dum inimigo.Como também faço, nunca reparei. Mas é capaz de ser a faceta mais assustadora dos portugueses: quando elogiamos uma coisa, parece que ficamos zangados. Se dissermos que gostamos muito de uma coisa, o tom da voz e o carregar das sobrancelhas são agressivos: "Adoro pastéis de bacalhau! Sou muito amigo dele! Sou do Benfica!" As nossas declarações de amor são exprimidas como se estivéssemos numa batalha até à morte, a defender a coisa amada do ataque traiçoeiro dum inimigo.&lt;br /&gt;Pergunta-se calmamente: "Gostas do Mosteiro da Batalha?" E a resposta vem carregada de sobrolho e de padaria aljubarrotense: "Adoro o Mosteiro da Batalha!" Está-se sempre à espera que completem a confissão com um "Porquê? Há azar? É que se houver, vou-te já aos cornos!".&lt;br /&gt;Podemos estar a falar da mãe, do cozido à portuguesa, de Amália, de Sófocles ou dos dias enevoados de Maio. Outros povos, quando elogiam uma coisa, reflectem na cara e na voz a estima que lhe têm, ficando enlevados, carinhosos e felizes: "Oh, I love pastéis de bacalhau, she's a good friend of mine, etc..."&lt;br /&gt;Até parece que suspiram um bocadinho de portuguesa saudade dessa coisa quando falam dela. Nós não. Isso para nós é muita complicação, estar a adequar a cara que se faz ao que sente o coração. Parece falso, não é? É por isso que preferimos dizer que amamos com a mesma voz e a mesma tromba que usamos para dizer que odiamos. Sem pestanejar sequer. Ah leão!&lt;br /&gt;É incrível: até com robertos se consegue melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-974464888531530024?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/974464888531530024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=974464888531530024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/974464888531530024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/974464888531530024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/05/odeio-amar-te-tanto.html' title='Odeio amar-te tanto!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-432631668142718279</id><published>2009-04-10T08:22:00.000Z</published><updated>2009-04-10T08:23:11.439Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>Mec, 10 de Abril</title><content type='html'>Pode faltar o dinheiro e podem estar a falir jornais e revistas a eito, mas, neste intervalo em que vivemos, entre a papirocracia que reinava antes da Internet e a electrocracia que aí vem, somos quase todos infomilionários.&lt;br /&gt;Temos tantas fontes e formas de comunicação e entretenimento à nossa mercê que cada um pode compilar um pacote multimédia feito à medida, que mais ninguém tem - ou quer. Dantes (os que podíamos), víamos e líamos mais ou menos as mesmas coisas.Pode faltar o dinheiro e podem estar a falir jornais e revistas a eito, mas, neste intervalo em que vivemos, entre a papirocracia que reinava antes da Internet e a electrocracia que aí vem, somos quase todos infomilionários.&lt;br /&gt;Temos tantas fontes e formas de comunicação e entretenimento à nossa mercê que cada um pode compilar um pacote multimédia feito à medida, que mais ninguém tem - ou quer. Dantes (os que podíamos), víamos e líamos mais ou menos as mesmas coisas. Havia quatro canais; quatro jornais; quatro paredes caiadas e um cheirinho a alecrim. As conversas no dia seguinte eram aconchegadas e previsíveis; regendo-se pelo duro código do "Ó vizinha!".&lt;br /&gt;Eram os dias do "Viste o...?/Então não vi!" . Ajudava a conversar - mas o subtexto era claustrofóbico e aldeão: "Que remédio...". E, nos dias maus, que raramente faltavam, era cá uma festa descobrir uma coisa que se pudesse ver ou ler com agrado.&lt;br /&gt;Agora não. Entrámos na época da pergunta contrária: do "Não sabias?!". Todos temos o nosso próprio (respire fundo) portefólio léxico-audiovisual. Mas - hélas! -, por muito que o queiramos vender aos nossos amigos (para podermos fazer uma pequena ideia do que estão a falar), eles não o compram, porque não abdicam dos portefóliozinhos deles. "Não viste? Nunca ouviste? Não sabias? Não conheces? Não me digas! Ah, tens de ler! Eu vou-te mandar! Vais adorar!": é esta a nova banda sonora. &lt;br /&gt;Diga adeus ao diálogo e seja bem-vindo aos monólogos do futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-432631668142718279?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/432631668142718279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=432631668142718279' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/432631668142718279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/432631668142718279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/04/mec-10-de-abril.html' title='Mec, 10 de Abril'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6521312719430957577</id><published>2009-04-07T15:29:00.000Z</published><updated>2009-04-07T15:30:29.759Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>Em vez de nós- Ainda ontem, pelo MEC</title><content type='html'>Dizem os cínicos que estamos sempre a chorar a nossa desgraça e a nossa morte, quando a entrevemos na desgraça e na morte dos outros. Sabemos todos que uma vida vale tanto como a outra. Mas a verdade é que, quanto mais as desgraças e as mortes se aproximam de nós, mais nós choramos.&lt;br /&gt;A compaixão não consegue nem deve separar-se do egoísmo. É quando a tragédia nos sussurra "podia ter sido aqui; podias ter sido tu" que mais nos comovemos. É difícil olhar para a catástrofe no Abruzzo e não reconhecer caras e casas portuguesas, abatidas pelo mesmo terremoto que nos ameaça. Está errado; blá blá blá; havia de nos vir o coração à boca sempre que há um terremoto, seja onde for. Mas não é assim que funciona o coração humano e a pena, por muito dúbia e etnocêntrica que seja a origem dela, é rara de mais para se coibir ou relativizar. &lt;br /&gt;Dizem os irlandeses, quando vêem um mendigo: "There, but for the grace of God, go I". Lévinas foi mais longe: o desconhecido que ali está, que olha para nós, a ver se o ajudamos ou apenas reconhecemos e tratamos como ser humano, é Deus. Deus é o outro: este parece ser a parte boa do recado de todas as religiões do mundo. (A parte má é "mas nós somos os únicos que estão com Deus").&lt;br /&gt;Faz dó. Faz medo. Faz dar graças pela nossa sorte enquanto se chora a sorte daquelas famílias italianas. Podía-mos ter sido nós. É bom que se saiba. E que, seja num sentido religioso, científico ou aleatório, elas sofrem e morrem em vez de nós. Obrigados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6521312719430957577?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6521312719430957577/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6521312719430957577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6521312719430957577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6521312719430957577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/04/em-vez-de-nos-ainda-ontem-pelo-mec.html' title='Em vez de nós- Ainda ontem, pelo MEC'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5871415205593793828</id><published>2009-03-29T10:45:00.001Z</published><updated>2009-03-29T10:46:32.007Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos jornais'/><title type='text'>Atitudes e comportamento dos alunos</title><content type='html'>Atitudes e comportamento dos alunos podem determinar subida de notas&lt;br /&gt;Do Público, 29.03.2009, Bárbara Wong&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O saber pode não ser tudo. Um aluno assíduo, pontual, que coopera e se porta bem pode ver uma nota negativa passar a positiva. Há escolas a valorizar cada vez mais aspectos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As atitudes e o comportamento dos alunos podem ser determinantes para que a nota final do período possa passar da negativa à positiva. Às vezes, os professores abusam deste parâmetro da avaliação e os resultados nas pautas são melhores do que o expectável, denunciam alguns especialistas. Outros defendem que só assim se podem manter na escola alunos que estão em risco de abandono ou de insucesso escolar.&lt;br /&gt;Chegados ao final do 2.º período escolar, é hora de os professores se reunirem e lançarem as notas. Além dos testes, trabalhos e participação nas aulas, há um factor que, para muitos alunos, pode ser determinante: os valores e as atitudes. É assíduo? Pontual? Coopera e empenha-se? Porta-se bem? Se sim, e se a situação do aluno estiver periclitante entre a negativa e a positiva, este aspecto pode ser decisivo para subir a nota. Este parâmetro tem um peso variável de disciplina para disciplina e de escola para escola. &lt;br /&gt;O factor das atitudes e do comportamento "ganhou um peso desmesurado que leva a que os alunos tenham uma visão irrealista das suas competências", alerta João Lopes, professor do Departamento de Psicologia da Universidade do Minho, que defende que os docentes "têm a noção que, se avaliassem só os conhecimentos académicos, haveria uma hecatombe", pois as notas seriam piores.&lt;br /&gt;Foi o que aconteceu na básica 2/3 João Cónim, em Estômbar: as notas do 1.º período, comparadas às do ano passado, baixaram, depois de a escola ter decidido atribuir 20 por cento de peso ao domínio das atitudes e valores, do 1.º ao 9.º ano de escolaridade, dando preponderância ao domínio cognitivo, explica a presidente do executivo, Paula Simão. "Antes havia um peso maior para as atitudes e valores por causa da realidade da escola, onde há muitos problemas sociais económicos. Só que concluímos que, no final de cada ciclo, todos são avaliados da mesma maneira, pelas provas de aferição e exames nacionais, por isso mudámos", justifica. &lt;br /&gt;Em vez de dar positivas, os docentes apoiam os alunos "para que todos adquiram as mesmas competências" e, no ano passado, os resultados dos exames nacionais do 9.º ano foram superiores às notas internas, congratula-se a professora.&lt;br /&gt;Mas na maioria das escolas ainda há uma "grande discricionariedade", acusa Pedro Rosário, professor da Universidade do Minho. "Como não há balizas concretas, esse parâmetro serve de almofada para proteger as fragilidades dos alunos."&lt;br /&gt;O princípio de avaliar as atitudes dos alunos não é posto em causa por José Morgado, professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, de Lisboa, que é apologista de uma avaliação completa e global. É "desejável, porque o bem-estar do aluno está para além do rendimento escolar e do realizar os trabalhos de casa". Este reside também na participação nas aulas, motivação e empenho. &lt;br /&gt;"É razoável que o aluno seja discriminado positivamente; caso contrário, há uma sobrevalorização excessiva do resultado escolar", considera Morgado. A nota tem de ter uma natureza pedagógica, essencial para manter na escola aqueles que estão em risco de abandono ou insucesso. "Há miúdos a quem, se se der 1, 2 [numa escala de 1 a 5], a escola perde-o. A avaliação deve ser usada para motivar", declara. &lt;br /&gt;Para esses casos, "devia encontrar-&lt;br /&gt;-se um eufemismo: nota por motivos emocionais", sugere Pedro Rosário, lembrando que os estudantes que trabalham podem não compreender essa atribuição de notas. Dulce Gonçalves, da Universidade de Lisboa e do centro de psicologia Lispsi, propõe diferenciar os parâmetros de avaliação de desempenho comportamental. O aluno pode ter 5 no comportamento e 2 no desempenho, exemplifica. "Fazemos pesar demasiado as atitudes nas notas e isso é um erro, porque não contribui para a melhoria dos comportamentos, nem dos resultados. É ilusório", opina João Lopes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5871415205593793828?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5871415205593793828/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5871415205593793828' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5871415205593793828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5871415205593793828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/03/atitudes-e-comportamento-dos-alunos.html' title='Atitudes e comportamento dos alunos'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8759162680277463969</id><published>2009-03-29T10:25:00.000Z</published><updated>2009-03-29T10:26:58.619Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos jornais'/><title type='text'>Ensino privado convida alunos a sair</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Do Público de 29.03.2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É no sistema de ensino privado que o domínio das atitudes e dos valores pode prejudicar os alunos, sobretudo quando se portam mal, dizem os especialistas contactados pelo PÚBLICO. "Nos colégios, muitas vezes, os comportamentos quando são negativos têm um reflexo maior na classificação. Nas escolas públicas, como os problemas do comportamento se associam a outros, a escola tenta não penalizar os alunos, porque eles já estão em risco", explica Isabel do Vale, psicóloga na básica 2/3 Patrício Prazeres, em Lisboa. &lt;br /&gt;Um aluno que no domínio cognitivo poderia ter um 4, na escala de 1 a 5, pode ter 3, porque fala ou está desatento na sala de aula. É a "cultura da escola", aponta o professor universitário José Morgado. "O pai, quando opta pelo privado, não está disposto a pagar pelo insucesso e o colégio não está disponível para resolver problemas de comportamento. Nas públicas, não podemos falhar, porque a maioria dos pais não pode ir comprar qualidade de ensino [às privadas]", justifica.&lt;br /&gt;O director da Escola Técnica e Liceal Salesiana de Santo António, no Estoril, padre Joaquim Teixeira da Fonseca, confirma que, se um aluno "está a prejudicar e não está a aproveitar, é avisado, é convidado a trabalhar e, quando não quer, é convidado a sair". &lt;br /&gt;As consequências do mau comportamento devem ser imediatas e não reflectirem-se na nota, defende João Lopes, da Universidade do Minho. Castigar através das notas "é muito primário" e não traz benefícios ao aluno, que pode desmotivar-se e ter insucesso, aponta a psicóloga clínica Maria João Santos, do Espaço para a Saúde da Criança e do Adolescente, em Lisboa. B.W&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8759162680277463969?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8759162680277463969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8759162680277463969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8759162680277463969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8759162680277463969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/03/ensino-privado-convida-alunos-sair.html' title='Ensino privado convida alunos a sair'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6901912429832512875</id><published>2009-02-14T13:29:00.001Z</published><updated>2009-02-14T13:32:18.730Z</updated><title type='text'>O inferninho dos petizes- do Público</title><content type='html'>A escola não serve para substituir uma família ausente. A escola não pode nem deve aceitar esse papel. Desculpem voltar ao Paradis des Enfants de que já aqui falei uma ou outra vez. Mas não sei de melhor saber do que o da experiência feito e tenho por vício achar que as boas práticas são de importação segura. Mesmo quando as diferenças culturais não nos deixam importá-las, pelo menos servem para nos ajudar a pensar. &lt;br /&gt;Para quem o tema do Paradis seja novo, aqui vai uma breve explicação: trata-se da escola frequentada por dois dos meus filhos nos três anos em que vivemos em Bruxelas. Veio-me à memória quando deparei com uma estranha reivindicação de uma confederação de pais, a reclamar o direito de transformarem as escolas em armazéns de criancinhas, pelo módico período de doze horas diárias. Imaginei que, se o Ministério da Educação belga impusesse a Monsieur le Directeur tal medida, ele exigiria a mudança de nome da escolinha para L'enfer des Petits.&lt;br /&gt;Era uma escola pública e laica da comuna de Etterbeck. Embora pública, Monsieur le Directeur reivindicava para si uma esfera de autonomia pedagógica que passava pelo poder de, se não de rejeitar de imediato, pelo menos de retardar a aplicação das medidas decretadas pelas autoridades centrais que lhe parecessem disparate.&lt;br /&gt;Quando me anunciou essa característica da escola, deu-me a entender que não era negligenciável. Explicou-me que as reformas eram ali aplicadas apenas a título experimental, em turmas piloto, e só se dessem resultado se generalizava a experiência. Caso contrário, protestava e, tanto quanto consegui apurar, em muitos casos levava a sua avante. Nos casos que não ganhava, tinha a garantia de pelo menos dois anos de folga. E, não raro, a medida retrocedia naturalmente, não sobrevivendo muito tempo ao próprio erro. Fiquei assim com a ideia de que as autoridades belgas não seriam nem particularmente autistas nem especialmente casmurras em matéria de educação.&lt;br /&gt;A escola tinha horário flexível para entregar as crianças, salvo erro entre as 8 e as 9, mas que não me passasse pela cabeça fazê-lo depois disso, interrompendo a classe. Como morava perto e estava em casa, devia ir buscá-las depois para almoçar, tornar a entregá-las na escola e voltar para as apanhar, em definitivo, pouco depois das 15 e 30. Uma canseira! Nunca, como aí, me senti tão presa à roda viva do ritmo escolar. Contudo, a escola fornecia almoço aos meninos necessitados ou àqueles que não tinham ninguém que os fosse buscar, acolhia as crianças que precisassem absolutamente desse apoio a partir das sete e trinta e mantinha-se com actividades de apoio ao estudo e circum-escolares até às 17 e 30 e com uma guarda de infância até às 18 ou 19.&lt;br /&gt;Havia um menino que era sempre entregue pouco depois das 7 e recolhido dez (senão doze...) horas depois. Os pais, um jovem casal proprietário de um negócio, tinham provado não dispor de alternativas e, a título excepcional, a escola, enquanto agente responsável ao serviço da comunidade, prestava esse serviço. Nada que, de forma criativa e sem imposições do ministério, não aconteça já por cá, numa multiplicidade de escolinhas e em criativa conjugação de esforços entre pais, autarcas e professores.&lt;br /&gt;Monsieur le Directeur deixava sempre bem claro não ser esse o sistema ideal para o desenvolvimento harmónico da criança, exercendo uma subtil pressão junto dos pais para os consciencializar da vantagem de, logo que possível, inverterem o sistema. &lt;br /&gt;Em contrapartida, quando de início me passou pela cabeça que seria mais prático ficar com as criancinhas comigo durante toda a tarde, fui rapidamente alertada pelas educadoras para não as prejudicar, privando-as das actividades escolares previstas para a parte da tarde. Aquela horinha de actividades era uma parte curricular importante da socialização e da estimulação dos meninos.&lt;br /&gt;Entre a filosofia educativa do Paradis e os serviços prestados pela escola e as reivindicações da autóctone CONFAP vai um mundo de diferenças. Uma coisa é reclamar um apoio social a prestar em caso de necessidade comprovada e enquanto vertente da segurança social (ou da acção escolar!), outra é a reivindicação do direito ao armazenamento escolar. Com aquela ideia peregrina de que mesmo em dias de greve caberia às escolas a prestação de serviços mínimos. De educação? Não. De armazenamento.&lt;br /&gt;Já houve tempos em que as crianças pouco contacto tinham com os pais, sobretudo nas classes privilegiadas, sendo educadas por criadas, enquanto nas classes trabalhadoras mais desprotegidas eram deixadas na rua. Muitos de nós crescemos em colégios internos e não nos transformámos em monstros nem delinquentes, apesar das 24 horas de vida escolar. Verdade. Mas também houve tempos em que se aprendia à custa de reguadas e orelhas de burro e ninguém, com juízo, quer regressar a esses tempos. Nem as solicitações, nem os riscos, nem os constrangimentos de hoje são os dessas épocas. Avançámos nos direitos das crianças e dos pais para agora aceitarmos, sem pestanejar, o regresso ao século XIX? Com os operários (por mais intelectuais que sejam) presos à linha de produção do lucro, sem intervalo para almoço nem descanso semanal?&lt;br /&gt;Num desabafo oiço o relato de uma educadora que cito de memória: "Aqui, no infantário, há uma menina de três anos e meio que, nos últimos dois, não gozou um único dia de férias. Só faltou ao infantário quando esteve doente. Os pais, mesmo em férias, vieram sempre trazê-la (o infantário está aberto todo o ano) com o argumento de que ela se diverte muito mais aqui!". O grande problema desta sociedade não é a existência de casos como este. O grande problema é que pode ser verdade que a escola seja o melhor ou o único local de recriação de uma criança. Pior ainda, é reconhecer na escola maiores e melhores competências parentais do que as dos próprios progenitores.&lt;br /&gt;A escola não serve para substituir uma família ausente. A escola não pode nem deve aceitar esse papel. Os professores não podem nem devem ser chamados a exercer a função de assistentes sociais. Essa é, aliás, uma das géneses do falhanço do nosso sistema de ensino público, uma das causas do flagrante insucesso escolar. Deixamos de herança aos nossos filhos um sistema em que faz com que metade da geração dos jovens de 20 anos não tenha sequer passado do nono ano de escolaridade.&lt;br /&gt;Por tudo isto os pais deviam estar do outro lado da barricada. Deviam defender escolas que ensinem e prestem serviços máximos de educação contra este absurdo conceito de escolas que prestam serviços mínimos ou máximos de armazenamento infantil. Graça Franco,Jornalista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6901912429832512875?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6901912429832512875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6901912429832512875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6901912429832512875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6901912429832512875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/02/o-inferninho-dos-petizes-do-publico.html' title='O inferninho dos petizes- do Público'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8627245266615803757</id><published>2009-02-11T12:08:00.001Z</published><updated>2009-02-11T12:08:26.302Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festas'/><title type='text'>Até à manhã!</title><content type='html'>&lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" border="0" bgcolor="#ffffff"&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;a href="http://smilebox.com/play/4e7a55794d7a59334f513d3d0d0a&amp;blogview=true&amp;campaign=blog_playback_link" target="_blank"&gt;&lt;img width="386" height="303" alt="Click to play Simply Family" src="http://smilebox.com/snap/4e7a55794d7a59334f513d3d0d0a.jpg" style="border: medium none ;"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;a href="http://www.smilebox.com/?partner=hallmark&amp;campaign=blog_snapshot" target="_blank"&gt;&lt;img width="386" height="46" alt="Create your own photobook - Powered by Smilebox" src="http://www.smilebox.com/globalImages/blogInstructions/blogLogoSmileboxSmall.gif" style="border: medium none ;"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="center"&gt;&lt;a href="http://www.smilebox.com/photobooks/?partner=hallmark" target="_blank"&gt;Make a Smilebox photobook&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8627245266615803757?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8627245266615803757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8627245266615803757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8627245266615803757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8627245266615803757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/02/ate-manha.html' title='Até à manhã!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-3543474569671528465</id><published>2009-02-04T09:35:00.000Z</published><updated>2009-02-04T09:36:43.388Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='da imprensa escrita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritores'/><title type='text'>CRÓNICA DAS PALAVRAS  de BB no DN</title><content type='html'>Há muito se perdeu a noção de que as palavras têm honra. Políticos servem- -se delas para mentir, ocultar, dissimular a verdade dos factos e as evidências da realidade. Mas também escritores e jornalistas as debilitam e as entregam às suas pessoais negligências. Não é, somente, uma questão de gramática e de estilo; mas é, também, uma questão de gramática e de estilo. Há escritores e jornalistas que o não são à força de o querer ser. A confusão instalou-se, com a cumplicidade leviana de uma crítica pedânea e de um noticiário predisposto a perdoar a mediocridade e a fraude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras possuem cores secretas, odores subtis, densidades ignoradas. O discurso político conduz-nos ao nojo da frase. Pessoalmente, tento limpar o reiterado registo da aldrabice e da ignorância com a releitura dos nossos clássicos. Recomendo o paliativo. Eis-me às voltas com as Viagens na Minha Terra. Garrett não era, propriamente, uma flor imaculada. Mas foi um mestre inigualável na arte da escrita. Lembro-o porque, a seguir, revisitei o terceiro volume de As Farpas, onde Ramalho reproduz uma conversa com Herculano. O historiador retratou assim o seu companheiro das lutas liberais: "Por cem ou 200 moedas, num dia de apuro, o Garrett seria capaz de todas as porcarias que quiserem, menos de pôr num papel, a troco de todo o ouro do mundo, uma linha mal escrita."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaprendeu-se (se é que, vez alguma, foi seriamente aprendido) o vocabulário da língua. Lê-se o por aí publicado e a pobreza lexical chega a ser confrangedora. Não se trata de simplicidade; antes, desconhecimento, incultura, ausência de estudo. "Foge de palavras velhas; mas não receies o uso de palavras antigas." Recomendava Garrett. Palavras velhas, travestidas de "modernidade", são, por exemplo: expectável, incontornável, enfatizar, implementar, recorrente, elencar, factível, plafonamento, exequível, checar, fracturante, imperdível, abrangente, atempadamente, alavancar, empolamento - e há mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço o meu verdete por certas palavras e expressões. Não é embirração de caturra, nem rabugice de um recta-pronúncia. Será o gosto da palavra, a alegria de com elas trabalhar há longuíssimos anos, a circunstância de ser um leitor com fôlego, o facto de ter tido professores como o gramático e linguista Emílio Menezes, goês paciente, sábio e afável; e de haver frequentado alguns dos maiores escritores do século passado, para os quais o acto de escrever representava moral em acção. Lembro, com emoção e orgulho, Aquilino, José Gomes Ferreira, Miguéis, Sena, Mário Dionísio, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Abelaira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crónica foi, também, um pretexto para os lembrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baptista-Bastos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-3543474569671528465?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/3543474569671528465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=3543474569671528465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/3543474569671528465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/3543474569671528465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/02/cronica-das-palavras-de-bb-no-dn.html' title='CRÓNICA DAS PALAVRAS  de BB no DN'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5948667173536839003</id><published>2009-01-08T23:59:00.001Z</published><updated>2009-01-09T00:01:02.371Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>MEC- O regresso continua</title><content type='html'>Durante décadas, quando ser consumidor era praticamente o mesmo que ser comunista, guiávamo-nos todos por uma tabela que por cá nunca falhava: estrangeiro=melhor=mais caro. Quem fosse pobre ou tivesse um carinho fascista pela mediocridade, comprava nacional. Ou, pela calada, pedia a um fascista amigo para trazer do estrangeiro, onde era sempre mais barato.&lt;br /&gt;Hoje, esta regra está sob ataque. Nas frutarias e sapatarias; nos Aldis e Lídeis; o nacional é que é bom; o nacional é que é mais caro; o nacional é que é o único que se "pode levar à vontade."&lt;br /&gt;Todo um sistema de valores se inverteu. A nossa moe-da já vale tanto como uma libra esterlina; os dólares, tal como a libra livreira, começam a tornar-se uma memória distante, do Cinema. Mas só ontem é que a velha hierarquia veio abaixo. Lia-se na página 30 do PÚBLICO: o SG Filtro vai passar a ser mais caro do que o Marlboro. Sim, o baixote e ordinareco SG Filtro de Xabregas, que eu comprava quando não tinha dinheiro para o Marlboro comprido e show off da Virgínia, dos filmes e da Fórmula 1, vai ser o cigarro de quem quer fazer-se passar por cosmopolita e milionário.&lt;br /&gt;Já estou a ver os anúncios, caso os permitissem: "Sim, sou um oligarca russo - fumo SG Filtro à fartazana!". Ou: "Não é por estar desempregado que dispenso o cigarrinho: vai sempre um Márlubóro enquanto estou na bicha para a sopa; ai nanas!".&lt;br /&gt;Espero bem que os fascistas estejam satisfeitos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do Público de 8 de Janeiro&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5948667173536839003?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5948667173536839003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5948667173536839003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5948667173536839003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5948667173536839003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/01/mec-o-regresso-continua.html' title='MEC- O regresso continua'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8372339378469256298</id><published>2009-01-08T23:57:00.001Z</published><updated>2009-01-09T00:01:35.703Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mec escritores'/><title type='text'>O MEC - O Regresso</title><content type='html'>Não minta: há ou não há metade de um bolo-rei na sua vida, neste momento, algures, a olhar para si ou dalguma forma a esperar por si, sem saber o que dele fará?&lt;br /&gt;É a ocasião perfeita para se converter à Gastronomia Mandibular, filha ilegítima de Ferran Adrià e do mítico Pastor-Mastigador-De-Canivete-Em-Punho. Quem não o conhece? É aquele que sucessivamente enfia na boca: pelo canto esquerdo, uma bucha de pão; pelo direito, um naco de queijo e, pela frente - o único acesso que permitem as bochechas distendidas - uma ficha de chouriço. Quando não mais uma clandestina azeitoninha. Finalmente infiltra por uma frecha nos lábios um decilitro de tinto. E logo começa a mastigá-las e a organizá-las internamente ao gosto dele.&lt;br /&gt;Na verdade, todos temos uma Bimby na boca. Com o bolo-rei e um Moscatel faz-se a demonstração. É na boca que se ensopa o bolo com o licor; levando-o ao céu da boca e pousando-o nos molares; fazendo uma cova aqui; separando ali uma passa para degustar; ora reencaminhando um pinhão para ser triturado à parte; ora fazendo uma assemblage de massa de bolo e noz na nave central, para pesar, empapar e saborear antes de ser finalmente passado ao estreito.&lt;br /&gt;A língua é talher, batedeira, Salazar, prato, tabuleiro, balança e mesa de provas. A boca é a cozinha e o cozinheiro. Basta escolher (a dedo) os ingredientes, alinhá-los à sua frente e deixar que a sua Bimby interna faça o resto. Ora eis o autêntico antepassado da cozinha de autor!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do Público, 7 de Janeiro&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8372339378469256298?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8372339378469256298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8372339378469256298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8372339378469256298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8372339378469256298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2009/01/o-mec-o-regresso.html' title='O MEC - O Regresso'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7073214560956011673</id><published>2008-12-31T12:54:00.000Z</published><updated>2008-12-31T12:56:01.552Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim de ano'/><title type='text'>Baptista Bastos; E, NO ENTANTO, É PRECISO SONHAR</title><content type='html'>Olho lá para baixo e há muitas coisas, vozes, rostos e infâmias oblíquas que já foram. O tempo não mata as dores: adormece-as. Nada é para sempre. Chega-se ao fim do ano e os homens antigos e experimentados sabem que as lembranças adquirem uma simplicidade contrária ao ressentimento. Todavia, foi um áspero, infausto e rude ano, este, que vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma época em que, com alvoroço e arfante ansiedade, escrevi: "A esperança tem sempre razão." O sonho andava à solta e eu ainda não aprendera a natureza dos perigos contidos no sonho. Mas havia sempre alguém sorrindo para mim e um horizonte luminoso à nossa espera. Reconheço, com tristeza, que a frase era um pouco imprudente, embora, talvez, nos lavasse moderadamente a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a hoje e, num bulício de fé, repetimos os pedidos do ano passado, embalamos os desejos do último dia do último Dezembro, esquecidos de que a doçura e a clemência deixaram, há muito, de nos visitar. E, no entanto, é preciso não esquecer: este mundo seco, desabrido e falho de ternura, é o nosso chão, limitado pela geometria que traçámos, erguido pela greda com a qual o moldámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O português acalenta um tédio minucioso, acaso desatento e pueril, e evoca, no remate de cada ano, um mundo que lhe foi hostil, na vaga crença de que o novo será melhor. Nunca foi. Entre a mediocridade e a nostalgia de uma falaciosa idade de ouro vivemos nessa ilusão patética gravada numa frase sem sentido: saudades do futuro. E, no entanto, é preciso ter ilusões; sonhar, porque não sonhar?, que, entre as esperas e as ausências, temos de construir a instância do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do ano que aí vem, 2009, as aspirações deste ano, que fecha, serão aspirações velhas, sendo, embora, as mesmas, com ligeiras variantes. Queremos hoje o que quisemos há 12 meses. Um pensamento horrivelmente banal, um pequeno sopro de nostalgia, um meneio cheio de silêncio - e, afinal, um módico favor da vida. O que vai desaparecer é outra forma de morte de nós próprios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhamos lá para baixo e tudo parece perdido nas sombras e nos sossegos incautos de quem somente ambiciona esquecer, esquecer, esquecer, e dormir na paz sonhada de que o ano seguinte será melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7073214560956011673?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7073214560956011673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7073214560956011673' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7073214560956011673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7073214560956011673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/12/baptista-bastos-e-no-entanto-preciso.html' title='Baptista Bastos; E, NO ENTANTO, É PRECISO SONHAR'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6561348402991987494</id><published>2008-10-30T08:46:00.001Z</published><updated>2008-10-30T08:48:08.059Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='avaliação de professores'/><title type='text'>Santana Castilho, crónica de hoje</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ressuscitem o papel selado!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os docentes são asfixiados em burocracia e a escola afastada da sua missão principal. O ensino está à beira do abismoEsta crónica tem uma causa próxima: um pequeno texto inserto na rubrica Sobe e Desce deste jornal, no passado dia 24. Rezava assim, a dado passo: "Os sindicatos dos professores não querem, de todo, a avaliação. A maioria da classe não quer, de todo, a avaliação..." Quem escreveu isto desconhece por completo o que se passa no sistema de ensino e propala uma enorme falsidade, que ficaria sem reparo, não fora a gravidade do que actualmente se vive nas escolas portuguesas e a necessidade de esclarecer, por isso, a opinião pública.&lt;br /&gt;Mente quem diz que os sindicatos e os professores não querem sujeitar-se a avaliação. Mentiu o próprio primeiro-ministro, quando há dias disse ao Diário de Notícias que nunca no passado foi feita avaliação dos professores. Desafio quem quer que seja a sustentar documentalmente tais enormidades. A realidade é bem diferente. Os professores rejeitam este (e sublinho o pronome demonstrativo este) modelo de avaliação. Porque não cumpre o fim primeiro de qualquer exercício de avaliação do desempenho: a melhoria do próprio desempenho e a valorização das práticas profissionais. Quando o primeiro-ministro, em acto sintomática e reveladoramente falhado, afirma que a avaliação dos professores se faz por "uma" (e sublinho o artigo uma) razão, "premiar o mérito", torna-se patente por que os professores não aceitam visão tão redutora. Sobretudo porque este "premiar o mérito" se construiu por via de uma tômbola aviltante, que dividiu professores em titulares e outros, deixou de fora profissionais altamente qualificados e esmagou dedicações e competências. Se tivessem vergonha, os seus autores, que têm nome e rosto, pintavam a cara de negro, a cor do luto, e não ousavam falar de premiar o mérito. Mas há mais, que ninguém pode desmentir. Este modelo de avaliação penaliza os professores que usem direitos protegidos por leis de dignidade superior: direito a engravidar, direito a estar doente, direito ao recolhimento (nojo) por morte de pai, mãe, filho ou filha, mulher ou marido e até o elementar direito de não ser prejudicado pelo cumprimento de obrigações legais impositivas (comparecer em tribunais). Este modelo de avaliação penaliza os professores quando os alunos desertam da escola ou chumbam; põe professores de Música a avaliar professores de Matemática, bacharéis a avaliar doutores; mete no mesmo saco, para efeitos de graduação profissional, quem seja classificado com insuficiente, regular ou bom; instala nas escolas um pernicioso clima de desconfiança e competição; coloca toda a classe numa espécie de estágio permanente, com uma vida profissional inteira de duração; privilegia os cargos administrativos e burocráticos em detrimento das funções lectivas; institui uma casta de Kapos incumbidos de controlar e reportar aos donos; aniquila a liberdade pedagógica e intelectual do professor. Isto e muito mais são bestialidades que um coio de incompetentes quer impor aos professores. Que diriam jornalistas e comentadores, que escrevem ligeiro sobre a matéria, se os arrastassem em tal caudal de disparates?&lt;br /&gt;Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc. &lt;br /&gt;Os papéis não têm fim. Tenho à minha frente seis folhas de um documento intitulado Coordenação de Ano de um agrupamento de escolas. Para o interpretar tive que me socorrer de um glossário. Aqui fica a tradução das siglas, omissão feita às que não consigo decifrar: CE (conselho executivo); CA (conselho de ano); PRAE (Plano de Recuperação e Apoio Educativo); PCT (Projecto Curricular de Turma); CGAS (critérios gerais de avaliação somativa); AEC (actividades de enriquecimento curricular); PTT (professor titular de turma); TIC (tecnologias de informação e comunicação); PGEI (Programa de Generalização do Ensino de Inglês); CAA (comissão de acompanhamento alargada); CAR (comissão de acompanhamento restrita); SPAEC (supervisão pedagógica das actividades de enriquecimento curricular); CEI (currículo específico individual); UAM (unidade de apoio à multideficiência); PAA (Plano Anual de Actividades); PA (plataforma do agrupamento); CAD (comissão de avaliação do desempenho). &lt;br /&gt;Chega? Não! Por favor, Madre Lurdes e Santo Valter, ressuscitem o papel selado! Professor do ensino superior&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6561348402991987494?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6561348402991987494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6561348402991987494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6561348402991987494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6561348402991987494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/10/santana-castilho-crnica-de-hoje.html' title='Santana Castilho, crónica de hoje'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-206742190821970515</id><published>2008-10-26T09:00:00.002Z</published><updated>2008-10-26T09:03:00.972Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='da imprensa escrita'/><title type='text'>José Cardoso Pires, o amigo que morreu há dez anos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Vasco Pulido Valente, Jornal Público, 25 de Outubro de 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando um amigo morre, tanto faz que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos. Mas Cardoso Pires morreu há dez; e não há nenhum mal em aproveitar a convenção para falar dele. Até porque no fim da vida o esquecerem mais do que ele merecia.Quando um amigo morre, tanto faz que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos. Mas Cardoso Pires morreu há dez; e não há nenhum mal em aproveitar a convenção para falar dele. Até porque no fim da vida o esquecerem mais do que ele merecia. A primeira vez que o vi foi em 1960, no Portugal de Salazar e numa Lisboa diferente. O mundo, por assim dizer, "intelectual" era um mundo de homens que se encontrava nos cafés do Chiado, em algumas livrarias, num bar ou noutro e mesmo no ocasional prostíbulo. Conheci Cardoso Pires na revista Almanaque, que ele, de facto, dirigia e em que trabalhavam Luís Sttau Monteiro, Augusto Abelaira e José Cutileiro; e também, na parte gráfica, João Abel Manta e Sebastião Rodrigues. Já conhecia José Cutileiro e, depois da inevitável extinção do Almanaque, só continuei a encontrar Cardoso Pires.&lt;br /&gt;Ao princípio remoto (eu andava pelos 18 anos), foi sempre de uma extraordinária generosidade comigo. Aguentou impassível uma absurda crítico a O Anjo Ancorado, que publiquei num jornal universitário. Perdeu um tempo infinito a discutir comigo, pelas tascas do Bairro Alto, como se devia, ou não devia escrever. E, num aperto, até me arranjou um emprego na revista Eva da Dona Carolina Homem Christo. Cardoso Pires resistia com grande orgulho e grande coragem à miséria a que o regime o condenava. "Eles querem dar cabo de mim, mas não dão", costumava avisar o universo nos dias de fúria. E não deram. Pouco a pouco, sem se perder no jornalismo ou na publicidade, chegou à única obra que reflecte com precisão o Portugal urbano da ditadura e do Estado Novo.&lt;br /&gt;A guerra e o pós-guerra "são" o Ritual dos Pequenos Vampiros e A Rapariga dos Fósforos; os anos 50, com a sua hipocrisia e "prosperidade", "são" O Anjo Ancorado (um prodígio de inteligência e subtileza); e O Delfim e parte de Alexandra Alfa a decadência do regime e o anúncio profético da sua queda. Pelo meio, claro, vieram livros de "ofício" e alguns fracassos, que naturalmente não o aumentam. O que não importaria se a desilusão do PREC e uma catastrófica passagem pelo Diário de Lisboa do PC, em 1975, não o houvessem paralisado como escritor. Antes de ele morrer, jantámos meia dúzia de vezes, com uma certa melancolia. Estava amargurado e, pior do que isso, como ele próprio insistia, estava "sozinho". O "Prémio Pessoa" ainda o consolou. Muito tarde. Ninguém como ele contribuíra para transformar o português literário, arcaico, rural e afectado, ou populista, académico e pseudo-lírico, numa língua moderna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-206742190821970515?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/206742190821970515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=206742190821970515' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/206742190821970515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/206742190821970515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/10/jos-cardoso-pires-o-amigo-que-morreu-h.html' title='José Cardoso Pires, o amigo que morreu há dez anos'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-4818687254560666324</id><published>2008-10-25T19:59:00.001Z</published><updated>2008-10-25T19:59:57.920Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='da imprensa escrita'/><title type='text'>Filomena Mónica, na Visão</title><content type='html'>Está a preparar um novo livro, com base no espólio de uma família tradicional açoriana, observada através de três gerações. O exercício resulta num retrato impressivo e íntimo de um certo Portugal. «O livro mais fascinante em que trabalhei», diz Maria Filomena Mónica, 64 anos. Mas essa é a próxima obra. Por agora, a socióloga e professora universitária, investigadora, casada com o também sociólogo e investigador António Barreto, acaba de coligir as crónicas de 2006, que escreveu no Público. Recebeu-nos em sua casa, na Lapa, e falou de Nós, os portugueses. Como sempre, sem papas na língua. &lt;br /&gt;O que é que se pergunta primeiro a uma potencial boa entrevistada como a Maria Filomena Mónica [MFM]? Ajude-me a ser original....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde nasci, que idade tenho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa ideia. Mas o pretexto é o seu livro, uma colectânea de crónicas publicadas no Público, três horas de puro prazer de leitura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nada. Ainda por cima, com aquela escrita que alguns pensam que foi inventada ontem, e a que agora chamam «criativa»...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até há cursos de escrita criativa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso ensina-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito difícil ensinar seja o que fôr. Mas ensinar escrita criativa? Para escrever de forma criativa, temos de ir para casa e ler os melhores livros da literatura portuguesa e mundial. E ler boa imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ter sentido de humor e de observação... Vou irritá-la: nas suas crónicas noto, não me pergunte porquê, um sentido de humor muito... masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado... Há outras pessoas, até familiares meus, que acham que tenho um sentido masculino de olhar a realidade... Mas isso vem do machismo: não choro, trabalho, não chego atrasada... Até ter escrito o Bilhete de Identidade [uma autobiografia], recusava-me a acreditar que houvesse diferenças entre géneros. Só depois desse livro é que percebi que havia mesmo homens e mulheres, constatação que, feita aos 62 anos, peca um pouco por tardia. Enfim, na parte anatómica já tinha notado diferenças. Mas no olhar sobre a realidade, não sabia que as havia. Pelas reacções dos homens àquele livro, entre o machismo e a infantilidade, em contraste com as reacções das mulheres, que se identificaram muito com o que eu tinha escrito, percebi que essas diferenças existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu lhe perguntar se sabe cozinhar, por exemplo, soa esquisito... É uma pergunta que se faz aos homens, já que as mulheres é suposto saberem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois. E é que não sei mesmo. Pertenço a uma classe social e a uma época em que havia as criadas. Nós tínhamos empregadas. A minha mãe não punha os pés na cozinha e nós também não. Depois de casar, resolvi não facilitar. Se eu cozinhasse, iria gastar muito mais tempo do que a parte masculina do casal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a partir daí, não cozinhou, mas por militância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exacto, por militância!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente que, por vezes, é desconcertante? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso terá de ser você a dizer. Eu vejo-me ao espelho todos os dias e, para mim, sou o mais concertante possível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contra-capa deste livro, Nós, os portugueses, adverte-se o leitor sobre a sua animosidade contra o Estado e a Igreja. Mas encontrei outro fio condutor: a preocupação com a memória, ou a falta dela. Nos indivíduos e na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória e, neste caso, a falta dela, começou a ser central na minha vida a partir do momento, em 1995, em que foi diagnosticada Alzheimer à minha mãe. E é complicado lidar, durante 11 anos, com uma mãe neste estado - uma mãe com quem eu já tinha pouca intimidade, e que tinha sido uma figura muito dominadora, mas inteligente e que eu respeitava. E tenho medo que seja hereditário. Ainda por cima, sempre tive má memória. E, por outro lado, tenho memória de coisas que não interessam nem ao Menino Jesus! Gostava que alguém - não um psicólogo, porque sou pouco dada às psicologias... - me explicasse o que é que a memória retém e porquê... Se o meu cérebro fosse um disco rígido eu fazia delete a uma data de coisas e ficava com espaço para as importantes. As pessoas, quando perdem a memória, deixam de ser pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a memória colectiva, como anda? Isso aplica-se ao País?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplica-se. Faz-me muita impressão, por exemplo, pensar que as grandes famílias tradicionais portuguesas, e que deveriam ter orgulho nos documentos da família, os deixem perder, sem dar qualquer testemunho deles. Ainda há uns anos, tentei convencer uma descendente do Cazal Ribeiro, um politico importante do século XIX, a depositar o seu espólio na Torre do Tombo. Tinha cartas do Eça, do Herculano, etc.. Tentei tudo. Mas as pessoas não ligam. As pessoas orgulham-se de solares do minho ou quintarolas, mas com o património histórico dos seus antepassados não há qualquer sensibilidade. E  o País não faz a mais pequena ideia, por exempolo, de quem são as figuras da sua toponímia! Os portugueses não sabem porque a História é mal dada. Aliás, não há uma elite, entre nós. Há para aí umas três pessoas cultas em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costuma dizer que a palavra «nós» a arrepia. Não vai em grupos. Mas este livro chama-se «Nós, os portugueses»... Os portugueses também a arrepiam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Nós» é também o título de um poema do Cesário Verde... Mas já em miúda eu nunca dizia «nós vamos aqui e ali». Era sempre «eu». No casamento digo sempre «hoje vou ao cinema», «ou eu vou de férias amanhã». Nunca é «nós», mesmo quando vamos os dois. Eu sou portuguesa, mas há traços em mim que são fruto de uma vivência no esatrangeiro. Entre eles, sei lá, o de não aceitar a corrupção camarária. Por isso é que fiz umas obras aqui em casa recusando sempre gratificar fosse que fiscal fosse. Pensei: «Vou fazer tudo como se vivesse em Inglaterra». Eu critico os portugueses, mas as pessoas que criticam - e estou a pensar no Eça, sempre acusado de estrangeirado - são as pessoas que mais amam o País. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E José Sócrates, arrepia-a?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto dele, mas não me arrepia. É um pequeno tecnocrata. Nunca tive esperanças nele, sempre o achei um bocado irritante, porque está convencido de que é melhor do que é. E não é muito bom. Usou o truque do «quero, posso e mando», coisa de que os portugueses até gostam e os capitalistas precisam. Não me desiludiu. Já com o Santana Lopes, esperava rir-me imenso, mas, passada uma semana, já não lhe achava graça nenhuma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MFM também é um pouco estrangeirada. E quando saíu pela primeira vez do País, para Londres, nos anos 60, as diferenças ainda eram mais gritantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um choque cultural. Eu vivia numa redoma. Foram 14 anos num colégio de freiras. Ia para a escola acompanhada por uma empregada, até aos 16 anos, o que prova a confiança que a minha mãe tinha em mim - e na minha irmã, mas essa é o oposto de mim, um modelo de virtudes... E o País, para mim, eram as famílias conhecidas. Depois, a minha mãe, com medo que eu fizesse ainda mais disparates do que aqueles que já tinha feito, deixou-me ir para Londres (embora para um colégio interno, inicialmente). E Londres era o centro do mundo. Conheci gente de outras nacionalidades, de outras raças, de outras religiões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas gosta do tempo em que nasceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que outra época preferia ter nascido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1847, para aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, não, então preferia ter nascido num país nórdico ou em Inglaterra... Estranhamente, também gosto muito de Itália... É tudo muito bonito: o País, as mulheres, os homens... Mas gosto muito de Inglaterra porque prezo muito as liberdades individuais. E comungo das velhas tradições liberais anglosaxónicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porquê aquela data, presumo que, nesse caso, em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de ter chegado à Regeneração, ao golpe do Duque de Saldanha, em que Fontes ascendeu a Poder, aí com seis ou sete anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é a visão de uma historiadora. Afinal, não quereria nascer nessa época. Queria era viajar no tempo e observar com os seus próprios olhos um período que lhe interessa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Gostava de ter vivido nessa época. Foi a época em que houve mais liberdade em Portugal, de expressão, de pensamento: é entre 1852 e 1890, quando até ao ultimatum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que depois do 25 de Abril?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa maneira, sim, mas para um grupo muito pequeno. Eu teria de ser da classe média alta ou da aristocracia. Se eu pudesse participar da Geração de 70, do grupo do Jaime Batalha Reis, do Eça, do Ramalho, do Antero, do Bordalo Pinheiro... Naquela altura diziam-se coisas que hoje dificilmente seriam publicadas nos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje dava processo, naquele tempo era à bengalada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bengalada. Numa revista satírica do Rafael Bordalo Pinheiro, chamada António Maria, o Fontes era zurzido de alto a baixo. Imagine uma revista, hoje, chamar-se «José Sócrates» a bater todos os dias no primeiro-ministro... Depois veio a República, período que não respeitou nada os direitos fundamentais, ao contrário do que muitos pensam. E o salazarismo foi um período horrendo. Eu sei, porque o vivi... Portanto, recuando no tempo, eu ia para a 2.ª metade do séc. XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a condição feminina nessa altura fosse bastante mais insustentável...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, pois, esqueci-me de dizer: teria de ser homem! Se fosse mulher só mesmo da alta aristocracia do Paço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a palavra «nós» a arrepia, a palavra «não» deleita-a. Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira palavra que aprendi, ainda bébé. Tenho tendência a começar as frases com um «não concordo com nada disso!». «Mas eu ainda não disse nada», diz-me o adversário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adversário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pessoa com quem estiver a falar, pronto... (Risos) À partida, sou adversarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum político a surpreendeu, pela positiva, nos últimos tempos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Longo silêncio) Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E noutras áreas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Por exemplo, admiro muito o dr. Albino Aroso, um médico de direita, mas com um grande trabalho na área do planeamernto familiar. Pelo mesmo motivo, o dr. Luís Graça, que garantiou que a lei do aborto seria cumprida nos hospitais. Os médicos andavam para aí a dizer que não era possível, por causa da objecção de consciência, como se fossem todos objectores. Na verdade, o aborto era praticado por parteiras em vãos de escada e, portanto, não lhes dava status.  O problema era esse. E depois, a maior parte são homens....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem políticos-ódio-de-estimação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei... Deixei de ver televisão ha dois anos. Mais do que o Governo, chocam-me os deputados. Ninguém sabe quem são. Nem têm liberdade de voto, como no caso do casamento homossexual... Assim, bastavam cinco deputados, um de cada partido, com uma determinada quota de votos, proporcional ao resultado eleitoral. E pronto, poupava-se um dinheirão. Mais: a função nobre dos parlamentares é vigiarem o que os governos andam a fazer. E não se passa nada disso. E lêem papéis! Eu não oiço o discurso de um tribuno que lê um papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua a dizer-se de esquerda, mas desconfia do Estado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho, não é? É que a direita, em Portugal, sempre foi autoritária e nunca prezou as liberdades. Não é liberal. Nessa medida, eu tenho de ser de esquerda. E os contrastes sociais, a pobreza, chocam-me. E os nossos ricos não têm dimensão social. Não devolvem á comunidade uma parte da riqueza que acumulam. Não há, sequer, uma tradição de filantropia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa liberdade anti-estatal também pode dar fenómenos como os da actual crise financeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas dimensões na liberdade: nos costumes, não há limite (dentro do respeito pela liberdade dos outros). Na Economia, nem o Adam Smith alguma vez achou que a «mão invisível» resolvia os problemas todos. E definiu o tipo de intervenção que a sociedade deve ter para que prevaleça o bem comum. Ontem estive a reler O Capital e o Karl Marx explica que tudo o que é sólido se derrete. O Estado deve preocupar-se com a redistribuição da riqueza, com a protecção das vítimas (de uma crise como esta), com um sistema de educação decente...  disto nem quero falar mais. Aliás, a Saúde está muito melhor do que a Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrasou os exames, nas suas crónicas... Mas mesmo assim, se calhar, nunca houve em Portugal, tanta gente tão qualificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de ver o que quer dizer «qualificada». Se é ter um doutoramento, há muita gente nas Humanidades que tem um doutoramento e não devia ter. Há demasiado dinheiro para doutoramentos. E há muita gente que não os completa. Aliás, dá-me ideia de que, nas ciências exactas, as pessoas estão mais preparadas. Eu dei um curso de Literatura, na Faculdade de Letras, e eles recusavam-se a ler livros! Queriam fotocópias de capítulos. Não dou! O Ministério da Educação não confia nos professores e não os deixa sozinhos a corrigir testes qualitativos. Quer que eles sejam meros carimbadores automáticos de regras malucas que inventaram, como as do secretário de Estado Valter Lemos, que acha que há umas fórmulas matemáticas para avaliar o sucesso escolar. Como as das respostas de escolha múltipla, que estupidifica e só serve para preencher totobolas... Não distingue o bom do mau aluno, nem o criativo do marrão. Mais: agora, para os mentecaptos pedagogos do ME, existe uma coisa chamada Língua Portuguesa e outra Literatura Portuguesa. Com exames diferentes! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deve haver avaliação de professores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas de outra forma. Com um corpo de inspectores de professores muito bem pagos. E deviam ser classificados por um director de escola - coisa que não existe em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que há uma faceta salazarenta do País que continua a influenciar as nossas vidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho. Nem na política, nam nas mentalidades, nem nos costumes. O Salazar é de um país onde 80% trabalhava na agricultura e não tinha poder de reivindicação. As suas caracterísitcas são as de um camponês. Isso acabou. Hoje as pessoas queixam-se, barafustam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os Grandes Portugueses? Salazar ganhou o concurso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O erro fatal foi a RTP não ter incluindo o nome, logo de início, com medo que ele ganhasse. Chamaram a atenção das pessoas e resultou ao contrário. Mas não tem significado histórico nem sociológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas invocar o Salazar não é uma forma que as pessoas encontram de dizer o tal «não» de que a MFM tanto gosta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Salazar poder ser uma forma de contestação... Isso é que me espanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher tão cosmopolita desconfia tanto da Europa, ou do federalismo europeu, porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio. Eu não elegi o dr. Durão Barroso. E, mais importante, se quiser derrubá-lo, não posso. Mas gosto da Europa, da sua cultura, gosto de viajar pela Europa e quero qiue os meus alunos, sempre agarrados às saias da mãe, também o façam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que, agora, é mais fácil, graças à existência de uma União, sem fronteiras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a parte de que eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos seus ódios de estimação é o fundamentalismo islâmico, senão mesmo o Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até fui a favor da intervenção no Iraque - no que me enganei redondamente. Não tinha bem a noção do que é o Médio Oriente. Sociedades tribais, não baseadas na lei, mas no sangue. Assim, os EUA não deviam ter intervindo. O fundamentalismo religioso é das coisas mais tenebrosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Guantánamo, não é tenebroso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é. Se o Ocidente se afirma respeitador do Estado de Direito, tem de o praticar. É por aí que o Ocidente é superior. O Ocidente é superior a esses países - que tratam as mulheres da maneira que tratam, ainda por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invocar a superioridade ocidental ainda será acusada de xenofobia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esto a falar em on e consciente do que digo. Os valores que derivam da tradição iluminista, a razão, a liberdade individual e o Estado de Direito são superiores, na constituição da sociedade, aos valores que regem as sociedades islâmicas, em que não há separação entre o poder político e o religioso. Isto não tem a ver com raças nem xenofobia. Mas com a organização das sociedades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como explica que muita esquerda contemporize com essas sociedades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o anti-americanismo. E a esquerda tende a dizer que os islâmicos são pobres. Ora, muitos daqiueles países têm sociedades riquissimas. Não serve de desculpa. O que eu critico é o fanatismo. E isso aplica-se à sr.ª Pallin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, McCain ou Obama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que apareceu a Sarah Pallin, sem dúvida, o Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas suas crónicas ressalta a impressão de que tem medo da morte - e contra-ataca com sentido de humor sobre ela. Estarei certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não tenho medo. Tenho medo do envelhecimento - não físico, mas da degenerescência. E de ir para a um ventilador hospitalar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é envelhecer bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É não perder as faculdades intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente que já tem idade para dizer o que lhe apetece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por uma questão de idade. Mas, no meu caso, quando se chega ao topo da carreira universitária, não se pode ser despedido... E há uma altura em que não precisamos de fazer mais concursos. Porque uma maneira de eles nos lixarem é cozinhar um júri que nos liquide. Há um enorme compadrio universitário. E machismo. Já ouvi tiradas do género: «Então ias com aquela aluna para a cama? É pá, se soubéssemos davamos-lhe um 17 e não um 14!».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a MFM, tem tido sorte ao amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive muita sorte ao amor, mas ao jogo tenho. As duas únicas vezes que joguei à roleta, ganhei logo! Em Londres, em 1970, e em Macau, em 1999. Imenso dinheiro! (Risos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-4818687254560666324?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/4818687254560666324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=4818687254560666324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/4818687254560666324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/4818687254560666324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/10/filomena-mnica-na-viso.html' title='Filomena Mónica, na Visão'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6731770310776581178</id><published>2008-10-16T19:40:00.001Z</published><updated>2008-10-16T19:40:57.610Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='professores'/><title type='text'>Santana Castilho, no Público</title><content type='html'>Em 2007 reformaram-se cerca de 3300 professores. Este ano já vamos em mais de 5000 e o ritmo parece estar a acelerar. É só ver as longas listas do Diário da República. Os testemunhos, chapados na imprensa, de docentes que aceitam penalizações gravosas de 30 e 40 por cento sobre pensões de reforma para toda vida, ao mesmo tempo que reiteram o amor a uma profissão que, garantem, abraçaram por vocação e só abandonam por coacção, transformam um processo de reforma num processo de excomunhão. Um país maduro estaria hoje a reflectir aturadamente sobre o que Fernando Savater escreveu: "A primeira credencial requerida para se poder ensinar, formal ou informalmente e em qualquer tipo de sociedade, é ter-se vivido: a veterania é sempre uma graduação."&lt;br /&gt;A vida dos professores nas escolas tem-se vindo a transformar num inferno. A missão dos professores, que é promover o saber e o bem colectivo, está hoje drasticamente prejudicada por uma burocracia louca e improdutiva, que os afoga em papéis e reuniões e os deixa sem tempo para ensinar. A carga e a natureza do trabalho a que se obrigam os professores são uma violentação e um retrocesso a tempos e a processos que a simples sensatez reprova liminarmente. Ocorre, então, a pergunta: como é possível a generalização da loucura? &lt;br /&gt;A resposta radica no uso do modelo publicitário (cortejo ridículo de 23 governantes para enregar o Magalhães e 35 páginas de publicidade paga e redigida sob forma de artigos são exemplos bem recentes) e das técnicas populistas. O Governo tem conduzido a sua campanha de subjugação dos professores repetindo até à exaustão os mesmos paradigmas falsos e os mesmos slogans facilmente memorizáveis pelos justiceiros dos "privilégios" dos docentes. As ideias (a escola a tempo inteiro, por exemplo) são tão elementares como as que promovem os produtos de uso generalizado (o Tide lava mais branco). Mas tal como os consumidores se tornam fiéis ao produto cujo slogan melhor memorizam, embora sabendo que a concorrência faz exactamente o mesmo, assim se têm cativado apoiantes com a solução de problemas imediatos, que nada têm a ver com o ensino. E a dissolução sociológica dos professores pela via populista tem procurado ainda, com êxito, identificar e premiar uma nova vaga de servidores menores - tiranetes deslumbrados ou adesivos - que responderam ao apelo e massacram agora os colegas, inflados com os pequenos poderes que o novo modelo de gestão das escolas lhes proporciona. &lt;br /&gt;A experiência mostrou-me que o problema do ensino é demasiado sério e vital para o abandonarmos ao livre arbítrio dos políticos. "Bolonha", a que este Governo aderiu, ou a flexibilização das formações, que este Governo promoveu através do escândalo das "novas oportunidades", não se afastam, nos objectivos, dos tempos da submissão ao evangelho marxista, ou seja, os interesses das crianças e dos jovens cedem ante a ideologia dominante e o resto só conta na medida em que seja eleitoralmente gratificante. Assim, contra a instauração de um regime de burocracia e terror, para salvaguardar a sanidade mental e intelectual dos professores, encaro o protesto e a resistência como um exercício a que ninguém tem actualmente o direito de se furtar. Professor do ensino superior&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6731770310776581178?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6731770310776581178/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6731770310776581178' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6731770310776581178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6731770310776581178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/10/santana-castilho-no-pblico.html' title='Santana Castilho, no Público'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5143057491224993701</id><published>2008-10-15T13:18:00.001Z</published><updated>2008-10-15T14:28:20.508Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5143057491224993701?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5143057491224993701/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5143057491224993701' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5143057491224993701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5143057491224993701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/10/blog-post.html' title=''/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5935580711936020978</id><published>2008-10-14T19:02:00.001Z</published><updated>2008-10-14T19:04:34.147Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lobo Antunes'/><title type='text'>Lobo Antunes Como posso eu, cristal, morrer?</title><content type='html'>Entrevista à Pública - Anabela Mota Ribeiro&lt;br /&gt;12.10.2008&lt;br /&gt;Ninguém, senão Lobo Antunes, poderia escrever a seguinte frase: "Um camafeu com crisântemos pintados." Ou:"Girinos novos e abelhas incompletas a aprenderem a ser." Tem uma voz própria. Aprendeu a ser. Ou como ele diz: "Ninguém escreve como eu." &lt;br /&gt;Lobo Antunes c'est lui. Uma única voz. Falou de querer pôr a vida toda dentro das capas de um livro. Do pai. Do Antonioni de que já gosta. Do que aprendeu com Cartier Bresson, que lhe pediu que escrevesse para fotografias suas. Do pai. Sempre do pai. Talvez o pai tivesse razão. E mais que tudo da doença. E se eu morrer? Falou do sapateiro que dizia que as mulheres seduzem pela palheta; porque elaboram melhor as emoções, os afectos. Os homens são primários: um par de pernas que passa e ficam a olhar - ele fica a olhar. Da doença. Da alegria em que o haver sol o deixa. Do livro que acaba de sair, Arquipélago da Memória. De que é que trata o livro: do que vai escrito nele. No dia seguinte à conversa, seria revelado o nome do Nobel da Literatura de 2008. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz na sua fotobiografia que, ao seu avô querido, o único lamento que ouviu foi quando ele lhe pousou a mão no pescoço, antes da morte. Perguntei-me qual teria sido o seu lamento, quando esteve doente. &lt;br /&gt;Não tive tempo de ter medo. A minha reacção foi de espanto. Pensava que tinha hemorróidas quando fui fazer o exame. Quando acordei da colonoscopia: "O que é que eu tenho?" "Tens um cancro." É uma sensação muito estranha. "Então, nesse caso, quero ser operado amanhã." Pedi para chamarem um cirurgião que já operou dois mil e tal cancros destes; é meu colega de curso, um homem extraordinário. Nunca mais me esquece que estava na sala da anestesia, de repente senti que me estavam a dar a mão, e era ele. Deve ter sido muito difícil operar um amigo. O meu irmão João operou agora o Pedro [irmão]. Fiquei com uma enorme admiração por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou isso numa crónica, há umas semanas. &lt;br /&gt;De uma coragem. E discrição, dignidade. Depois tive de passar por aquele calvário da quimioterapia, radioterapia. Acabou há um ano. Tive muita sorte. De ter um grande cirurgião, de não ter metástases, faço controles. O que até é bom, que nunca tinha feito um check up na vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê? Um médico, filho de médico, com irmãos médicos...&lt;br /&gt;Tinha medo de fazer um exame e ter qualquer coisa - não me apetecia. E agora periodicamente faço exames a tudo, fígado, rim... Fiquei surpreendido: estava tudo tão bem. Como é que diz o S. Francisco de Assis? "Confesso que pequei muito contra o meu pobre irmão corpo." A grande lição: são as pessoas. Pessoas que sabiam que iam morrer. Às vezes tinha vergonha: "Eu vou viver, eles vão morrer." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vergonha?&lt;br /&gt;Era uma sala de espera imensa, para a radioterapia, mais de cem pessoas, uma televisão acesa que ninguém olhava, revistas nas mesas que ninguém lia. Toda a gente em silêncio. Parecia estar rodeado de reis, de príncipes, de princesas. Havia de tudo, miúdos de 17, 18 anos, até pessoas de 80 e tal. Algumas já muito magras, com a cor horrível das metástases hepáticas. Já com a cara da morte delas. E depois, coisas muito comoventes: esta semana, fiz a revisão, e uma senhora, já deitada numa maca, a pedir-me um autógrafo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, continuava a ser o António Lobo Antunes?&lt;br /&gt;É isso: continuava a ser o António Lobo Antunes. Eu não imaginava que fosse tão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Popular? Querido?&lt;br /&gt;Sim, sim. Durante a doença foram centenas de cartas e emails. O pós-operatório foi muito doloroso. Não me podia mexer. E o Henrique [médico] apareceu-me com um email de um miúdo que dizia: "Não admito que o meu ídolo se vá abaixo das canetas." Isto deu-me imensa força. Ajudou-me muito o Júlio Pomar; enquanto outras pessoas me diziam: "A minha tia teve isso, a minha irmã", o Júlio Pomar tinha tido o mesmo cancro há 15 anos e o que me disse foi só: "Aguenta-te." Isto deu-me mais força que palavras de consolo. "E se eu morrer"? "Aguenta-te." Depois passei dois meses sentado numa cadeira. Este livro que está a sair, tinha-o começado antes. Será que vou ser capaz de escrever? Estive três meses sem escrever nada, nada. Depois recomecei, mas cansava-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrever, a articular o livro na sua cabeça?&lt;br /&gt;Nunca escrevi na minha cabeça. Trabalho sem plano. Acabei este que leu em Outubro ou Novembro [do ano passado], e depois de um mês sem fazer nada começo a sentir-me culpado. Decidi então: dia 25 de Fevereiro começo. E no dia 25 de Fevereiro comecei a escrever. Começo sem nada. Agora começo sem nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha ideia de que nos primeiros livros as coisas eram arquitectadas na sua cabeça.&lt;br /&gt;Nos primeiros livros, sim. Fazia planos, muito detalhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há até aquela coisa das Obras Completas de António Lobo Antunes que estruturou na sua juventude...&lt;br /&gt;Era. Tinha dez, 11 anos. Nem imagina: era até 2050, ou coisa assim, e era tudo: ensaio, poesia, romance, conto, teatro. Nunca escrevi nada daquilo, claro. Punha no alto da página: Obras Completas de António Lobo Antunes. Nos primeiros livros fazia [planos]. Quando comecei a fazer os livros de que gosto, mais ou menos a partir d'O Esplendor de Portugal - até lá, se voltasse atrás, ia tudo fora - deixei de ter planos. Sei que me faltam três capítulos [do que estou a escrever agora] para acabar a primeira versão. Mas depois aquilo é tão trabalhado, emendado, reescrito. &lt;br /&gt;Disse uma vez que não lia os seus livros.&lt;br /&gt;Depois de sair não leio mais. Não leio porque tenho medo. Os primeiros livros: não gosto nada. Parecem-me escritos por outra pessoa. Não têm nada que ver comigo. Nos últimos fiquei espantado. Eu não escrevo assim tão bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se fosse uma mão autónoma?&lt;br /&gt;Estava a ler aquilo como se tivesse sido escrito por outra pessoa. Há livros de que gosto, mas que não gostaria de ter escrito. Simenon, por exemplo. Ou Graham Greene. Certos policiais: o Rex Stout. Tinha uma atitude idiota e arrogante em relação aos policiais. O Cardoso Pires dizia-me que os policiais eram importantes para aprender uma série de coisas: a retenção de informação, que a informação é dada de forma lateral. Estive três meses sem escrever e perde-se um bocado a mão. Os cirurgiões nunca fazem férias longas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou especialmente com o seu irmão João durante a sua doença?&lt;br /&gt;Não. Não falei com ninguém, nem queria falar com ninguém. Tenho um grande pudor na relação com as pessoas de quem gosto. O que sentia era um imenso vazio dentro de mim. Vou morrer. E tinha imensa pena de não ter acabado a obra. Não ter arredondado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é esse "vou morrer"? Tenho pena de morrer? Tenho medo de morrer? As coisas que vou deixar de fazer. Os que vou deixar.&lt;br /&gt;Era o espanto. O Paulo Klee, o pintor, escreveu: "Como posso eu, cristal, morrer?" Não era medo. Era pena. Sabia lá se ia morrer? Pensava que sim, pensava que não. Era duro. Mas era pior para os outros. Acho que escrevi isto numa crónica: raparigas com cabeleiras postiças - eram coroas. Em Santa Maria, são pessoas humildes; a dignidade com que se comportam é extraordinária. Não vê ninguém a lamentar-se, a agarrar-se a si, "ajude-me". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei por perguntar pelo seu lamento. &lt;br /&gt;Quando o meu avô disse: "Tenho muita pena de vos deixar a todos"? Eu tinha acabado de fazer 18 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não traz o anel do seu avô, com que sempre andava. &lt;br /&gt;Não o tenho posto. Já vem de há não sei quantas gerações. Não tenho nobreza de espécie alguma. O avô do meu avô era um pobre camponês de Póvoa do Lanhoso que o pai meteu num barco à vela para o Brasil, para se fazer à vida. Não tenho nenhum sangue azul, tudo o que corre nas minhas veias vem de gente pobre. O meu pai falava com um imenso orgulho de um bisavô marceneiro. A minha ascendência é esta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas têm a ideia de que é uma família de viscondes há dez gerações. Os rapazes Lobo Antunes têm boa pinta, olho azul. &lt;br /&gt;Olho azul, as minhas avós tinham as duas. É evidente que isto foi-se apurando, mas as origens são estas. &lt;br /&gt;Porque é que tem orgulho nessas origens modestas?&lt;br /&gt;Porque o meu nome fui eu que o fiz. Não o herdei de ninguém. O primeiro Lobo Antunes foi o meu avô, que era feito de um senhor Antunes e uma senhora Lobo. Os Lobo Antunes são os seis filhos que o meu pai teve. Deu-nos uma educação muito normativa. Mas todos os filhos têm bom carácter. Todos trabalham que se fartam. Todos são pessoas sérias. Podem ser mais ou menos inteligentes, ter mais ou menos talento, mas essa qualidade todos têm. O meu pai tinha um horror visceral à mentira - nunca o vi mentir - à cobardia e à desonestidade. Não era criativo. Nem tinha imaginação. Como pai foi excepcional. Era tudo muito austero, e com muito pouco dinheiro. Eram muitos filhos, ele trabalhava no hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se preocupava em ganhar muito dinheiro. O dinheiro não parecia ser uma coisa essencial.&lt;br /&gt;Sempre teve um grande desprezo pelo dinheiro. Lembro-me de ele dizer à minha mãe: "Margarida, dá-me cem escudos para encher o depósito do Lância." Lância que só teve aos 50 anos. Era o pai que o levava ao hospital e ele ia de lancheira, para almoçar. Não havia semanadas, não havia nada disso. Ah: obrigava-nos a ler e a ouvir música. Em férias, lembro-me de me mandar fazer resumos de capítulos de livros de que ele gostava, tirar significados. Que era uma chatice, eu estava em férias, era uma criança. Lembro-me de ter ido fazer a primeira comunhão a Pádua, por causa de uma promessa do meu avô - tive uma meningite e estive em coma. E eram palestras de meia hora diante de cada quadro. Para uma criança de sete anos, era um frete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aponta essa viagem a Pádua como um dos grandes acontecimentos da sua vida. &lt;br /&gt;Claro que foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, durante toda a viagem, ia no carro a fazer que guiava.&lt;br /&gt;Tinha um volante de plástico. Está a ver o que é atravessar Espanha, França, Suíça, Itália, há 60 anos, para fazer a comunhão em Itália? Passar um mês assim. Lembro-me de ele [avô] junto ao túmulo de Santo António - que ele era muito devoto, como eu sou - me pôr a mão no túmulo e com os olhos cheios de lágrimas: "Promete-me que quando tiveres um filho lhe chamas António e o trazes a Pádua para fazer a primeira comunhão." Gostava de estar com pessoas - eu não sou assim. Sou uma pessoa fechada e isolada. Vejo muito pouca gente. Também há tão poucas pessoas de quem eu gosto, muito... E ao fim de uma hora já me apetece estar sozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei-o num acontecimento social, um jantar em sua honra. E, apesar da simpatia, parecia que estaria melhor se estivesse consigo, a ler ou a escrever. Quase não falou, de resto. &lt;br /&gt;Por acaso foi um jantar agradável. Desde que não tenha que falar... Gostei desse jantar porque gosto de ouvir as pessoas e estavam pessoas de quem gosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto era a propósito do anel que não tem posto.&lt;br /&gt;Não gosto de anéis. Tenho mãos quadradas, com dedos curtos. Não gosto de me ver com anéis, punha-o por ele. Qualquer dia ponho. Ah, sabe porque é que deixei de pôr? Achei que não o merecia porque ia morrer. Quis dar o anel à Zezinha [filha mais velha], "toma lá o anel", que seria para ela, e depois para o filho dela. Não aceitou. Nunca mais voltei a pô-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma maneira de a sua filha lhe dizer: viva, viva. &lt;br /&gt;Não sei o que estava na cabeça dela. Faço muito poucas perguntas. Também não gosto que me perguntem sobre a minha vida. O meu pai morreu há quatro anos, e muito mudou em mim - até estar em paz com ele. Está a ver como fiquei muito mais terno com a doença? Estar aqui sentado já é uma festa. Haver sol. Eu não tinha isto. Agora sinto-me em paz comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que mudou com a doença, ou seja, com a sombra da morte?&lt;br /&gt;Aldrabices, mentiras, jogos, em nada na minha vida - nem nos livros. A doença foi fulcral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um processo duro, súbito, curto.&lt;br /&gt;Foi muito violento, de Março até fim de Setembro. Muito longo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terramoto anterior foi a morte do seu pai?&lt;br /&gt;Não foi um terramoto para mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um alívio?&lt;br /&gt;Não sei o que sentia por ele. Amor é uma palavra difícil. Era o meu pai, pronto. Como a minha mãe é a minha mãe. Foi evidentemente importante para mim sob esse ponto de vista - normativo -, mas sempre tive a sensação de que não tinha nascido deles - porque era tão diferente deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa frase aparece no livro: "De quem nasci eu?"&lt;br /&gt;Agora vejo que sim. Tenho coisas do meu pai, da minha mãe. Não havia nenhuma tradição ligada a livros. O meu pai gostava muito de ler, a minha mãe também, mas o meu avô nunca o vi pegar num livro. De onde é que isto vem? E sentia-me diferente. Será que eu pertenço a esta família? Vejo os meus irmãos tornarem-se cada vez mais parecidos com o meu pai; provavelmente eu também. Não sei se já lhe aconteceu: da nossa boca saem frases que não são nossas. São da pessoa com quem vivemos, muitas vezes. Certos tiques de vocabulário que não nos pertencem e que o convívio traz. Gestos. E saem-me frases que são do meu pai; certas maneiras de articular, pausas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lia-o?&lt;br /&gt;Dava-lhe os meus livros, ao princípio. Depois, não. Para quê?&lt;br /&gt;O que é que esperava dele? Um comentário?&lt;br /&gt;Nada. Perguntei-lhe sobre a Memória de Elefante, o que é que ele achava; respondeu: "É o livro de um principiante." Fiquei furioso. Ele tinha toda a razão. Nunca ouvi o meu pai elogiar um filho, fosse para o que fosse, e tinha filhos para todos os gostos e feitios. Só no hóquei, quando eu marcava um golo bom. Uma vez tive um muito bom num ponto, e havia miúdos que iam pedir dinheiro aos pais, cinco paus; e a resposta foi: "Só quando tiveres um bestial." Como nunca tive um bestial, nunca recebi nada. Nem um elogio, nem uma recriminação. A mim, nunca me recriminou nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que não recriminasse, o facto de dizer que a psiquiatria era uma disciplina menor era uma forma de o apoucar. De diminuir a sua escolha.&lt;br /&gt;Em relação à psiquiatria, tinha uma certa razão. Quando morreu, o Miguel disse: "O pai deixou uns envelopes." Pensei que fosse um envelope para cada filho. E todos os envelopes diziam António por fora. É uma carta de 600 páginas. Fiquei a saber o que é que pensava de mim - que eu não sabia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que pode contar dessas páginas? &lt;br /&gt;Não sabia que ele tinha tanto orgulho em mim. Havia naquele homem uma imensa impiedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a ouvir o personagem do seu livro que diz "idiota, idiota", referindo-se ao filho. &lt;br /&gt;Ele não é personagem, o livro não tem personagens, não conta histórias. Cada vez mais os livros sou eu. Nem sei se sou eu. O que eu queria era pôr a vida inteira lá dentro. Os livros não são seus. É como os filhos: também não são nossos. Também não são de mais ninguém. São deles mesmos, se forem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-me se este livro não era um ajuste de contas com o seu pai.&lt;br /&gt;Não tem nada que ver com o meu pai. A voz daquele avô... é um jogo de enganos, nada daquilo existe, passa-se numa cabeça. Os livros, cada vez mais, são também sobre como escrever livros. Portanto, aquele avô é um pobre diabo, sem força nenhuma. Houve dois capítulos que me deram muito prazer: o da morte, que é a Dona Hortelinda, que vai levando as pessoas, e o da Maria Adelaide. Julgo que são as únicas pessoas que têm nome no livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um Jaime.&lt;br /&gt;Quem? Ah, um que nunca aparece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maria Adelaide parece a encarnação de qualquer coisa boa, um desejo da infância.&lt;br /&gt;A infância é boa retrospectivamente. Na realidade é um período dramático, de grande sofrimento, como a adolescência é. A maior parte das crianças são infelizes. Estão sempre a frustrá-las. Por que carga de água tenho de estar sempre a lavar os dentes?, porque é que tenho de comer sopa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Davam-lhe tareias quando se portava mal. &lt;br /&gt;Apanhava, apanhava pancada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente não fala disso. Fala é de não lhe darem beijos ou um prato com bolachas e leite quando estava doente. &lt;br /&gt;O meu pai detestava que apanhássemos pancada. Fomos ensinados a bater para não sermos batidos. Ele organizava combates de boxe, até ao dia em que o João lhe deu um soco, ele caiu e acabou-se o boxe. Tirou a luva, deu-lhe um estalo e foi-se embora - nunca mais me esquece isso. Uma vez pôs-me a jogar contra o Pedro, o Pedro estava a deitar sangue do nariz e eu não queria bater-lhe. Isto com a porta fechada à chave, para a minha mãe não entrar. E ele dizia: "Bate-lhe, senão bato-te eu a ti." No fundo, acho que aquele homem vivia no pavor da homossexualidade. Achava que uma das coisas da homossexualidade era a falta de coragem física. Tinha um profundo desprezo pela cobardia física. Até muito tarde andou à pancada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de andar à pancada?&lt;br /&gt;Era uma das coisas de que as minhas filhas tinham medo: que eu saísse do carro para andar à trolha. Passei por cenas caricatas... Às vezes tenho vontade de sair do carro. Não me fazem nada, só me passam pela direita. E torno-me infantil. De resto, não. Já não ando à tareia há mais de seis meses. &lt;br /&gt;Quando é que, realmente, andou à pancada a última vez?&lt;br /&gt;Há uns meses dei um estalo a um gajo de mão aberta, de propósito. Não foi com muita força, mas foi um estalo - e isso humilha. Um murro não humilha. Porque é que foi? Não me lembro. Aquilo é feito com sentido lúdico. Como se fosse um miúdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um sentido lúdico, mas para humilhar.&lt;br /&gt;A esse, quis humilhá-lo. Isto não tem interesse nenhum, está a ser muito confessional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta é: porque fala menos da violência física que da violência emocional. De não ter sido mimado. &lt;br /&gt;Estou a ser injusto. Eu era o filho mais velho de dois filhos mais velhos. Toda a gente estava viva, os meus avós tinham 40 anos quando nasci, não havia mortes. Entrei para a universidade, tinha acabado de fazer 17 anos, e em Outubro estava no teatro anatómico; nunca tinha visto cadáveres. Havia uma espécie de pias, mesas, para o sangue - que não havia - escorrer. O empregado disse: "Meus senhores, está a sopa na mesa." Passados dois meses já mexia naquilo sem luvas - cadáveres com um ano de frigorífico, cheios de formol. &lt;br /&gt;O cadáver passa a ser carne do talho? É a maneira de lidar com isso sem medo, sem repugnância? Tratar aquilo como uma matéria. Como é que se ultrapassa o nojo?&lt;br /&gt;Não era nojo. Era terror. Todos nus, no dedo grande do pé tinham uma etiqueta, com um cordel. Um espectáculo horroroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que se passa do terror à indiferença?&lt;br /&gt;Não me lembro. Deve ter sido gradual. Não os via como pessoas. Eram apresentados assim: agora é a articulação tal ou são os músculos tais. Tenho notado nesta coisa que os cirurgiões têm: não é uma úlcera ou um cancro, é uma pessoa que está ali. Para outros, é uma máquina, um objecto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A úlcera está aqui, o cancro acolá, este órgão ali; e os sentimentos, onde ficam?&lt;br /&gt;O meu pai, já que falou nele, e para acabar com o pai - que foi importante, mas não foi decisivo - tinha um imenso respeito pelos doentes. Era terno, fazia-lhes festas. Foram as únicas pessoas a quem o vi fazer festas. Isso incutiu em nós um enorme respeito pelo sofrimento. E outra coisa: um infinito respeito pelo sigilo profissional. Nunca disse o nome de um doente. Era um bom médico - privado dessas coisas que eu disse: imaginação, criatividade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era capaz de acariciar um doente, mas quando um de vós estava doente, não vos acariciava.&lt;br /&gt;Olhava da porta e mandava tomar aspirinas. E, quando havia injecções para dar, era a minha mãe que dava. Ah: sentava-se na borda da cama a ler poesia - a gente tinha que gramar aquilo. A minha mãe dizia que quando ele, na casa de banho, dizia poesia, enquanto se arranjava e barbeava, ela ia a correr para o ouvir. Sempre teve um enorme respeito pelos artistas, talvez por não ser um criador. Pouco antes de morrer o Miguel perguntou-lhe: "O que é que o pai gostava de nos ter deixado?", e respondeu logo: "O amor das coisas belas." As coisas que para ele eram belas não eram necessariamente as minhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Arquipélago da Memória escreve: "Se me abraçassem, recusava indignado, e no entanto abracem-me." E a outra, referindo-se à personagem Mãe: "Uma ocasião pegou-me na cara, tive medo que me desse um beijo." &lt;br /&gt;É tão comum, essa mistura de desejo e de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo?&lt;br /&gt;A nossa sede de ternura é infinita. Porque fomos sempre mal amados na infância. Não há nada mais terrível do que a relação de um filho com um pai ou uma mãe. É muito ambivalente. São os pais que impõem as normas, "tens de fazer chichi no coiso, o guardanapo". Temos tanta dificuldade em aceitar aquilo que mais desejamos. É muito curioso e paradoxal. As pessoas deste livro pedem muita ternura, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas pessoas, que são uma pessoa, pedem ternura. &lt;br /&gt;Há um núcleo impartilhável em todos nós. Um livro é escrito com muito sofrimento. Estava a tentar olhar para o livro: não o vejo assim. Vejo-o como um todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu-me que tresanda a morte. &lt;br /&gt;Mas eles não morrem, pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem matar-se todos, e matam-se todos, de maneiras diferentes. Com uma sachola, com a corda do estendal. Porque se detestam. Porque se humilham.&lt;br /&gt;Achou o livro assim tão negro? Mas isso, muitas vezes, tem que ver connosco, leitores, com o estado de espírito com que se lê os livros e com aquilo que nos livros vai tocar a nossa experiência de vida. Os leitores da agência rejubilaram com o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou a dizer que não é uma obra-prima. Estou a dizer, se me pergunta, que me convocou uma sensação de claustrofobia. &lt;br /&gt;Quando a mão é feliz... A Morte de Ivan Ilich: não pode haver coisa mais angustiante, que rasga. E é um livro que me dá uma felicidade enorme ler. O que me importa, enquanto leitor, é a felicidade da mão. O que me interessa num livro, é quando é bom. O tema? Não há temas. As pessoas não contam histórias. Como eu estava a dizer aos americanos - a Odisseia: tenho a minha mulher à espera. Anna Karenina: uma mulher que está casada aborrece-se, o marido é um maçador, apaixona-se por um vigarista, aquilo corre mal, ela morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atira-se à linha do comboio. Podia ter escolhido outra morte qualquer. &lt;br /&gt;O que interessa é a maneira como [Tolstoi] faz isto. As intrigas não valem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esgrima é o que lhe interessa. Como é que a mão esgrime?&lt;br /&gt;É um problema da mão, sempre. Os livros do Tolstoi são bons porque ele tinha uma grande mão. Em arte, é tudo uma questão de mão: seja a escrever, seja a pintar, seja a fotografar. E quando as páginas se tornam espelhos? O Monte dos Vendavais não é um romance: aquilo é tudo. Só acontecem coisas horríveis, e saímos daquele livro maravilhados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheios de vida, exaltados.&lt;br /&gt;Exactamente. É pôr a vida inteira dentro das capas de um livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo que tresanda a morte, não digo que me apeteça morrer ou matar-me, ou matar. &lt;br /&gt;Não queria falar sobre isso, mas eu estive na guerra. Matar é muito fácil. Quando o Melo Antunes estava doente, nunca tínhamos falado sobre a guerra e ele começou a falar; a mulher aproximava-se e ele dizia: "Não podemos falar mais." Perguntava-lhe: "Ernesto, porque é que não sentimos culpabilidade?" Assisti e participei em coisas horríveis. E ainda hoje não sinto culpabilidade. Porquê? Ele também não soube responder. É estranho. Porque sinto culpabilidade por ter ferido uma pessoa verbalmente, por ter sido injusto para alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente culpabilidade por que pensa que vai sobreviver àqueles que estão na mesma sala, à espera da radioterapia. &lt;br /&gt;Sentia-me culpado porque eu ia viver e eles não. Eles eram melhores do que eu. Tinham coragem. Eu estava todo borrado. Li um bocadinho das cartas da guerra, cartas que me oferecia para ganhar o meu respeito; cheguei a ir sentado no guarda-lamas dos rebenta minas. Porque me achava um cobarde e me enojava a cobardia física. Assisti uma única vez ao espectáculo da cobardia física, e é repelente. Os nossos soldados eram miúdos, de 19, 20, 21 anos. Admiráveis. Agora vão para a discoteca, naquela altura iam dar tiros. Iam matar e morrer. Voltando ao livro: o que eu queria era meter lá a vida toda, e não acho que seja triste. Acho que sou agora mais alegre do que era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que ficou mais alegre?&lt;br /&gt;Estive do outro lado e garanto-lhe que não é agradável. Tenho de dar muitas graças à vida, às pessoas que trataram de mim. Recomeçar o livro depois da doença, não sabia se era capaz. Queria ir mais longe. Não sou modesto, mas sou humilde. Sabemos muito pouco do que queremos escrever e hei-de levar a vida a tentar aprender. Estou a lembrar-me de uma entrada no diário de Tolstoi, em que ele escreve: "Lutei toda a vida para ser melhor do que o Shakespeare, e sou. E depois?" Eu agora não minto e sou honesto: ninguém escreve como eu - parece que isso é unânime. E depois? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois?&lt;br /&gt;E depois estou a ver o dia em que vou começar a repetir-me a mim mesmo. A escrever uma Ressurreição, como Tolstoi escreveu, que não tem a grandeza dos outros livros. É o meu receio. Será que estou a rapar o fundo ao tacho? Será que ainda tenho mais um ou dois livros para escrever? O que é que vou fazer depois? Não sei fazer mais nada. Vivo disto e construí-me para isto. Pareço uma galinha a proteger os ovos. Não tenho nada a acrescentar, o livro tem de se defender sozinho. Esta unanimidade por todo o lado: às vezes penso que é uma fraude, que vou acordar e perceber que é tudo mentira. Tive um pesadelo há um mês ou dois: estava morto há 20 anos e as pessoas estavam a discutir os livros e eu, angustiado, queria voltar a viver para dizer: "Não é nada disso." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma altura em que disse que já não se importava em ganhar o Nobel. Mas, se o ganhasse, era mais para os seus pais. &lt;br /&gt;Era. Mas repare, só este ano, pareço um cavalo: ganhei o [prémio] Ibero-Americano, o Terence Moix [Espanha], o Camões pelo meio, agora foi este Juan Rulfo, a coisa francesa [Comendador da Ordem das Artes e das Letras].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lhe telefonassem a dizer: "O Nobel é seu", em quem é que pensaria?&lt;br /&gt;Mas isso não tem que ver com a literatura, não torna os livros melhores ou piores. Se me disser o nome de um jurado, digo-lhe quem ganha. Em Portugal, se conhecer os membros do júri, sei quem vai ganhar o prémio. Gostamos daquilo que prolonga os nossos gostos, do que é da nossa família. O difícil é dizer: "Não gosto, mas o livro é bom." Confundimos as ideias com as paixões: gosto, logo é bom, não gosto, logo é mau. O Musil: ele é bom, mas não gosto. Uma chatice e pêras. O [Hermann] Broch: aquele primeiro capítulo da Morte de Virgílio parece feito em cinemascope. Uma maravilha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há maus livros de que gosta?&lt;br /&gt;Há. O único livro que me fez chorar até hoje foi o Love Story, que li em África. O livro é uma merda, cheio de cordelinhos, e adorei. "Isto é uma merda, para que é que estou para aqui a chorar?" Não sei se não tinha que ver com o isolamento em que estava. Os livros também são a nossa circunstância. Então, devia ser o nome dos leitores a aparecer na capa dos livros. Estamos a projectar os nossos fantasmas, sofrimentos, medos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o leitor, essa projecção é inescapável. E também projectarmos o que sabemos da vida do autor naquilo que lemos. Ou seja, leio o seu livro e penso: está a ajustar contas com o pai, foi escrito depois do cancro e parece-me ver morte em todo o lado, há uma pulsão libidinosa que talvez o prenda à vida. As mulheres parece que só servem para fornicar - há um desacerto na relação com elas. Tudo isto é consanguíneo. E uterino. &lt;br /&gt;Não acha que as mulheres são tratadas com respeito? É que cada vez mais as mulheres me parecem uma salvação do homem e do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é tanto o desrespeito. É tudo passar-se numa base de sedução/submissão. &lt;br /&gt;Ah, mas quem manda são as mulheres, tem alguma dúvida? Os homens é que são escolhidos. Quando elas são inteligentes dão ao homem a sensação de que ele está a fazer uma conquista, mas já foram escolhidos. Como na ordem animal. Tendem a escolher machos dominantes - mais não seja pela preservação da espécie. Somos os descendentes dos mais fortes, dos que sobreviveram aos maremotos, às pestes. Não é por acaso que quero um homem com poder - é a mesma lógica que leva à escolha do macho dominante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quem manda é ela?&lt;br /&gt;Depende das relações. Porque é que há-de haver uma competição, um patrão e uma empregada? Tem que ver com a nossa maturidade. Durante muitos anos, nas minhas relações, havia um que mandava e outro que obedecia. Agora já não penso assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é que cresceu?&lt;br /&gt;Às vezes o Cortesão, um homem a quem devo muito, psiquiatra, dizia: "Não sei se é a análise que muda as pessoas, se é o tempo que lá estão." Em nove anos uma pessoa vai mudando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez análise nove anos?&lt;br /&gt;Não sei. Bastantes. Sei que saí de lá e aquilo não me serviu para nada. "Para que é que venho aqui?, sou mais inteligente do que você." Tudo aquilo me parecia um conto de fadas científico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a concordar com o seu pai.&lt;br /&gt;Até certo ponto, sim. O que é a depressão? É quando a gente deixa de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa de querer viver. &lt;br /&gt;Não sei. O suicídio é uma coisa complexa. O suicídio é a morte de um outro. Estou a matar uma parte para viver com a outra eternamente. Fazia-me impressão o sentimento de imortalidade que havia nas pessoas que faziam tentativas de suicídio e que sobreviviam. Elas não se estavam a matar a elas. O meu bisavô, quando se matou, estava a matar o cancro. Uma coisa aprendi: ninguém, tenha a idade que tiver, está preparado para morrer. E a nossa capacidade de sobrevivência é através dos artistas. Aquele concerto de Ano Novo, em Viena, que eu vejo sempre, comovido até às lágrimas: aquela música do Strauss é uma tal vitória sobre a morte... Sinto-me vingado. A grande arte é essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que nos vinga, a que nos enche de vida?&lt;br /&gt;O quadro que eu prefiro é As Meninas, do Velasquez. Aquilo é um grande livro, um grande tudo. Mas onde é que está o livro? Não há livro, há vida. Aquele quadro ou o Vermeer: enquanto houver pessoas destas, a nossa vida não foi em vão. Não acabou com o absurdo final e a injustiça final da morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o último combate? Com a morte, o tempo.&lt;br /&gt;O Ovídio escrevia: "Os meus livros hão-de resistir ao tempo, ao fogo e ao ferro." E resistiram. Dois mil anos depois, aquilo pertence a todos nós. Julgo que era isto que o meu pai intuía que não era capaz. Uma vez mostrou-me uns contos que tinha escrito; "Quer que fale como seu filho ou como escritor? Se quer que fale como escritor, isso é uma merda." Meteu aquilo numa gaveta. De facto, eram uma grande merda. Uma coisa é ter a sensibilidade, outra coisa é ter os meios de expressão. Para escrever é preciso orgulho, paciência e solidão. Um livro é uma coisa que consome dias e noites, e vive ali, num corpo a corpo constante. O único mérito é trabalhar muito. Se tivermos sorte, é ficar como As Meninas ou Ovídio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessa-lhe o que as suas filhas lêem nos seus livros?&lt;br /&gt;Nunca falámos sobre isso. Nunca lhes falo sobre o que faço, nunca lhes peço opinião. Nem peço a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não está interessado em saber? &lt;br /&gt;Acho que é uma pergunta íntima. Deve ser difícil ser minha filha. O nome torna-se pesado. Elas fazem uma separação clara. Para elas eu sou o pai. A Isabel [a filha mais nova], que está em Londres, estava toda orgulhosa porque na faculdade de uma delas [flatmates] iam fazer "um curso sobre o pai". "Já leste algum livro?", "Nunca li nenhum." A conversa ficou assim. E é uma chatice terem um pai público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque as rouba?&lt;br /&gt;Provavelmente. Carregam um nome pesado, que para mim já é pesado. No outro dia estava ao espelho a fazer a barba: "Eh pá, sou o António Lobo Antunes." Tudo isto que me aconteceu... Eu tinha sonhos de glória aos 15 anos, queria descer a Avenida da Liberdade a acenar à multidão entusiasmada. Até perceber que a glória não é o mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A glória não tem importância?&lt;br /&gt;É hipócrita dizer que não é agradável. A unanimidade é assustadora, mas é agradável. A quantidade de gente que me diz na rua: estou à espera que ganhe o Nobel. E vão ter uma desilusão amanhã. Até pode ser que ganhe, mas aquilo é uma lotaria, não me parece haver um critério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que o reconciliou com a vida? Dantes era recluso, zangado. &lt;br /&gt;Sempre gostei de viver. Percebo a ideia da sua pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora comove-se muito mais e fala de ternura.&lt;br /&gt;É natural, porque passei por uma experiência radical. Foi um preço muito alto, mas talvez pelas coisas boas a gente tenha de pagar um preço alto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é um ofício. Ofício de viver.&lt;br /&gt;Pavese. Ele também escreveu: "Virá a morte e terá os teus olhos". Mata-se num quarto de hotel, em Turim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorreu-lhe o suicídio?&lt;br /&gt;Claro que sim, como a toda a gente. Mas mais como devaneio. Em mim é muito clara a consciência da missão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso estava a pensar no período da doença.&lt;br /&gt;Aí não. Estava a fazer a radioterapia e falava com o cancro: "Morre, morre, morre." Insultava-o. Enquanto na guerra o inimigo está fora e pode matá-lo, aquilo está dentro de si. É uma parte sua que se revolta e a quer destruir. Tive a sorte de ter um bom sistema imunitário e acho mesmo que Santo António me protegeu. É engraçada a relação com Deus. Dantes zangava-me quando via a morte de crianças. Agora já assisto a isso melhor. Como aceito a minha. Que é que vai ficar de mim? Livros. Já não é mau. Já não é mesmo nada mau se eles forem aquilo que eu acho que eles são.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5935580711936020978?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5935580711936020978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5935580711936020978' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5935580711936020978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5935580711936020978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/10/lobo-antunes-como-posso-eu-cristal.html' title='Lobo Antunes Como posso eu, cristal, morrer?'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5054774297141866559</id><published>2008-08-27T00:14:00.001Z</published><updated>2008-08-27T00:15:56.277Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas'/><title type='text'>Bénard da Costa, no Público</title><content type='html'>domingo, 3 de Agosto de 2008&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Memórias da imaginação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha Mãe costumava dizer que no dia em que nasceu (24 de Agosto) andava o Diabo à solta. Não se referia a 24 de Agosto de 1906, dia em que passou doutra vida a esta, mas a um 24 de Agosto que nem ela nem nenhum de nós, nem nenhum dos que estavam em vida em 1906, conhecera, senão como conhecemos quase tudo: pela memória da imaginação histórica, no caso concreto a memória da imaginação histórica de 24 de Agosto de 1572. Nessa noite - noite de São Bartolomeu, o Apóstolo que morreu esfolado vivo - Catarina de Médicis convenceu seu filho, o timorato Carlos IX, rei de França, a dizimar o partido huguenote. O sinal foi dado pelo sino da igreja de Saint-Germain l' Auxerrois, em Paris, e três ou quatro mil protestantes parisienses foram barbaramente assassinados. A província seguiu a capital, com mais mortes e mais terror. Católicos exultaram e o Papa Gregório XIII, ao saber da chacina, em Roma, mandou cantar um Te Deum. Com os tempos, sobretudo com a conversão do huguenote Henrique de Navarra, futuro Henrique IV, ao catolicismo ("Paris vaut bien une messe") e com a promulgação do Édito de Nantes, que reconhecia a liberdade de culto aos protestantes, a festança dos católicos fanáticos deu lugar ao opróbrio e por isso se passou a dizer que, na noite de 24 de Agosto, andava o diabo à solta.&lt;br /&gt;Nessa mesma data, regressado ao seu castelo no Périgord, no alto de uma colina (a "montanha" que deu o nome a Michel Eyquem, a 28 de Fevereiro de 1533) o Sieur de Montaigne escrevia o capítulo 20 do primeiro livro dos seus Ensaios, sob o título De Filosofar como Aprender a Morrer.&lt;br /&gt;Na sua biblioteca, lia-se a famosa inscrição que ele mandou gravar em latim: "No ano do Senhor de 1571, com a idade de trinta e oito anos, na véspera das calendas de Março, aniversário do seu nascimento, Michel de Montaigne, há muito cansado da servidão ao Parlamento e a todas as outras funções públicas, mantendo intactas todas as suas faculdades e todas as suas forças, retirou-se para o seio das doutas virgens, onde, em repouso e segurança, passará os dias que lhe restarem de vida. (...) Privado do amigo mais doce, mais querido e mais íntimo, como o nosso século jamais conheceu outro que melhor, mais sábio, mais aprazível e mais perfeito fosse, Michel de Montaigne, querendo consagrar à saudade desse amor mútuo testemunho único de reconhecimento e não achando modo de melhor o exprimir, dedicou a essa memória o estudioso edifício que lhe servirá de delícias." A dedicatória percebe-se melhor, se se souber que a biblioteca lhe fora deixada em testamento pelo amigo de que fora privado.&lt;br /&gt;O "amigo mais doce, mais querido e mais íntimo" era Etienne de la Boétie que Montaigne conhecera em 1557 (tinha ele vinte e dois anos, Etienne vinte e seis) e que morreu seis anos depois, pouco antes de completar 33 anos, a 18 de Agosto de 1563.&lt;br /&gt;"Parce que c'était lui; parce que c'était moi" foi a frase famosa em que Montaigne resumiu a razão (se razão é palavra a usar) do amor que os uniu.&lt;br /&gt;Na dedicatória à Ménagerie de Xenofonte (tradução de La Boétie), Montaigne fez publicar a carta que escrevera ao pai contando-lhe "algumas particularidades que observou na doença e na morte do falecido Monsieur de La Boétie".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas passagens mais particularmente perturbantes nessa longa e minuciosa descrição da agonia de um ser amado, que durou precisamente nove dias e nove noites.&lt;br /&gt;Ao quinto dia, um domingo, Etienne entrou em grande prostração. Quando voltou a si, disse que lhe parecia ter estado numa "confusion de toutes choses" e só ter visto uma nuvem espessa e um nevoeiro obscuro, no qual tudo se misturava, desordenadamente. Mas nada disso lhe fora desagradável. "A morte não é pior do que isso, meu irmão", disse-lhe Montaigne, ouvindo-o. "Mais n'a rien de si mauvais" respondeu-lhe ele. Não traduzi a frase, como acima não traduzi a "confusion de toutes choses", porque apesar da transparência das frases, no francês de Montaigne, sempre hesitei na transposição. "Não há nada tão mau" ou " não há nada de muito mau"?&lt;br /&gt;"Irmão, amigo", chama, muito perto do fim, La Boétie. "Ah se soubesses as imaginações que venho de ter (...)." Como são elas, meu irmão? "Grandes, grandes" respondeu o moribundo que, perante a insistência de Montaigne, acrescentou: "Admiráveis, infinitas e indizíveis."&lt;br /&gt;Mas, mesmo à hora de morrer, "começou a pedir-me, com extrema afeição, que lhe guardasse um lugar, repetindo o pedido tão numerosas vezes que eu tive medo que ele entrasse a perder a razão. Mas, embora lhe dissesse muito docemente que ele se estava a deixar arrastar pela doença e que o pedido não se assemelhava a algo com siso, a minha fala não o abalou, antes clamou ainda com maior brado: 'Irmão, irmão, porque me recusas um lugar?' Tentei então convencê-lo pela razão. Disse-lhe que se ele falava e respirava era porque tinha corpo e logo tinha um lugar. 'Um lugar talvez tenha, mas não aquele de que preciso' (...) Há três dias que anseio por partir". Foram as últimas palavras de La Boétie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo 20 dos Ensaios, Montaigne revem incessantemente à morte do amigo (sem o citar). "Porque é que se receia tanto perder uma coisa que, uma vez perdida, não pode mais ser lastimada? (...) Àquele que disse a Sócrates: 'Os trinta tiranos condenam-te à morte', Sócrates respondeu: 'Como a natureza os condenou a eles.'&lt;br /&gt;Porque bizarria nos atemorizamos tanto com a passagem para a isenção de todas as dores!&lt;br /&gt;Tal como ao nascermos todas as coisas nasceram para nós, assim a nossa morte ditará a morte de todas as coisas. É tão insensato chorar sobre o que não viveremos daqui a cem anos como chorar o que não vivemos há cem anos. A morte é a origem de outra vida. E tal como chorámos ao entrar nesta, assim cessará a causa das nossas lágrimas ao dela sairmos. (...)&lt;br /&gt;O primeiro dia depois do nosso nascimento leva-nos tanto a morrer como a viver. (...) A obra continuada da nossa vida é a construção da morte. Já estamos na morte quando estamos na vida. Ou, se assim preferirdes, estamos mortos depois da vida. Mas, durante a vida, estamos a morrer e a morte atinge mais rudemente o moribundo do que o morto. Mais vivamente e mais essencialmente, também."&lt;br /&gt;Tanto quanto eu saiba é a primeira vez que se distingue tão fundamente a morte e o "morrer". Quanto mais o homem se afeiçoar à ideia da morte, menos difícil lhe será a passagem para o lado de lá.&lt;br /&gt;A morte deixou de ser a terrível e misteriosa passagem para um "lado de lá" que não sabemos como é. A morte é a transformação de uma forma noutra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto do ponto de vista de Montaigne, do ponto de vista do lugar que Etienne de la Boétie queria ocupar e tanto pediu ao amigo que o deixasse ocupar, não prova o desenfreamento do diabo mas apenas o lugar do mal que nós próprios fizemos.&lt;br /&gt;"A morte não nos afecta, nem quando formos mortos nem quando estamos vivos. Quando estamos vivos porque não estamos mortos; quando formos mortos porque já não estamos vivos."&lt;br /&gt;Montaigne recorda Quíron que recusou a imortalidade quando o próprio deus do tempo, Saturno, seu pai, o informou da condição dela. "Se não houvesse a morte, mil vezes me amaldiçoaria de vos ter privado dela", são palavras do deus.&lt;br /&gt;Muitos anos depois, Rilke terminou o décimo segundo soneto da segunda parte dos Sonetos a Orfeu, sustentando o que "a metamorfoseada Dafne / quer, desde que em loureiro sente, que te mudes em vento".&lt;br /&gt;"Ser sempre morte em Eurídice." A nossa imaginação sobre a nossa memória? Talvez antes, a nossa memória sobre a nossa imaginação.&lt;br /&gt;Coisas que nem sequer imaginamos de tanto as havermos esquecido ou que só lembramos quando as imagens deixarem de ser infinitas e indizíveis ou forem finalmente infinitas e indizíveis.&lt;br /&gt;Agosto, que agora começa, é o mês do manto de Eurídice, quando memória e imaginação se confundem e uma forma se transforma noutra forma. Hoje, apareceram-me Montaigne e Rilke, cantores da morte. Mas também a curva do Forte, a mão da Mãe, e o mar a brilhar tanto que tamanha luminosidade convocava uma treva súbita e logo suspensa, até que o vento em vento nos mudasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5054774297141866559?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5054774297141866559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5054774297141866559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5054774297141866559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5054774297141866559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/08/bnard-da-costa-no-pblico.html' title='Bénard da Costa, no Público'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7016939713007418984</id><published>2008-07-26T11:29:00.001Z</published><updated>2008-07-26T11:29:52.011Z</updated><title type='text'>Mendigo moderno</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_yiayhyZKtK4/SIsKoLUHj2I/AAAAAAAAAjk/a0qpdjFo5MU/s1600-h/mendigo+moderno.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_yiayhyZKtK4/SIsKoLUHj2I/AAAAAAAAAjk/a0qpdjFo5MU/s400/mendigo+moderno.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227283477841809250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7016939713007418984?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7016939713007418984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7016939713007418984' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7016939713007418984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7016939713007418984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/07/mendigo-moderno.html' title='Mendigo moderno'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_yiayhyZKtK4/SIsKoLUHj2I/AAAAAAAAAjk/a0qpdjFo5MU/s72-c/mendigo+moderno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5593511708890541301</id><published>2008-07-26T11:26:00.000Z</published><updated>2008-07-26T11:27:14.892Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradition'/><title type='text'>Nursery rhyme</title><content type='html'>Monday's child is fair of face. &lt;br /&gt;Tuesday's child is full of grace. &lt;br /&gt;Wednesday's child is full of woe. &lt;br /&gt;Thursday's child has far to go. &lt;br /&gt;Friday's child is loving and giving. &lt;br /&gt;Saturday's child works hard for a living, &lt;br /&gt;But the child who is born on the Sabbath Day &lt;br /&gt;Is bonny and blithe and good and gay.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5593511708890541301?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5593511708890541301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5593511708890541301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5593511708890541301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5593511708890541301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/07/nursery-rhyme.html' title='Nursery rhyme'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-3280183252907171398</id><published>2008-05-14T15:04:00.001Z</published><updated>2008-05-14T15:04:55.015Z</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8VYJy05T70o&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed 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pancadaria na escola têm comovido a opinião. A última ocorreu numa escola do Porto e foi devidamente filmada por um colega. Em poucas horas, o clip correu mundo através do YouTube. A partir daí, choveram as análises e os comentários. Toda a gente procura responsáveis, culpados e causas. Os arguidos são tantos quanto se possa imaginar: os jovens, os professores, os pais, o ministério e os políticos. E a sociedade em geral, evidentemente. As causas são também as mais diversas: a democracia, os costumes contemporâneos, a cultura jovem, o dinheiro, a televisão, a publicidade, a Internet, a permissividade, a falta de valores, os "bairros", o rap, os imigrantes, a droga e o sexo. Para a oposição, a culpa é do Governo. Para o Governo, a culpa é do Governo anterior. O trivial.&lt;br /&gt;Deve haver um pouco disso tudo, o que torna as coisas mais complicadas - sobretudo quando se pretende tomar medidas ou conter a vaga crescente de violência e balbúrdia. Se as causas são múltiplas, por onde começar? Mais repressão? Mais diálogo? Mais disciplina? Mais co-gestão? Há aqui matéria para a criação de várias comissões, a elaboração de um livro branco, a aprovação de novas leis e a realização de inúmeros estudos. Até às eleições, haverá debates parlamentares sobre o tema. Não tenho a certeza, nem sequer a esperança, que o problema se resolva a breve prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, a ocasião era calhada para voltar a ver a obra-prima do esforço legislativo nacional, o famoso "estatuto do aluno". A sua última versão entrou em vigor em finais de Janeiro, sendo uma correcção de outro diploma, da mesma natureza, de 2002. Trata-se de uma espécie de carta constitucional de direitos e deveres, a que não falta um regulamento disciplinar. Não se pode dizer que fecha a abóbada do edifício legal educativo, porque simplesmente tal edifício não existe. É mais um produto da enxurrada permanente de leis, normas e regras que se abate sobre as escolas e a sociedade. É um dos mais monstruosos documentos jamais produzidos pela administração pública portuguesa. Mal escrito, por vezes incompreensível, repete-se na afirmação de virtudes. Faz afirmações absolutamente disparatadas, como, por exemplo, quando considera que "a assiduidade (...) implica uma atitude de empenho intelectual e comportamental adequada..."! Cria deveres inéditos aos alunos, tais como o de se "empenhar na sua formação integral"; o de "guardar lealdade para com todos os membros da comunidade educativa"; ou o de "contribuir para a harmonia da convivência escolar". E também os obriga a conhecer e cumprir este "estatuto do aluno", naquele que deve ser o pior castigo de todos! Quanto aos direitos dos alunos, são os mais abrangentes e absurdos que se possa imaginar, incluindo os de participar na elaboração de regulamentos e na gestão e administração da escola, assim como de serem informados sobre os critérios da avaliação, os objectivos dos programas, dos cursos e das disciplinas, o modo de organização do plano de estudos, a matrícula, o abono de família e tudo o que seja possível inventar, incluindo as normas de segurança dos equipamentos e os planos de emergência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um estatuto burocrático, processual e confuso. O regime de faltas, que decreta, é infernal. Ninguém, normalmente constituído, o pode perceber ou aplicar. Os alunos que ultrapassem o número de faltas permitido podem recuperar tudo com uma prova. As faltas justificadas podem passar a injustificadas e vice-versa. As decisões sobre as faltas dos alunos e o seu comportamento sobem e descem do professor ao director de turma, deste ao conselho de turma, destes à direcção da escola e eventualmente ao conselho pedagógico. As decisões disciplinares são longas, morosas e processualmente complicadas, podendo sempre ser alteradas pelos sistemas de recurso ou de vaivém entre instâncias escolares. Concebem-se duas espécies de medidas disciplinares, as "correctivas" e as "sancionatórias". Por vezes, as diferenças são imperceptíveis. Mas a sua aplicação, em respeito pelas normas processuais, torna inútil qualquer esforço. As medidas disciplinares são quase todas precedidas ou acompanhadas de processos complicados, verdadeiros dissuasores de todo o esforço disciplinar. As medidas disciplinares dependem de várias instâncias, do professor aos órgãos da turma, destes aos vários órgãos da escola e desta às direcções regionais. Os procedimentos disciplinares são relativos ao que tradicionalmente se designa por mau comportamento, perturbação de aula, agressão, roubo ou destruição de material, isto é, o dia-a-dia na escola. Mas a sua sanção é de tal modo complexa que deixará simplesmente de haver disciplina ou sanção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estatuto cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a administração pública ou para as relações entre administração e cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal, os legisladores do ministério (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição. O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo "científico", "técnico", desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-600449080341493682?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/600449080341493682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=600449080341493682' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/600449080341493682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/600449080341493682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/antnio-barreto-um-retrato.html' title='António Barreto, um retrato'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8061072928690471817</id><published>2008-03-28T09:35:00.000Z</published><updated>2008-03-28T09:37:21.388Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escola-educação-violência'/><title type='text'>Fernanda Câncio- DN</title><content type='html'>ADOLESCENTES, INIMPUTÁVEIS E TEVÊS- 28 Março de 2008 &lt;br /&gt;Parece que cada vez que "alguém fala do vídeo" à professora da luta pelo telemóvel no Carolina Michaëlis ela "começa a chorar e enerva-se". Compreendo-a muito bem. Eu própria vou pelo mesmo caminho. Tenho a sensação de que se mais alguma vez vejo aquelas imagens ou oiço ou leio alguém falar em "agressão no Carolina Michaëlis" ou "a professora brutalizada pela aluna" ou, para ainda mais extraordinário, "nas coisas comprometedoras que a aluna alegadamente teria no telemóvel", vou mesmo entrar em órbita. Ou chamar a polícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que me sirva de alguma coisa, claro. Até porque um dos supremos representantes da legalidade e da sua manutenção neste país, o procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro, está farto de perorar sobre este assunto - inclusive, ainda ontem, na SIC Notícias, mostrando-se muito feliz "por finalmente o País estar a ficar alertado para a questão da violência nas escolas" - sem nunca mencionar o facto de que cada vez que aquele vídeo passa numa televisão está a ser cometido um crime. E este, imagine-se, ao contrário do de "empurrão e disputa de telemóvel entre professora e aluna", até vem no Código Penal (CP) e nem está a ser cometido por inimputável menor de 16 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se calhar para Pinto Monteiro é muito mais grave uma aluna de 15 anos fazer uma birra numa sala de aula e cometer um acto de indisciplina, em que não só não se pode falar com propriedade de agressão como nem sequer se ouve um insulto para amostra, e este ser filmado por um colega da mesma idade que a seguir descarrega as imagens na Net, do que haver empresas de TV, incluindo a pública, que usam o vídeo ilegal até à náusea, com a agravante de nas primeiras passagens nem sequer terem tido o cuidado de ocultar as caras dos intervenientes. Se calhar o procurador não vê que a professora é muito mais humilhada pela repetição do vídeo que pelo ocorrido na aula. Ou então vê mas acha que é melhor nem levantar a questão, não vá alguém achar - e há sempre gente a achar estas coisas - que a sua tentativa de defesa da legalidade e dos preceitos constitucionais de direito à imagem seriam uma tentativa de coarctar "a liberdade de expressão e informação" e que "o interesse público" justifica tudo - doa a quem doer. Ainda por cima, o CP diz que o crime previsto no artigo 199.º -"gravação e fotografias ilícitas"-, punido com pena de prisão até um ano e multa até 240 dias (agravadas num terço quando efectuadas para obter recompensa ou enriquecimento ou quando o meio de difusão seja a comunicação social), depende de queixa. E parece que ainda ninguém se queixou - só há uma professora em cacos e uma rapariga tratada como criminosa e transformada em poster girl da "violência escolar" e "do estado a que nós chegámos". Nada que importe quando o que é importante é "dar o exemplo" e "sensibilizar as pessoas". Ou será insensibilizar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8061072928690471817?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8061072928690471817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8061072928690471817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8061072928690471817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8061072928690471817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/fernanda-cncio-dn.html' title='Fernanda Câncio- DN'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8532327703144807871</id><published>2008-03-27T09:42:00.003Z</published><updated>2008-03-27T09:49:51.208Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escritores guardados'/><title type='text'>José Eduardo Agualusa</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Roda de choro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"O importante não é o veículo, mas a viagem", disse-me o taxista, como a desculpar-se pelo estado do carro. Escrevo a palavra taxista, demoro-me a olhá-la, e depois apago-a. A mim a expressão taxista lembra-me sempre o seguidor de uma qualquer ideologia vagamente totalitária: "Fulano é um nacional-taxista!". Prefiro dizer taxeiro, que me remete a padeiro, oleiro, costureiro, ofícios antigos, inquestionáveis, antes do aparecimento dos informáticos, dos pedagogos ou dos sociólogos. Contudo, quando vou ao Google encontro apenas sessenta e cinco citações para taxeiro, ao passo que taxista tem um milhão, quatrocentos e sessenta mil. Os taxistas, portanto, são em número largamente superior aos taxeiros. Permitam-me, porém, a insistência: o amável filósofo dentro daquele taxi carioca era muito mais taxeiro do que taxista. Apresentou-se. Chamava-se Jorge, mas todos o conheciam como Jorginho do Pífaro. &lt;br /&gt;"Você gosta de choro?" &lt;br /&gt;Jorginho tocava flauta em rodas de choro. Durante alguns minutos, enquanto o taxi deslizava através das ruas quase vazias, Jorginho discorreu animadamente sobre a origem do choro e do samba. Sábado alongava-se pelos passeios, num langor tropical. O sol, no alto azul do céu, abria os braços ao largo abraço do Cristo Redentor. Jovens surfistas, em tronco nu e bermudas, bebiam batidos de frutas ao balcão do "Bibi", a melhor casa de sucos do Brasil. Combinei com Jorginho que ele passaria pelo meu hotel, ao final da tarde, para me levar a casa de um amigo, grande tocador de cavaquinho. Efectivamente às cinco e meia ligaram-me da recepção, e eu desci. Jorginho tomara um banho e mudara de roupa. Já não era um taxeiro - era um amigo. Levou-me para Santa Teresa, para um velho casarão, com uma fachada de um amarelo manga, um tanto desmaiada. Duas palmeiras centenárias vigiavam a rua. Lá dentro um cavaquinho chorava, delicadamente, acompanhado por um violão e um bandolim. Deram-me uma cadeira. Jorginho sentou-se ao meu lado, retirou de um estojo uma flauta transversal, e juntou-se ao grupo. Como disse antes, era sábado, sábado completamente. As pessoas iam chegando, pessoas de origens sociais muito diversas, com diferentes tons de pele, diferentes credos e histórias familiares, sentavam-se, preparavam o instrumento que haviam trazido, e iam somando a sua própria voz - a voz do seu instrumento - à harmonia original. &lt;br /&gt;A roda (compreendi de súbito) era o Brasil - metáfora musical de um país em construção. &lt;br /&gt;Desde que nasci já vi morrer muitos países. Vi, inclusive, morrer impérios. Também já vi nascer alguns países. Percebi que, ao contrário do que me ensinaram na escola, países tendem a ser entidades frágeis e fraudulentas. Frágeis, na verdade, porque fraudulentas. Os melhores são puramente imaginários. Os piores, inteiramente artificiais. Artificiais não como uma flor de plástico - cuja mentira está apenas em tentar reproduzir a beleza viva de uma flor - mas como seria artificial, por exemplo, um cozido à portuguesa inteiramente feito de plástico. Sim, certos países não só são desnecessários, como não conseguem sequer parecer necessários. &lt;br /&gt;O Brasil, pelo contrário, sempre me surpreendeu pela sua coerência e pela sua verdade. É um dos poucos casos que conheço de um país que poderia sobreviver, ao menos durante duas ou três gerações, à bela utopia anarquista do fim de todas as fronteiras. Talvez por ter sido desde o início - e continuar a ser - não tanto uma criação das elites, quanto uma criação popular. Talvez em razão da sua voracidade integradora. Ao contrário de tantos outros territórios doentes de desconfiança, nos quais, ao longo dos séculos, se foram estruturando culturas de rejeição, os brasileiros foram capazes de criar uma cultura de assimilação que tudo devora, transforma e faz seu. &lt;br /&gt;Creio que foi naquela tarde de sábado que decidi ser carioca, a maneira mais feliz de se ser ao mesmo tempo, e sem conflito, angolano e português. Desde então venho-me empenhando bastante, mas suspeito que ainda me falta percorrer um longo caminho. Tenho paciência. Não esqueço, como fez questão de me lembrar Jorge quando nos conhecemos, que o importante não é o veículo: é a viagem. &lt;br /&gt;Suplemento Pública de Domingo, 23 de Março 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8532327703144807871?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8532327703144807871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8532327703144807871' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8532327703144807871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8532327703144807871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/jos-eduardo-agualusa.html' title='José Eduardo Agualusa'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6796591149373221535</id><published>2008-03-22T08:39:00.000Z</published><updated>2008-03-22T08:41:04.333Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escola-educação-violência'/><title type='text'>A lei da rua- VPV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Vasco Pulido Valente &lt;/strong&gt;- 2008-03-22&lt;br /&gt;Na Escola Carolina Michaëlis do Porto, uma escola da classe média e não uma escola "problema" de um bairro popular, a professora de Francês (altamente qualificada, por sinal) confiscou um telemóvel a uma aluna. Quase com certeza porque o telemóvel interferia com a aula (ou porque estava a ser usado, ou porque tocava, ou por uma razão qualquer igualmente grave). A dita aluna berrou e agrediu a professora.Na Escola Carolina Michaëlis do Porto, uma escola da classe média e não uma escola "problema" de um bairro popular, a professora de Francês (altamente qualificada, por sinal) confiscou um telemóvel a uma aluna. Quase com certeza porque o telemóvel interferia com a aula (ou porque estava a ser usado, ou porque tocava, ou por uma razão qualquer igualmente grave). A dita aluna berrou e agrediu a professora. Não a deixou sair da sala. À volta, a turma ria e comentava: "Olha que a velha vai cair!", por exemplo. No fim, já havia um molho tumultuário e confuso, que outra criancinha prestavelmente filmava e que dali a pouco apareceu no YouTube e, a seguir, na televisão. Convém acrescentar que a professora era pequena e frágil e a aluna alta, anafada e forte. A brutalidade da coisa constrangia.&lt;br /&gt;Perante isto, os nossos comentadores descobriram logo um culpado: os pais. Toda a gente imagina a cantilena: pais que não se interessam pelos filhos; pais que não "educam" os filhos; pais que não lhes tramitem os "valores" do respeito, da dignidade e da convivência. Muito bem. Mas não me cheira que a aluna do telemóvel bata habitualmente nos pais como bateu na professora. Porquê? Porque não acredito que ela goze em casa a impunidade de que goza na escola. Na escola não lhe podem responder bofetada a bofetada. Não a podem em definitivo pôr fora do sistema de ensino (excepto com a aprovação pessoal do ministro). Não a podem sequer fazer perder o ano por faltas. Não há melhor ambiente para um tiranete. É a lei da rua. Em última análise, é a lei da violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OObservatório da Segurança em Meio Escolar (reparem no nome) registou 185 agressões (físicas, como é óbvio) a professores nos 180 dias do ano lectivo. Tirando as que não foram "participadas" por medo ou por vergonha. Mesmo assim: mais de uma por dia. E não se trata, como provou a Escola Carolina Michaëlis, de um fenómeno marginal, atribuível ao analfabetismo e à pobreza. O que essa monstruosidade indica é a profunda corrupção da escola pública. O Governo pretende agora "avaliar" os professores. Se existisse justiça neste mundo, devia "avaliar" primeiro a longa linha de ministros que desde Veiga Simão (um homem nefasto), Roberto Carneiro e Marçal Grilo arrasaram no ensino do Estado a autoridade e a disciplina e o tornaram na trágica farsa que hoje temos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6796591149373221535?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6796591149373221535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6796591149373221535' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6796591149373221535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6796591149373221535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/lei-da-rua-vpv.html' title='A lei da rua- VPV'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7269137670217150790</id><published>2008-03-21T10:43:00.000Z</published><updated>2008-03-21T10:44:49.726Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua'/><title type='text'>Muito barulho para nada VPV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;21/03/2008 Vasco Pulido Valente &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O dr. Vasco Graça Moura e outras pessoas sensatas fizeram o erro de atacar o acordo ortográfico luso-brasileiro em pormenor. A essência dessa monstruosidade acabou por se perder numa discussão técnica por que ninguém se interessa e que ninguém consegue seguir. A essência da questão é, no entanto, clara. A ortografia portuguesa e a ortografia brasileira são diferentes, porque a língua portuguesa e a língua brasileira são diferentes: a fonética, a sintaxe, a semântica. O brasileiro evoluiu e continua a evoluir de uma maneira e o português de outra. Este processo não vai evidentemente parar e vai reduzir a um triste exercício de futilidade qualquer acordo que os sábios de cá e de lá (e talvez depois de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné) se lembrem de congeminar. &lt;br /&gt;Compreendo que se olhe com inveja para o inglês que se escreve, com ligeiras variantes, da mesma maneira em metade do mundo. Mas quem inveja esta "universalidade" ao inglês não percebe com certeza em que base ela assenta. Assenta no protestantismo e na tradução de Bíblia de 1611, a King James Bible, que por todo o mundo foi o centro do culto e o livro em que se aprendia a ler. Durante séculos não ocorreu a nenhum cristão a ideia sacrílega de lhe alterar uma letra e esse respeito passou inevitavelmente para a vida profana. De resto, houve sempre uma literatura clássica, de Shakespeare a T.S. Eliot e de Hawthorne a Fiztgerald, que era considerada património comum e em que, por isso mesmo, não se tocava. Apesar da multiplicação de idiomas, ficou até hoje esse ponto de referência. Como sucedeu, em menor grau, com o castelhano.&lt;br /&gt;Ao acordo ortográfico luso-brasileiro, planeado com o fim "económico" da "expansão" e da "internacionalização" da língua, falta o fundamento. Não existe uma tradução da Bíblia geralmente reconhecida. Não existe também uma tradição literária comum ou perto disso. Camões, sendo um nacionalista português, não é um autor que se partilhe. Nem António Vieira. Camilo escreveu sobre o Brasil como quem escreve sobre o Porto. E Eça é demasiado indígena, pior ainda, lisboeta. Ao contrário, pouca gente conhece em Portugal Machado de Assis, para já não falar de Guimarães Rosa (um nativista) e de Drummond de Andrade. Sobram Pessoa, uma exportação difícil, e Jorge Amado, que se popularizou pela política. Não chega. O acordo ortográfico nasce no ar e morrerá depressa. Como de costume, muito barulho para nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7269137670217150790?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7269137670217150790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7269137670217150790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7269137670217150790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7269137670217150790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/muito-barulho-para-nada-vpv.html' title='Muito barulho para nada VPV'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-2118352666184298966</id><published>2008-03-15T09:09:00.000Z</published><updated>2008-03-15T09:11:06.461Z</updated><title type='text'>O MEC, de volta!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O dia da operação, no Público, 14.03.2008 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o leitor trincava a sua torradinha estava eu virado de lado, como uma corpulenta odalisca, a sentir tremer as ancas sob o efeito do ópio epidural e as burilações do Black &amp; Decker do cirurgião ortopédico. Enquanto os ossos do leitor avançam naturalmente para a decrepitude, um dos meus - a minha anca novinha em folha - terá escassas horas de uso, com todas as suas danças do ventre ainda pela frente. Como os ossos são o que fica de nós além da morte, os hospitais ortopédicos têm uma dignidade especial. Não é apenas dos vivos que cuidam - também estão a ajudar os arqueólogos dos séculos vindouros. Se hoje posso estar um bocadinho gordo, consola-me que daqui a uns séculos seremos todos magros. As ossadas parecer-se-ão muito umas com as outras. Descontada a carne, até é provável que o meu esqueleto seja considerado mais bem constituido do que o do trinca-espinhas do Brad Pitt. Mas esses ossos serão ninharias para os arqueólogos. Onde a vassourinha há-de deter-se é na beleza da minha prótese. Depois de soltá-la e soprá-la, hão-de flecti-la nas mãos, admirando a engenhosa construção e pronunciando-a avançadíssima. Para a época, claro. Acabará, com certeza, nalgum museu, junto às ferramentas da idade do Bronze. Como merece. Há uma breve parte da nossa vida em que os ossos se substituem a eles próprios. Mas depois dessa ilusão dos dentes de leite, nunca mais é a mesma coisa. Ao contrário das caudas das lagartixas e das pinças das sapateiras, os humanos têm de recorrer ao exterior para substituir as peças faltosas. Numa primeira fase, são peças pequenas e exteriores, como coroas dentárias. Depois já são necessárias peças maiores e interiores, como a minha anca. Aproveitem bem os dentes de leite, que essa mama não volta a acontecer! &lt;strong&gt;Miguel Esteves Cardoso&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-2118352666184298966?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/2118352666184298966/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=2118352666184298966' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2118352666184298966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2118352666184298966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/o-mec-de-volta.html' title='O MEC, de volta!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-6698444522320971649</id><published>2008-03-14T15:13:00.000Z</published><updated>2008-03-16T15:14:12.018Z</updated><title type='text'>O poder da "rua", por Baptista Bastos</title><content type='html'>As impressionantes manifestações registadas A descida à rua de milhares e milhares de manifestantes irritou alguns articulistas com pigarro, para os quais a existência do facto moral é um anacronismo absurdo. Um deles, que se diz “historiador”, chega classificar de ausência da razão as demonstrações de pura repulsa dos professores, cercados pelas imposições precipitadas.&lt;br /&gt;A artigalhada apareceu num matutino fundado para resistir “à l’air du temps”, e, agora, ideologicamente neoconservador, com assinalável quebra de credibilidade – e de tiragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, os professores não contestam as avaliações, sim o que lhes subjaz de improviso e de ligeireza. Os velhos mestres da suspeita estabeleceram as confusões habituais a fim de enxovalhar uma profissão admirável e tão vilipendiada. O poder da rua foi (tem sido, é) de tal modo persuasivo que o Governo tem vindo a alterar decisões até agora “inabaláveis.” É razoável que assim proceda. A nossa História próxima recente está pontuada de episódios de idêntica natureza, que nobilitam os políticos e engrandecem a substância da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imponente manifestação dos cem mil assinalou, de novo, à luz das urgências contemporâneas, a consciência moral de uma população, preocupada com as derivas “políticas” mas que age impulsionada por motivos cívicos. E quando alguns preopinantes estipendiados e ex-trotsquistas convertidos aos prestígios do capitalismo declamam um anticomunismo protozoário, como justificação das próprias debilidades de carácter, a atoarda já não cola. O que os obsidia é ver como os ofendidos se revoltam e como a sua revolta os qualifica de indignos de um combate que lhes não pertence. Afinal, esses “ex”, que estavam à esquerda de tudo, constituíram-se como ponte de passagem para a organização da sua própria vidinha. E não são tão poucos quanto isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua foi, no fascismo, a explicação veemente e extremamente corajosa da indignação de um povo, perante um Governo ilegal porque não saído do voto. É uma história exaltante. Nos dias 5 de Outubro (comemoração da República) e 1.º de Maio (Dia do Trabalhador) grupos de pessoas iam-se juntando, concentrando-se nas praças e nos largos principais das cidades. Em Lisboa, no Rossio. Fui espectador e até protagonista de alguns episódios dramáticos. Quando o Rossio apresentava um aspecto significativo, pela quantidade de gente, agentes da PSP e da PIDE/DGS tapavam as ruas circundantes. Os manifestantes começavam, então, aos gritos de “Abaixo o fascismo!”, “Viva a Liberdade!”, “Viva a Democracia!” Eram violentamente espancados por polícias à paisana e por legionários espalhados por aqui e por além. Entendiam, os resistentes, que o acto de estar possuía uma forte componente moral. E era verdade. O antifascismo não representava nenhuma corrente ideológica: era uma posição moral; por isso reuniu republicanos, monárquicos, socialistas, comunistas, anarquistas, católicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra o delírio histórico, a barreira de homens honrados e livres, independentemente de serem de Direita ou de Esquerda. O regresso da Democracia, com a II República, advinda do 25 de Abril, recompôs o tecido político, e cada qual foi para o partido que correspondia às suas convicções. Quando, há tempos, alguém disse que os antifascistas dispunham de excesso de memória histórica, a afirmação estava certa: evocava o horror que se viveu, e que, até hoje, se não restituiu, na sua totalidade, à pedagogia do conhecimento. Como se fez em França, e está a fazer-se, por exemplo, em Espanha. E a rua foi o local exacto (como, em Democracia, o é também) para a exposição dos nossos desagrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem medo da rua? Os que desprezam a evidência dos factos. Aqueles que o decurso da História aponta à execração popular. A sociedade do silêncio e da traição. É instrutivo verificar que aqueles dos governantes saídos da abdicação e do perjúrio, outrora inflamados gritadores, deixaram de comemorar, na rua, a data que nos reentregou a liberdade. Há, nesta gente, uma estranha e doentia mortificação, que a impele ao insulto, à injúria, à mentira e à calúnia. Claro que, quando saem do Governo, são alojados em lugares seguros com salários chorudos; porém, estão ferrados com a ignomínia e repelidos pelo nojo que causam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais dizem que o Governo tem recuado. Não será a palavra mais rigorosa. Diria que o Governo tem reflectido melhor e emendado a mão. As opiniões críticas que se têm registado em alguns jornais, não em todos, em alguns, conseguiram atenuar e, até, abafar, o alarido de “comentadores” obedientes ao solfejo do suserano. A rua, na sua trivial realidade, é consequência e concentrado de todas as vozes. O individualismo teatral sempre foi contrário à vontade de felicidade e ao cuidado de coerência testemunhados por aqueles que não andam na vida com esfuziante leviandade. Dentro de pouco tempo, esses que tais ajeitar-se-ão às modalidades do momento. Como na invasão do Iraque, os que a apoiaram já tentam remanejar o que afirmaram. A conivência, neste último caso, atinge territórios malditos. Porque o que aconteceu e acontece no Iraque configura as dimensões dos crimes de guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num belíssimo verso de um belíssimo poema, Vitorino Nemésio escreveu: “A hora do extensível força a possibilidade.” Nada mais certo. A possibilidade das coisas torna extensível as infinitas possibilidades do nosso querer. E o homem, quando quer, consegue tudo quanto quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-6698444522320971649?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/6698444522320971649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=6698444522320971649' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6698444522320971649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/6698444522320971649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/o-poder-da-rua-por-baptista-bastos.html' title='O poder da &quot;rua&quot;, por Baptista Bastos'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-4823654146757927207</id><published>2008-03-14T09:11:00.000Z</published><updated>2008-03-15T09:13:45.450Z</updated><title type='text'>O MEC</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_yiayhyZKtK4/R9uS-7T_XLI/AAAAAAAAATE/tRNNm64oczo/s1600-h/MEC.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_yiayhyZKtK4/R9uS-7T_XLI/AAAAAAAAATE/tRNNm64oczo/s400/MEC.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177893806363598002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-4823654146757927207?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/4823654146757927207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=4823654146757927207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/4823654146757927207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/4823654146757927207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/o-mec.html' title='O MEC'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_yiayhyZKtK4/R9uS-7T_XLI/AAAAAAAAATE/tRNNm64oczo/s72-c/MEC.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-185360623336793788</id><published>2008-03-13T16:57:00.000Z</published><updated>2008-03-13T16:58:37.507Z</updated><title type='text'>Notícias do meu País</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Mário Crespo, Jornalista &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Maria de Lurdes Rodrigues não tem condições para continuar a gerir o sistema de educação em Portugal. Porque já não é eficaz nessa função. Porque é um facto insofismável que o pessoal que ela administra não aceita a sua administração. Isso esvazia de conteúdo as suas funções. Já não está em causa a eficácia da sua política. A questão é que ela não vai conseguir implementar as boas ideias que tem, nem impor as más. O argumento de a manter no cargo para não "desautorizar" o Primeiro-ministro é falso e perigoso. Mantendo-a nas funções que desempenha a desautorização do governo de Sócrates é constante. Chegou a altura de ver que isso é mau para os alunos. Só podem ser eles quem está em causa. Não pode haver razões de defesa de imagem política que justifiquem esta intransigência porque a manutenção de um percurso de imposição administrativa começa a ser um risco de segurança nacional. É péssimo para o quotidiano escolar ter um sistema totalmente desautorizado com professores a desafiarem o governo e o governo a desautorizar-se em frémitos de afirmação de voluntarismo vazio. &lt;br /&gt;Da necessidade de reformas sabe-se com fundamento científico desde o trabalho de Ana Benavente que denunciou que um quarto dos portugueses mal sabia ler e que só dez por cento da população é que entendia completamente aquilo que está escrito. Mas esse estudo tem década e meia e nada de substancial foi feito no entretanto. Por isso, o que está em questão não é a avaliação de professores. Apreciações de desempenho são meros pormenores de gestão de pessoal. O que é preciso, como consta de uma lúcida reflexão dos docentes da Escola Rainha D. Amélia, é fazer a escola cumprir com as suas funções na socialização de crianças e jovens. É promover a criação de hábitos de disciplina interiorizados que se multipliquem depois na vida adulta. Entre Cavaco Silva, o governante confrontado com o estudo de Ana Benavente, e José Sócrates, este processo de calamitosa estupidificação do país não foi interrompido por um projecto lúcido. O governo actuou agora como se o problema estivesse nos docentes e não no sistema de docência e nos curricula. Actuou como se o problema único de Portugal fosse o do excesso de privilégios e não o do defeito de cultura. &lt;br /&gt;E assim as frágeis construções da demagogia política trouxeram, mesmo com a intimidação de PSPs à paisana e processos disciplinares da DREN, uma centena de milhar para as ruas de Lisboa. E o Primeiro-ministro mostrou a sua fibra assistindo em silêncio ao martírio de Maria de Lurdes Rodrigues que se desdobrou nas TVs a tentar demonstrar o indemonstrável axioma socrático que a sua política é infalível e o défice de compreensão é do país. A resposta de Sócrates foi a de marcar uma manifestação de desagravo para o Porto. Primeiro era para ser na rua, depois numa praça, depois num pavilhão e vai sempre soar a falso no clamor sem fim das turbas dos indignados. Foi um contra-ataque ridículo no meio de muito comportamento bizarro. O Professor Augusto Santos Silva protagonizou o momento de infelicidade quando em Chaves quis assinalar os três anos de governação numa espécie de estágio para o anunciado comício do desagravo. Foi vaiado. Ripostou tentando conjurar os seus Manes. Invocou os nomes dos pais fundadores, dos velhos companheiros que diz serem os seus da luta que diz ser a sua. Salgado Zenha, Mário Soares e Manuel Alegre. E nenhum lhe respondeu. Tentou depois o exorcismo, amaldiçoando os seus demónios pessoais, os grandes e os mais pequenos. Álvaro Cunhal e Mário Nogueira. E nenhum lhe respondeu. Ouviu vaias cada vez mais altas e a voz embargou-se e disse: "eu não me calo...eles calam-se primeiro que eu." Depois repetiu, baixinho como que a querer convencer-se "...eles calam-se primeiro que eu". E não se calaram. Ao ouvir na Antena 1 este terrível registo de desgovernação só me ocorreram as sábias palavras de Juan Carlos para o tiranete venezuelano: "por que no te callas".&lt;br /&gt;Mário Crespo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras (10.3.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-185360623336793788?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/185360623336793788/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=185360623336793788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/185360623336793788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/185360623336793788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/notcias-do-meu-pas.html' title='Notícias do meu País'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-2621084399338505646</id><published>2008-03-13T14:15:00.000Z</published><updated>2008-03-13T14:16:02.814Z</updated><title type='text'>Pergunta ao vento que passa</title><content type='html'>do dn-13/03- Ferreira Fernandes&lt;br /&gt;Os dez milhões de portugueses devem congratular-se com a tal foto do DN: a mulher do n.º 2 do partido do Governo foi a uma manifestação contra uma política do Governo. Metade deles, então, deve rejubilar-se. Como lembrou o marido (que não me pareceu enganado, só conformado com os percalços eventuais que traz a liberdade dos outros): "Há muito que as portuguesas conquistaram os direitos políticos." De facto, é de lembrar: antes do 25 de Abril, para ir ao estrangeiro, as portuguesas precisavam da autorização do marido. Que evolução ter-se chegado a este bendito desplante de ir para o território estrangeiro que é uma rua do contra, sem dizer água-vai ao marido que é da situação. Dito isto, boa malha, a do meu jornal. Eu (à civil, sem funções de jornalista) passando pela manifestação e reconhecendo a senhora, a primeira coisa que diria aos meus amigos, no café, seria: "Sabem quem estava na manif?" Gosto dos jornais que me tratam como eu trato os meus amigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-2621084399338505646?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/2621084399338505646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=2621084399338505646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2621084399338505646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2621084399338505646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/pergunta-ao-vento-que-passa.html' title='Pergunta ao vento que passa'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-5556582649816275300</id><published>2008-03-12T15:20:00.000Z</published><updated>2008-03-16T15:20:47.403Z</updated><title type='text'>O Poder da Rua, por Baptista Bastos</title><content type='html'>As impressionantes manifestações registadas nas últimas semanas, e continuadas um pouco por toda a parte, assumem a forma e o conteúdo de um severo depoimento contra o Governo. Não se trata de turbulências comunistas, como já o disse José Sócrates e, iradamente, o repetiu Augusto Santos Silva, cujas "verdades" surgem cada vez mais avariadas. A "rua" foi a demonstração categórica do desequilíbrio entre quem pensa em termos estatísticos e quem é vítima desse equívoco. E uma vigorosa afirmação de civismo. Há dias, conversei com Raul Solnado sobre a natureza do Estado e o domínio pelo domínio exercido, repetidamente, pelo Governo, esquecido de que a força da República é a virtude, e a sua fraqueza a soberba. Sobre ser um amigo de há mais de 40 anos, Solnado é homem sábio, de frase pensada e advertida inteligência, com quem apetece discretear. Disse: "Gostaríamos de sentir que este Governo tem vontade de transformar e de modernizar o País. Por outro lado, a sua arrogância e autismo quer arrastá-lo para uma democracia musculada, o que é assustador. Eles distanciaram-se de nós."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentação de se construir contra o outro destrói o laço social, fonte e apoio do tecido colectivo, assinalado por Solnado como silogismo. E essas regras perturbadoras têm por objectivo limitar a interferência cívica e proteger o autoritarismo governamental. O facto de este Governo dispor de maioria absoluta não significa que actue em absolutismo. Há, manifestamente, ausência de diálogo e um poderoso dispositivo autoritário que liquidam a coexistência de duas sinalizações fundamentais em democracia: a dos governantes e a dos governados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdeu-se de vista o reconhecimento da igualdade, do direito de protesto e do dever de memória. Este Governo criou uma tensão dramática de tal ordem e um destempero de tal jaez que levaram o primeiro-ministro a afirmar-se indiferente para com a imponente manifestação dos professores, invocando uma "razão" cuja natureza só poderá ser explicada através da nebulosa em que ele parece viver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arrogância é uma deformação moral; o preconceito, uma doença de educação; o desdém, uma chaga de quem se presume superior. Sócrates criou uma criatura que escapou ao seu controlo. Não pode mudar: de contrário, deixa de ser quem julga ser. E, sendo-o, na obstinação de quem não tem dúvidas, perde o respeito daqueles para os quais a democracia não existe sem comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de alguns preopinantes, suponho que, se a ministra da Educação fosse embora, abrir-se-iam as portas ao diálogo. Porque (é inevitável) irão aparecer novas regras de jogo e outras instâncias de organização que terão em conta as específicas oscilações históricas. Nascidas, não o esqueçamos, da "rua".|&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-5556582649816275300?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/5556582649816275300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=5556582649816275300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5556582649816275300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/5556582649816275300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/o-poder-da-rua-por-baptista-bastos_12.html' title='O Poder da Rua, por Baptista Bastos'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7092309618891102144</id><published>2008-03-09T17:24:00.000Z</published><updated>2008-03-16T17:25:34.591Z</updated><title type='text'>EM MEMÓRIA DO GUARDA RICARDO</title><content type='html'>EM MEMÓRIA DO GUARDA RICARDO, por Nuno Brederode Santos&lt;br /&gt;Ainda tenho gravada na memória a invasão, pela polícia de choque, do Hospital de Santa Maria, durante a greve de 1962. Não só a brutalidade, das coronhas e dos "casse-têtes", mas sobretudo a furiosa cegueira - excitada, ansiosa e sem critério - daqueles mastins antropomórficos, deformados nos seus chumaços pardos. Vi a pancada seca na calva de Lindley Cintra e um risco vermelho a abrir-se, para deixar correr o sangue, enquanto o corpo desabava com inesperada lentidão. Já em corrida, vi depois, sentado no muro baixo e segurando a cabeça aberta, o Luís Osvaldo Dias Amado, ensanguentado e lívido. Curiosamente, dois professores, atravessando por nós os corpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após este baptismo de fogo, nunca mais encarei a violência policial com o mesmo espanto e a mesma revolta. Dias depois, quando o espancado foi o Vítor Wengorovius - de quem era, e sempre fui, grande amigo - eu já tinha uma abordagem "técnica" da ocorrência. Porque a virgindade do espanto e da revolta, essa perdera-a em Medicina, ao ver, a quatro ou cinco metros de distância, o suave martírio de Lindley Cintra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tal modo que, ao cabo de alguns anos, já a violência que eu sentia como verdadeiramente opressiva e humilhante nem era a da pancada. Era estarmos três ou quatro cidadãos a conversar na rua (provavelmente antes ou depois de uma manifestação), passar por nós um qualquer anónimo de gabardina e dizer, numa surdina paternalista: "Vamos a circular, que eu não quero ajuntamentos." Porque era tão óbvio de onde lhe vinha aquela estranha autoridade, que a nenhum de nós ocorria perguntar: "E quem é Você? E o que tem a ver com isso?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, porém, explicar a um jovem de vinte e tal anos as razões por que a minha geração (tal como o que resta das anteriores) trouxe para o 25 de Abril estes fantasmas? Como dizer-lhe que não se pode excluir que um pouco da memória do outro lado - o dos mastins do capitão Maltez e dos anónimos da gabardina - possa ter perdurado, não nos homens (que já não são os mesmos), mas nos pequenos atavismos das instituições? Não é fácil, se não fizermos, com a geração dele, o esforço que lhe exigimos para com a nossa. Claro que ele conhece um pouco da brutalidade policial. Mas nada que se compare à da "democrática" polícia francesa que eu vi actuar nesses anos sessenta. E também conhece o laxismo policial. Mas nada que se compare com a timorata abstenção policial, que eu vi em Oslo nos anos noventa, perante motards da extrema-direita, armados de cacetes e correntes de bicicleta. Ele compreende tudo isso. Mas não percebe que a polícia de um Estado de direito não cumpra a lei ou que, quando a cumpre, arroste com as culpas da lei que cumpre. Se a lei está mal, mudem-na. E tem razão. Ou, pelo menos, mais razão do que nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há Estado em que os agentes da polícia sejam os sages do reino. (Não mandem, por exemplo, polícias de giro apurar quantas camionetas saem de um sítio à mesma hora, por muito logísticas que sejam as preocupações de quem ordena - porque uma vez irão perguntar ao sindicato, e dá inquérito, e, na seguinte, vão perguntar às escolas, e dá inquérito). O exercício da função policial - o exercício de toda a função repressiva do Estado - terá sempre, para ser legítimo e aceitável, de mover-se entre a insuficiência e o excesso, entre o laxismo e a brutalidade. Mas há Estados de direito, como o nosso, em que um qualquer D.L. 406/74, de 29 de Agosto, ainda se permite regulamentar (e condiconar) o "livre exercício", pelos cidadãos, do direito de "se reunirem pacificamente em "lugares () particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários () à ordem e à tranquilidade públicas". Por muito que a conjuntura histórica possa ter justificado este parreco, digam--me lá o que é que isto faz na nossa ordem jurídica. E contudo, quando se trata dos direitos de reunião e manifestação, este é um diploma que as autoridades - e a polícia também - devem fazer acatar. Mas nele não estão só envolvidos os três maiores partidos do regime (sendo que o Bloco apenas não existia e o CDS até se queixava de não estar no Governo). Estamos todos os que, estando à data de boa saúde mental, deixámos correr trinta e quatro anos sem balbuciar uma estranheza. Fica à consciência dos deputados da Nação. Que devem estar mais próximos da sageza de Estado do que o tal polícia de giro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7092309618891102144?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7092309618891102144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7092309618891102144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7092309618891102144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7092309618891102144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/em-memria-do-guarda-ricardo.html' title='EM MEMÓRIA DO GUARDA RICARDO'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-2068375217047308271</id><published>2008-03-09T08:56:00.000Z</published><updated>2008-03-20T08:57:20.683Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação- manifestação'/><title type='text'>E AGORA? Daniel Sampaio</title><content type='html'>&lt;strong&gt;da Pública&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O dia seguinte: escrevo no Domingo dia 9, os professores regressaram a casa e amanhã é dia de aulas. Pergunto: e agora? &lt;br /&gt;Quando esta crónica for publicada tudo pode estar diferente, porque a dinâmica do protesto torna imprevisíveis as suas consequências. &lt;br /&gt;Um dos aspectos salientes desta crise é como o problema se focou numa pessoa, a Ministra da Educação. Mais do que discutir o futuro, os professores desejam a sua queda. Por uma razão: desde o primeiro dia sabem que Maria de Lurdes Rodrigues centrou a sua acção na mudança do quotidiano dos docentes. O seu primeiro erro foi procurar demonstrar que os professores trabalhavam pouco, publicando as suas faltas: aí, começou a perder uma eventual base de apoio para a mudança e a sua queda começou a ser anunciada. Depois, as famosas aulas de substituição (de que sou um defensor) foram postas em prática de modo pouco claro, porque foi acentuada a necessidade do preenchimento das horas lectivas, em vez de ter sido enfatizada a sua importância para os alunos. Seguiu-se muita legislação, dificultando a nível central a prometida autonomia das escolas, com destaque para o concurso para professor titular, o estatuto do aluno (já por mim analisado) e a avaliação. &lt;br /&gt;A grande contestação iniciou-se com a progressão na carreira, processo que deixou marcas e muitas dúvidas: como pode alguém aceitar que sejam apenas considerados os últimos sete anos, em pessoas com um longo e difícil desempenho profissional? E continuou com a avaliação: quem pode avaliar, se o sistema não se avalia a si próprio? O método proposto contribuirá para o aumento da conflitualidade interpessoal nas escolas (docentes a dar notas a colegas do lado) e não será susceptível de comparação, porque se baseia em critérios de muita subjectividade. &lt;br /&gt;Mais valia esta equipa ministerial ter começado por três áreas fundamentais: 1) melhorar a autonomia das escolas, unindo-as à volta de programas concretos de intervenção, com resultados mensuráveis; 2) modificar a formação de professores, de modo a que se tornassem mais capazes para lidar com alunos problemáticos, através do treino em pedagogias diferenciadas e da articulação com apoios a vários níveis; 3) dotar o sistema de instrumentos de avaliação, como exames pelo menos no 6º e 9º anos, de modo a percebermos por onde vamos bem e onde fracassamos (sem aferições comparáveis não se pode dizer que estamos melhor, porque tentamos "comparar" coisas diferentes). Do modo como procedeu, o Ministério da Educação (ME) não centrou a sua acção na melhoria dos alunos, antes mostrou a sua obsessão no controlo de quem ensina: os resultados estão à vista. &lt;br /&gt;O impasse a que se chegou merece medidas concretas. Compreende-se que a equipa do ME se mantenha, porque o PR, o governo e o representante (?) dos pais a apoia; percebe-se que a contestação não vai parar, porque a crítica foi personalizada e o descontentamento é grande. Que fazer? Como em qualquer conflito grave, é necessária uma mediação, como já foi sugerido. O Conselho Nacional da Educação (CNE), que tem por função propor "medidas destinadas a garantir a adequação permanente do sistema educativo aos interesses dos cidadãos" tem de intervir: os seus 68 conselheiros não podem permanecer num silêncio que se estranha e, como "estrutura de representação ampla", têm de "propor consensos alargados relativamente à política educativa". Um parecer do CNE sobre a avaliação dos professores e uma mediação professores-ME a cargo do seu Presidente (Prof. Júlio Pedrosa) parecem-me essenciais para sair da crise. Se tudo continuar como até aqui, todos dirão que não recuam, mas não haverá reformas na educação, o clima escolar sofrerá progressiva deterioração e os alunos (a quem ninguém pede opinião...) serão os mais prejudicados. &lt;br /&gt;Uma mediação bem conduzida mostrará alguns aspectos positivos desta equipa do ME: os cursos profissionais, o Plano Nacional de Leitura, o inglês no primeiro ciclo, a permanência por três anos dos professores nas escolas; e evidenciará a necessidade de outras formas de escuta e participação dos docentes no futuro da educação, afinal aquilo que falhou de forma tão clara. &lt;br /&gt;(Nota: tenho recebido abundante correspondência de professores. Muitos apreciam o que tenho escrito, outros criticam a minha suposta "inversão de marcha", a propósito de críticas recentes à actual equipa do ME. Agradeço a todos e lembro aos últimos: digo sempre o que penso e não pretendo ser consensual, por isso apoio ou critico quando entendo, em liberdade. Sempre assim foi e continuará a ser.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-2068375217047308271?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/2068375217047308271/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=2068375217047308271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2068375217047308271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/2068375217047308271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/e-agora-daniel-sampaio.html' title='E AGORA? Daniel Sampaio'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-517831182139707021</id><published>2008-03-02T18:36:00.000Z</published><updated>2008-03-20T18:38:11.736Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='avaliação de professores'/><title type='text'>VPV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A avaliação dos professores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como se pode avaliar professores, quando o Estado sistematicamente os "deseducou" durante 30 anos? Como se pode avaliar professores, quando o ethos do "sistema de ensino" foi durante 30 anos conservar e fazer progredir na escola qualquer aluno que lá entrasse? Como se pode avaliar professores, se a ortodoxia pedagógica durante 30 anos lhes tirou pouco a pouco a mais leve sombra de autoridade e prestígio? Como se pode avaliar professores, se a disciplina e a hierarquia se dissolveram? Como se pode avaliar professores, se ninguém se entende sobre o que devem ser os curricula e os programas? Como se pode avaliar professores se a própria sociedade não tem um modelo do "homem" ou da "mulher" que se deve "formar" ou "instruir"?&lt;br /&gt;Sobretudo, como se pode avaliar professores, se o "bom professor" muda necessariamente em cada época e cada cultura? O ensino de Eton ou de Harrow (grego, latim, desporto e obediência) chegou para fundar o Império Britânico e para governar a Inglaterra e o mundo. Em França, o ensino público, universal e obrigatório (grego, latim e o culto patriótico da língua, da literatura e da história) chegou para unificar, republicanizar e secularizar o país. Mas quem é, ao certo, essa criatura democrática, "aberta", tolerante, saudável, "qualificada", competitiva e sexualmente livre que se pretende (ou não se pretende?) agora produzir? E precisamente de que maneira se consegue produzir esse monstro? Por que método? Com que meios? Para que fins? A isso o Estado não responde.&lt;br /&gt;O exercício que em Portugal por estúpida ironia se chama "reformas do ensino" leva sempre ao mesmo resultado: à progressão geométrica da perplexidade e da ignorância. E não custa compreender porquê. Desde os primeiros dias do regime (de facto, desde o "marcelismo") que o Estado proclamou e garantiu uma patente falsidade: que a "educação" era a base e o motor do desenvolvimento e da igualdade (ou, se quiserem, da promoção social). Não é. Como se provou pelo interminável desastre que veio a seguir. Mas nem essa melancólica realidade demoveu cada novo governo de mexer e remexer no "sistema", sem uma ideia clara ou um propósito fixo, imitando isto ou imitando aquilo, como se "aperfeiçoar" a mentira a tornasse verdade. Basta olhar para o "esquema" da avaliação de professores para perceber em que extremos de arbítrio, de injustiça e de intriga irá inevitavelmente acabar, se por pura loucura o aprovarem. Mas loucura não falta. &lt;br /&gt;Jornal Público&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-517831182139707021?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/517831182139707021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=517831182139707021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/517831182139707021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/517831182139707021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/vpv.html' title='VPV'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-813211673784046812</id><published>2008-03-02T08:52:00.000Z</published><updated>2008-03-20T08:53:40.247Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação- Estatuto do Aluno'/><title type='text'>Daniel Sampaio, Porque sim</title><content type='html'>O FIM DO ESTATUTO&lt;br /&gt;O Ministério da Educação (ME) tomou a decisão de suspender a aplicação do Estatuto do Aluno até ao próximo ano lectivo (circular para as escolas em 21/2). Com esta decisão matou uma das suas obras mais recentes, na tentativa de acalmar a contestação crescente em todas as escolas. &lt;br /&gt;Tenho denunciado nestas crónicas a lamentável burocracia a que o ME tem obrigado os professores: a avaliação dos docentes, o decreto sobre as necessidades educativas especiais e as faltas dos estudantes fazem com que se consumam horas de trabalho, que deveriam ser utilizadas a falar com os alunos ou na definição de estratégias pedagógicas. E para quê? Uma única explicação ganha forma: o ME não fala verdade quando defende a autonomia e deixa, a cada dia que passa, a ideia de que tudo quer controlar por via legislativa. &lt;br /&gt;O Estatuto do Aluno é um documento errado no seu conteúdo, impossível de aplicar na prática e potenciador de conflitos entre pais, alunos e professores. Foi suspenso, mas já causou danos. Vejamos porquê. &lt;br /&gt;1) Não faz distinção entre faltas justificadas e injustificadas, ao contrário do que sempre aconteceu. Desta forma, o ME trata da mesma forma o aluno que faltou por doença e aquele a quem não apeteceu comparecer na escola. &lt;br /&gt;2) O aluno terá de realizar uma "prova de recuperação" quando exceder o limite de faltas. Se um aluno esteve internado num hospital, por exemplo, quando vier fazer a "prova" correrá o risco de não ter sucesso, dado que não assistiu às aulas respectivas; se efectivamente abandonou a escola, para que serve a "prova"? Por que razão se altera a prática de ser o Conselho de Turma a decidir, tendo em conta todas as circunstâncias? &lt;br /&gt;3) Para a realização da "prova de recuperação", o Director de Turma (DT) terá de avisar com urgência o professor respectivo, para que este elabore a tal "prova"; depois, deverá dar conhecimento ao Encarregado de Educação. Com 16 disciplinas no 8º ano (por ex.) e a diversidade de horários existente, agora com a obrigatoriedade urgente do controlo das faltas, depressa se compreende como as importantes funções do DT ficam prejudicadas, pois não lhe sobrará tempo para falar com os alunos ou os pais em questões decisivas, como o aproveitamento e os problemas pessoais dos mais novos. Este ME acaba de reduzir o DT a um burocrata! &lt;br /&gt;4) Sabendo toda a gente como existem tantos alunos a faltar (sobretudo em zonas problemáticas), não se percebe a viabilidade de realização de tantas provas de recuperação, pois como poderia ser encontrado um horário compatível para docentes e discentes? Por que razão não se utiliza apenas bom senso, solicitando ao professor um trabalho adicional, a combinar entre si e o aluno faltoso, como é habitual em tantos estabelecimentos de ensino? O que o ME propõe com tanta "prova" leva ao que várias escolas me têm confidenciado: a única solução será uma época "especial" de avaliação para as ditas "provas"! &lt;br /&gt;5) No que diz respeito a "medidas disciplinares sancionatórias", o ponto 4 do Art. 27º diz ser preciso ouvir os alunos em "autos". Para além da desagradável expressão (a lembrar os arguidos dos tribunais), a medida tem levado a grande consumo de horas em escolas problemáticas, em vez de se ter reforçado a actuação imediata do professor ou da Direcção Executiva. &lt;br /&gt;6) Lendo com atenção o Estatuto, deduz-se que a sua preocupação se prende com a redução estatística do abandono escolar, ignorando todas as outras vertentes do problema, já que o texto do ME é omisso em medidas que visem as melhorias das aprendizagens. &lt;br /&gt;7) O diploma em causa foi suspenso um mês depois da sua entrada em vigor. Não houve cuidado em pensar nos Regulamentos Internos das escolas, dados a conhecer aos alunos e aos pais no início do ano lectivo. Uma lei que implica tantas alterações ao normal funcionamento das escolas e às suas normas (em muitas escolas resultantes de acordos com as famílias) nunca deveria ter saído a meio do ano lectivo. Mais: se por um lado se saúda a sua suspensão, por outro há que lamentar todo o tempo que este Estatuto já fez perder aos professores, tantas as horas que já foram gastas na tentativa da sua aplicação. &lt;br /&gt;Por isso afirmo: o Estatuto tem de estar morto, nunca apenas suspenso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-813211673784046812?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/813211673784046812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=813211673784046812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/813211673784046812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/813211673784046812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2008/03/daniel-sampaio-porque-sim.html' title='Daniel Sampaio, Porque sim'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-4446402713823170970</id><published>2007-11-18T08:40:00.000Z</published><updated>2007-11-18T08:46:13.083Z</updated><title type='text'>Crónica de Daniel Sampaio</title><content type='html'>&lt;a href="http://jornal.publico.clix.pt/"&gt;&lt;strong&gt;Bons professores&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://delivery.gettyimages.com/xc/ECO_027.jpg?v=1&amp;c=NewsMaker&amp;k=2&amp;d=985ADB32E3700640C430FF0C47BAF891"&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada foi tema o bom professor: estiveram em causa a atribuição do Prémio Nacional de Professores e dos Prémios de Mérito, que distinguiram quatro docentes do ensino público. Vale a pena pensarmos um pouco sobre o que permite distinguir quem ensina bem nos dias de hoje. &lt;br /&gt;É nítido o mal-estar de muitos professores. Ignorar essa realidade é contribuir para que nada mude nas nossas escolas, porque não haverá mudança significativa sem o empenhamento daqueles que a poderão levar à prática. Convém, no entanto, compreender que o problema não é exclusivo do nosso país, pois está relacionado com o significado e funções das escolas na actualidade. &lt;br /&gt;As mudanças sociais tendem a atribuir à escola um novo conjunto de funções, nem sempre bem definidas: além de instruir, os professores são chamados a apoiar, socializar ou encaminhar para outros contextos alunos com histórias de vida, expectativas e capacidades muito diferentes. Quando a escola é obrigatória e pretende integrar no seu seio todos os jovens, vê-se confrontada com todos os problemas familiares e sociais que os alunos levam consigo. Curiosamente, a formação dos docentes sofreu poucas alterações: continua a ter como ponto de partida uma formação universitária que ignora por completo as características psico-sociais da população objecto do ensino, ou "actualiza-se" através de acções formativas coordenadas por técnicos exteriores à escola, com conteúdos teóricos desligados da realidade. &lt;br /&gt;Os próprios professores perderam o papel cultural de que outrora eram exemplo. Ao não produzirem o conhecimento que são chamados a reproduzir (organizado no Ministério, às vezes por colegas que abandonaram a escola) e ao confrontarem-se com novas fontes de informação alternativas à escola (televisão, Internet, culturas juvenis), depressa precisam compreender que o lugar de mestre incontestado do passado já não tem possibilidade de se manter: torna-se imperioso modificar o seu papel tradicional e abrir caminho a uma nova maneira de estar, muito mais coordenador de pesquisa e gestor de grupo de trabalho do que transmissor expositivo de manual para aluno médio. &lt;br /&gt;Se os alunos são diferentes, as escolas também o são. Por vezes afirma-se que caminhamos para a sua autonomia, mas o percurso é lento e cheio de contradições. Há um abismo entre a teoria e a prática: se o desejo é autonomizar, por que razão se legisla tanto a nível central? Os professores de hoje perdem-se entre circulares, despachos normativos, portarias e decretos, num tempo precioso para outras actividades. A dependência do poder central continua a ser grande, enquanto é bem pequena a margem de manobra para inovar e adaptar o currículo à população estudantil que se pretende servir. A questão decisiva é esta: continua a ser diminuta a capacidade para o professor se movimentar, porque na realidade ele só se desloca num contexto cujas condições pouco pode mudar; e as alterações permanentes desse complexo contexto exigiriam, pelo contrário, uma flexibilidade notável. &lt;br /&gt;Além do que já foi dito, mudou profundamente o relacionamento professor/aluno. Com a aproximação das gerações em todas as famílias e com a entrada obrigatória na escola de muitos jovens para quem essa obrigatoriedade faz pouco sentido, a hierarquia tradicional perturbou-se: o que diz o professor já não é aceite como lei e pode ser contestado, às vezes com agressividade. O problema da violência nos estabelecimentos de ensino portugueses não tem grande dimensão, mas do ponto de vista psicológico é inquietante: saber que um aluno pode agredir o professor (mesmo que isso não seja frequente) é a introdução permanente da insegurança na relação, no lugar onde deveria existir confiança e respeito mútuo. &lt;br /&gt;Os momentos difíceis que vivemos nas escolas não nos podem fazer desistir. Mesmo alguns resultados positivos no combate ao insucesso do secundário, por exemplo, precisam de ser confirmados e avaliados em circunstâncias comparáveis, pois logo aparecem as desilusões do básico ou a incapacidade visível de tantos alunos para compreender o mundo. &lt;br /&gt;Os professores premiados, contudo, enchem-nos de esperança: mostram que é possível trabalhar com entusiasmo, estimular a descoberta em conjunto e ser um exemplo para os mais novos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-4446402713823170970?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/4446402713823170970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=4446402713823170970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/4446402713823170970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/4446402713823170970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2007/11/crnica-de-daniel-sampaio.html' title='Crónica de Daniel Sampaio'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-707007990622975960</id><published>2007-08-27T00:34:00.000Z</published><updated>2007-08-27T00:39:34.268Z</updated><title type='text'>Uma paixão ao longo das décadas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Uma paixão ao longo das décadas&lt;br /&gt;Ainda é giro ter um Mini&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_yiayhyZKtK4/RtIdDmHFn1I/AAAAAAAAAGU/gTrFJPm6lek/s1600-h/%C3%A9+giro+ter+um+mini.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_yiayhyZKtK4/RtIdDmHFn1I/AAAAAAAAAGU/gTrFJPm6lek/s400/%C3%A9+giro+ter+um+mini.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103173275371282258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Mini encarnado custou 56 contos e 160 escudos. Jorge frequentava o último ano de Medicina quando o pai lho ofereceu, em 1971. Madalena casou com Jorge e adoptou o Mini. Hoje, 36 anos depois, a professora recorda-o com emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traz-lhe de volta o Jorge e a Madalena que estavam a começar a vida. “Não tínhamos emprego, dinheiro, recursos. Tínhamos projectos e tempo à nossa frente.” Não precisavam de mais nada para se fazerem ao caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais giro do que ter um Mini – como na época garantia o slogan – foi “ter 20 ou 25 anos, partir de Lisboa com uma tenda e pouco mais, rumo a qualquer destino que apetecesse no caminho”. E continuar a viagem com um filho, que comia bananas no banco de trás, acomodado entre o material de campismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carrinho encarnado nunca deixou a família ficar mal. “Quando era preciso viver dentro do Mini, vivia-se."&lt;br /&gt;Em 1976 ficaram à porta do parque de campismo de Interlaken, na Suíça. Tinham chegado atrasados e nem vendo-os ali com uma criança de um ano e meio, o guarda do “camping” lhes permitiu a entrada. Madalena, Jorge e o filho passaram a noite na ‘pensão Mini’. De manhã lá entraram no parque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois, enquanto esperavam pelo “ferry” que os levaria da Dinamarca a Malmo, na Suécia, dormiram de novo no Mini. DG-79-96 era a matrícula dele. Foi há quase quarenta anos – o petiz que comia bananas no banco de trás a caminho da Suécia é um homem de 32 – mas Madalena lembra-se. “O Mini está associado a uma fase da minha vida particularmente feliz.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, à espera de um segundo filho, a família desfez-se do Mini em favor de um automóvel mais espaçoso – um Toyota. O que quer que lhe tenha acontecido depois, o carrinho vermelho permanece uma peça importante na história desta família – como um retrovisor ou espelho lateral, capaz de reflectir o que ficou para trás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma imagem vale mais do que mil palavras. E fica mais tempo na memória. Não admira por isso que, questionado acerca do significado social do Mini nos anos 60 e 70 em Portugal, o historiador António Costa Pinto se lembre imediatamente de uma que serviu de capa de um livro. “Mostra duas mulheres de mini-saia encostadas a um Mini. Em cima do tejadilho está uma telefonia”. Não era só um carro, era um símbolo de modernidade, a par das calças boca de sino e das saias curtas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferenciava-os, naturalmente, o preço. “Mesmo assim, os carros eram caros”, observa o historiador e investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS) com trabalho publicado sobre o Estado Novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mini foi também, a partir dos anos de 1965/66, sinal exterior de “afirmação da classe média”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM MINI COMO PRENDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais giro do que ter um Mini é ter dois – um para a Margarida, o outro para o Ricardo, um casal de Vagos, em Aveiro. Os carros, ambos verdes, são exactamente iguais. O de Margarida foi presente de aniversário do marido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ele quem trouxe a antiga paixão, pelo carro, para o casamento. Mal sabia que ela havia de tomá-la tanto ou mais a sério. De tal maneira que acabou por assumir a presidência do clube MINInos, com sede em Vagos e núcleos em várias regiões do País. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há seis anos os recém-casados passeavam em Ovar quando o viram estacionado à porta de um café – um Mini Mil cinzento de 1989. E eles sem dinheiro nem cheques. Não era o local de um crime (pois o desejo é, quando muito, um pecado), mas eles voltaram lá. Prevenidos. “Já tinha sido vendido.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que não se resolvesse. O casal seguiu o rasto do comprador e comprou-lhe o carro a ele – por 600 contos. Ricardo acabou por trocá-lo por outro do mesmo modelo e assim sucessivamente, até lhe chegar às mãos o volante do que conduz hoje, de 1990, verde, com tecto de abrir, tal e qual o que ofereceu depois a Margarida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos 60 já lá vão. O Mini não foi com eles. Hoje é estimado por gente na altura nem sequer nascida. Porquê? “Como é pequeno, é mais fácil fazer manobras e conduzi-lo faz-nos sentir um friozinho na barriga”, explica Margarida. “É um carro com pinta”, diz Domingos Piedade, director do Circuito do Estoril e comentador de Fórmula 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinta só, não. Hiper-mega-super pinta, corrigem os filhos de Ricardo e Margarida, dois como os minis, mas não gémeos. O Ricardo tem 5 anos e pose de homenzinho. O Rodrigo 3, idade que lhe permite confundir os carros da mãe e do pai com os seus de brinquedo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eles adoram os carros. Não querem ficar comigo se o pai sair com o Mini”, conta Margarida, que não perde tempo a lamentar a preferência. Quem sai aos seus não degenera. Menos ainda quando deles herda as paixões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM MINI AZUL E AMARELO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal acabou o curso de Engenharia Civil, em 2002, Sílvio Baptista comprou um Mini. “Era de uma senhora aqui de Castelo Branco que o tinha muito estimado, na garagem.” O Mini, de 1975, percorrera apenas 40 mil quilómetros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pagou por ele 750 euros e depois, com o auxílio gracioso de um mecânico, desmontou-o completamente. “Os vidros estavam riscados, a pintura queimada, o motor era antigo.” Recuperá-lo custou mais um zero à direita do valor da aquisição – 7500 euros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro era vermelho. Sílvio quis dar-lhe um toque pessoal. Escolher a nova cor não foi decisão fácil. Pensou em pintá-lo de azul, mas havia “muitos Minis azuis”. Decidiu então torná-lo amarelo. Durou até concluir que ‘canarinhos’ também eram aos molhos. O que decerto marcaria a diferença era pintá-lo de azul e amarelo. E assim foi. “Não passa despercebido”, diz o engenheiro albicastrense, visivelmente tomado de amores pelo bólide que afirma conhecer “até ao último parafuso”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não compreenda esta fixação, tem bom remédio: um passeio. Sílvio dá o exemplo da mulher, que não gostava do Mini até ao dia em que a levou no carro para uma volta. “Passou a gostar também.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de Sílvio, deve ser “coisa de família” – o pai comprava Minis para participar em provas de perícia. O engenheiro cresceu perto deles e aprendeu a conduzir num. Mais giro do que ter um Mini é ter um que transporta memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALEC ISSIGONIS FEZ O PRIMEIRO ESBOÇO SOBRE A TOALHA DE MESA DO RESTAURANTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do Mini começou, em boa verdade, à mesa de um restaurante, decorria o ano de 1957, durante um almoço de trabalho para o qual o então presidente da BMC (British Motor Corporation), Leonard Lord, convidara o seu engenheiro-chefe favorito, Alexander (Alec) Arnold Constantine Issigonis, a quem lançara o desafio: conceber um automóvel o mais pequeno possível, económico e que fosse capaz de satisfazer a crescente necessidade de mobilidade individual da sociedade britânica da altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ali, sobre a toalha da mesa, Alec Issigonis, mais tarde agraciado com o título de Sir, fez o esboço do projecto daquele que viria a ser o tal automóvel de pequenas dimensões, económico, com capacidade para acolher quatro passageiros e ainda um compartimento para bagagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse esboço, de um automóvel de cerca de três metros de comprimento, só ganhou forma seis meses do dito almoço e o primeiro protótipo do modelo ficou pronto a rodar apenas em Julho de 1958.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, foi preciso esperar mais de ano até à data do seu lançamento oficial, o que aconteceu em 29 de Agosto de 1959, com as designações de Austin Se7en e Morris Mini Minor. Mas ao contrário do que pretendiam Leonard Lord e Alec Issigonis, não foram as classes média e baixa a comprá-los, e sim executivos, estudantes e mulheres com algum poder aquisitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ‘boom’, esse, deu-se a partir de 1962, quando as pessoas de menores recursos começaram a valorizar a sua economia, os jovens descobriram as suas qualidades dinâmicas e as mulheres viram nele uma forma de independência. Depois disso, ninguém mais conseguiu parar a carreira desse modelo concebido por Alec Issigonis, um engenheiro filho de pai turco e mãe alemã, nascido em Smyrna (Turquia), em 1906 (faleceu em 1988).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se em 1962 foram produzidas 116.000 unidades, três anos depois atingiu-se o primeiro milhão, para em 1969 se chegar ao segundo milhão e em 1972 ao terceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As suas influências na sociedade foram muitas, ao ponto de em 1964 a conhecida estilista britânica Mary Quant ter-se inspirado no Mini para baptizar aquela que foi uma peça feminina por excelência: a minissaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução do Mini ao longo dos anos foi constante. O seu primeiro motor a gasolina, colocado à frente em posição transversal, era de apenas 850 cm3 (37 cv), seguindo-se o de 1.0 litro (40 cv). Não muito mais tarde recebeu um novo motor, este de 1.275 cm3 (63 cv), e alguns anos depois chegou a dispor de um motor de 1.4 litros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos Mini, agora sob a batuta da BMW, vem equipados com modernos motores a gasolina (potências de 95 e 175 cv) e até um turbodiesel de 110 cv. No campo desportivo, o Mini Cooper venceu por três vezes o famoso Rali de Monte Carlo, à frente de ‘máquinas’ mais potentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOMINGOS PIEDADE, (Ex-co-piloto de ralis e comentador de Fórmula 1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"BATIA COM PINTA OS GRANDES DA PORSCHE E DA FERRARI"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma relação afectiva o Mini. Foi com este carro que fiz os primeiros ralis e me iniciei no desporto automóvel. O meu primeiro Mini era vermelho com a capota branca. O último também. O primeiro, de 1965 ou 1966, já não me lembro bem, tinha um aspecto aspecto menos “raceé” do que este último, todo artilhado, com mais técnica. O último pertenceu ao César Torres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 60 e 70 o Mini era um carro giro, que ficava bem a toda a gente - ao pai, à avó, ao amigo... Dava para correr e para andar com ele todos os dias. Se comparamos o Mini de antigamente com o de hoje, é claro que se exige mais deste, que até é maior. Pondo um ao lado do outro, o moderno parece 50 por cento maior em relação ao antigo. Mas “it’s just another car” (um carro como outro qualquer). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mini antigo tinha pinta. Dizia qualquer coisa às pessoas, mesmo só 40 ou 45 cavalos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando surgiu o Mini Cooper, é que foi engraçado - um Mini, conduzido por Paddy Hopkirk, que tinha inventado um acelerador estilo colher, ganhou pela primeira vez o rali de Monte Carlo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1966 voltou a ganhar um Mini mas foi desclassificado por causa dos faróis - não estavam de acordo com o regulamento. Na chuva e a descer, o Mini batia todos os outros. Um carro pequenino ganhava aos Ferraris, aos grandes das corridas. Era a tradução automobilística da história bíblica de David e Golias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas suas várias versões, o Mini tornou-se um mito praticamente no Mundo inteiro ao mesmo tempo. Não foi só na Europa. Também nos Estados Unidos fez sucesso. Era um carro revolucionário do ponto de vista técnico, com motor transversal, pequeno e rápido. Naquela altura todos tinham um Mini e mesmo os que não tinham lhe achavam piada. Gostavam que ele fosse assim tão atrevido, capaz de ganhar aos grandes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de facto impressionante o “feelling” de Alec Issigonis, engenheiro de desenvolvimento que teria já uns 50 anos quando imaginou um carro tão pequeno de que as pessoas gostaram tanto durante tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde pára o meu primeiro Mini? Não sei. Perdi-lhe o rasto. Como à primeira namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUANTOS É QUE CABEM NUM MINI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram, se a memória não falha a Júlio Isidro, 22 os que conseguiram enfiar-se num Mini. Eram os anos 80 e o programa chamava-se ‘O Passeio dos Alegres’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido “uma invenção maluca” de Júlio Isidro, que lembra a única interdição do concurso: não podiam entrar crianças no Mini, cuja suspensão tinha sido propositadamente reforçada para o efeito. O apresentador ainda não percebeu como aconteceu. Certo é que, num minuto, 22 pessoas enfiaram-se lá dentro. “Acomodaram-se rapidamente em cima do tablier, no porta-bagagens, junto aos pedais...” Fecharam-se as portas durante 10 segundos. Nunca tanta gente entrara e saíra de um Mini. “É verdade que a equipa vencedora era formada por pessoas relativamente baixas e magras...”, recorda Júlio Isidro, garantindo que nenhum dos 22 saiu magoado da aventura. O Mini também saiu ileso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM CLUBE REPRESENTADO POR TODO O PÁIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clube MINInos – com sede em Vagos e núcleos em Braga, Penafiel, Pinheiro da Bemposta, Paranhos da Beira, Coimbra e Castelo Branco – é um dos que alimenta a paixão pelo carro desenhado por Issigonis há 50 anos. É responsabilidade de cada núcleo organizar uma concentração por ano.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=255235&amp;idselect=19&amp;idCanal=19&amp;p=22"&gt;Isabel Ramos / Celso Matos&lt;/&lt;/a&gt;em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-707007990622975960?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/707007990622975960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=707007990622975960' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/707007990622975960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/707007990622975960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2007/08/uma-paixo-ao-longo-das-dcadas.html' title='Uma paixão ao longo das décadas'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_yiayhyZKtK4/RtIdDmHFn1I/AAAAAAAAAGU/gTrFJPm6lek/s72-c/%C3%A9+giro+ter+um+mini.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-117058904859757514</id><published>2007-02-04T11:36:00.000Z</published><updated>2007-02-04T11:39:19.460Z</updated><title type='text'>A minha janela virada para o mar</title><content type='html'>&lt;A HREF='http://photos1.blogger.com/x/blogger/584/402/640/635448/DSC00074.jpg'&gt;&lt;IMG SRC='http://photos1.blogger.com/x/blogger/584/402/320/873956/DSC00074.jpg' border=0 alt='' style='clear:all;float:left;margin: 0px 20px 20px 0px; cursor:hand'&gt;&lt;/A&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;a href='http://picasa.google.com/blogger/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbp.gif' alt='Posted by Picasa' style='border: 0px none ; padding: 0px; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: initial; -moz-background-origin: initial; -moz-background-inline-policy: initial;' align='middle' border='0' /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-117058904859757514?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/117058904859757514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=117058904859757514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/117058904859757514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/117058904859757514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2007/02/minha-janela-virada-para-o-mar.html' title='A minha janela virada para o mar'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-116594012807223145</id><published>2006-12-12T16:14:00.000Z</published><updated>2006-12-12T16:15:28.086Z</updated><title type='text'>As "Cinco lições" de Kofi A. Annan</title><content type='html'>Há quase 50 anos, quando cheguei ao Minnesotta, como um estudante recém-desembarcado de África, tinha muito que aprender, a começar pelo facto de não haver nada de esquisito em usar protectores de orelhas, quando a temperatura descia para 15 graus negativos. Desde então, toda a minha vida foi consagrada a aprender. Agora, gostaria de transmitir as cinco lições que aprendi durante dez anos, como secretário-geral da ONU - lições que, na minha opinião, a comunidade das nações também precisa de aprender, no momento em que tem de enfrentar os desafios do século XXI. &lt;br /&gt;A primeira lição é que, no mundo de hoje, todos somos responsáveis pela nossa segurança recíproca. Perante ameaças como a proliferação nuclear, as alterações climáticas, as pandemias mundiais ou os grupos terroristas que operam a partir de refúgios seguros em Estados falhados, nenhuma nação pode garantir a sua própria segurança afirmando a sua supremacia sobre todas as outras. Só trabalhando em prol da segurança de todos podemos esperar garantir uma segurança duradoura para nós próprios.&lt;br /&gt;Essa responsabilidade inclui a responsabilidade partilhada de proteger as pessoas do genocídio, dos crimes de guerra, da limpeza étnica e dos crimes contra a humanidade. Uma responsabilidade que foi aceite por todas as nações, na cimeira da ONU do ano passado. Mas, quando vemos os assassínios, as violações e a fome que são infligidos ao povo do Darfur, compreendemos que essas doutrinas não passam de mera retórica, enquanto aqueles que têm poder para intervir eficazmente - exercendo pressão política, económica ou, em último recurso, militar - não estiverem dispostos a dar o exemplo. Também têm uma responsabilidade para com as gerações futuras - a de conservar recursos que lhes pertencem tanto como a nós. Cada dia em que nada fazemos ou não fazemos o suficiente para prevenir as alterações climáticas tem custos elevados para os nossos filhos.&lt;br /&gt;A segunda lição é que somos responsáveis pelo bem-estar de todos. Sem solidariedade, nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente estável. Não é realista pensar que uns quantos podem continuar a retirar grandes benefícios da globalização, enquanto milhares de milhões de outros permanecem ou são atirados para uma pobreza abjecta. Devemos dar a todos os nossos semelhantes pelo menos a possibilidade de partilharem a nossa prosperidade.&lt;br /&gt;A terceira lição é que a segurança e a prosperidade dependem do respeito pelos direitos humanos e o Estado de direito.&lt;br /&gt;Ao longo da história, a diversidade enriqueceu a vida humana e as diferentes comunidades aprenderam umas com as outras. Mas, se quisermos que as nossas comunidades vivam em paz, devemos salientar também o que nos une: a nossa humanidade comum e a necessidade de a nossa dignidade humana e direitos serem protegidos pela lei.&lt;br /&gt;Isso também é vital para o desenvolvimento. Tanto os estrangeiros como os cidadãos de um país tendem a investir mais, quando os seus direitos fundamentais são protegidos e quando sabem que serão tratados equitativamente pela lei. E as políticas que favorecem verdadeiramente o desenvolvimento têm mais hipóteses de ser adoptadas, se as pessoas que mais necessitam do desenvolvimento puderem fazer ouvir as suas vozes.&lt;br /&gt;Os Estados precisam também de cumprir as regras que regem as relações entre eles. Nenhuma comunidade, em parte alguma do mundo, sofre de excesso de Estado de direito, mas muitas sofrem de falta dele - e isto aplica-se também à comunidade internacional. É uma situação que devemos mudar.&lt;br /&gt;A minha quarta lição é, pois, que os governos devem ser responsabilizados pelos seus actos, tanto na cena internacional como na nacional. Todos os Estados devem prestar contas àqueles que são afectados, de uma maneira decisiva, pelas suas acções. Na situação actual, é fácil obrigar os Estados pobres e fracos a prestar contas, pois precisam de ajuda externa. Mas só o povo dos Estados grandes e poderosos, cuja acção tem maior impacto sobre os outros, pode obrigá-los a fazê-lo. Isto confere ao povo e instituições dos Estados poderosos uma responsabilidade especial por ter em conta as opiniões e interesses mundiais. E hoje têm de tomar em consideração os actores não estatais. Os Estados já não podem - se é que alguma vez puderam - enfrentar sozinhos os desafios mundiais. Cada vez mais, precisam da ajuda de uma miríade de associações em que as pessoas se juntam voluntariamente, para benefício próprio ou para reflectir em conjunto sobre a situação do mundo e para o mudar.&lt;br /&gt;Como é que os Estados se podem responsabilizar uns perante os outros? Só por intermédio de instituições multilaterais. Assim, a minha quinta e última lição é que estas instituições devem ser organizadas de uma maneira justa e democrática, permitindo que os pobres e os fracos tenham alguma influência sobre a acção dos ricos e dos fortes.&lt;br /&gt;Os países em desenvolvimento deveriam ter mais influência nas instituições financeiras internacionais, cujas decisões podem significar a vida ou a morte para os seus cidadãos. E haveria que incluir novos membros permanentes ou a longo prazo no Conselho de Segurança, cuja composição reflecte a realidade de 1945 e não a do mundo actual. E, o que não é menos importante, os membros do Conselho de Segurança devem aceitar a responsabilidade que acompanha o privilégio de o integrarem. O Conselho não é um palco para expressar interesses nacionais. É o comité de gestão do nosso frágil sistema de segurança mundial.&lt;br /&gt;Mais do que nunca, a humanidade precisa de um sistema mundial que funcione. E a experiência tem demonstrado, repetidamente, que o sistema é pouco eficaz, quando os Estados-membros estão divididos e carecem de liderança, mas funciona muito melhor, quando há unidade, uma liderança clarividente e a participação de todos os actores. Sobre os dirigentes do mundo, os de hoje e os de amanhã, recai uma grande responsabilidade. Compete aos povos do planeta assegurar que se mostrem à altura dessa responsabilidade. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Secretário-geral das Nações Unidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-116594012807223145?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/116594012807223145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=116594012807223145' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/116594012807223145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/116594012807223145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/12/as-cinco-lies-de-kofi-annan.html' title='As &quot;Cinco lições&quot; de Kofi A. Annan'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-115477230326081435</id><published>2006-08-05T10:03:00.000Z</published><updated>2006-08-05T10:05:03.276Z</updated><title type='text'>António Pinho Vargas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Hospitais Para um Manual de Sobrevivência para doentes e acompanhantes&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Aminha mãe planeou a sua doença e a sua morte com a sabedoria ancestral das minhotas. O momento escolhido para a dor de cabeça indescritível provocada pelo aneurisma cruel aconteceu no fim de um dia passado com os netos, levados por ela aos sítios onde se ia encontrar pela última vez com as amigas do Centro Bem-Fazer e depois com as outras velhotas do Café. Como sabia que o seu filho vive em Lisboa e passa temporadas em Inglaterra, escolheu para o transe que a levou a dois hospitais, um dia no qual ele pudesse estar presente quase desde o início. O que ela não podia saber era que ao entrar num hospital a sua idade avançada, 83 anos, iria ser objecto de vários tipos de considerações, por exemplo, de um médico com vocação administrativa sobre o que custa ao Estado um doente em coma por dia e por ano (10.000 contos por ano, disse). De facto, esteve em coma 5 ou 6 dias. Depois, as esperanças eram poucas para alguns médicos, algumas para outros, mas surpreendentemente mais tarde abriria os olhos, agarrava as mãos que lhe eram dadas, tinha um olhar doce e expressivo e passou certos dias algumas horas sentada numa cadeira de rodas. Fui contactado um mês depois para começar preparar a sua saída do hospital.Também não saberia que o seu filho, apesar dos seus esforços incessantes iria gradualmente ficar esmagado pela impotência de quem sabe que por mais que proteste, reclame e exija explicações, não conseguiria enfrentar a burocracia gigantesca que é hoje o funcionamento normal de um hospital. Talvez imaginasse que lá trabalha ainda gente admirável, que possui ainda uma memória do código deontológico, uma ideia do que é um serviço. Como uma jovem médica que, quando pedi explicações sobre um inesperado adiamento da cirurgia para o dia seguinte, sábado, me disse discretamente que não podia dizer o que ia dizer mas que apoiava e admirava o que eu estava a fazer. Mas, trabalha muita gente nos hospitais que esqueceu há muito tudo isso. Trava-se um combate quotidiano entre os admiráveis e os outros. Pode acontecer ir sair um médico tão digno de respeito que faço questão de lhe dar um abraço e ficar responsável alguém que sei antecipadamente que nem sequer irei ver (que poderei nem querer ver) mas que talvez a minha mãe - impotente na sua cama a olhar a impotência do seu filho - não se importasse de ter visto.Os que decidiram adiar a operação marcada no dia anterior fizeram-no com a leveza de quem sente o aproximar do fim-de-semana. Nesses dias um hospital fica reduzido aos médicos da urgência que, além disso, tem a seu cargo todos os que estão nas enfermarias. A partir de sexta-feira às 4 da tarde até à segunda-feira seguinte os hospitais tornam-se locais perigosos. Basta haver muito trabalho na urgência para a situação dos doentes internados ficar próxima do abandono. "Já alertámos os médicos, já estão avisados" repetem as enfermeiras, mas a próxima acção forte irá ser apenas segunda-feira. Os estragos da espera podem ser grandes ou fatais. Mas os burocratas administrativos que cortam nas finanças estão no seu justo descanso semanal e deverão pensar que quando for a sua vez de ir lá parar estarão a salvo. Estão completamente enganados. Nem sequer na privada estarão a salvo porque se alguma coisa corre mal os doentes dos hospitais privados são muitas vezes transferidos para os públicos, melhor equipados, com melhor tecnologia. É por isso que os Institutos de Oncologia são todos públicos porque não são rentáveis. Rentáveis são os DMI e alguns hospitais de tecnologia sofisticada onde os mesmos médicos que estão de manhã nos públicos estão à tarde "a operar".O combate político-económico sobre a saúde pública e privada tem sido feroz. Por isso, face ao tal adiamento - não estava disponível um neuroanestesista no Hospital Central da Região Norte (!) - quando perguntei se teria hipóteses de reunir uma equipa de neurocirurgiões para operar num hospital privado e me é dito "Não digo que não...", a revolta e a repugnância que senti não pode ser escrita. A resposta que dei foi fatal: "Então aqui não podem mas se for na privada, como vão ganhar mil contos cada um, já podem?" Pensei e disse que era inaceitável. Mas estava enganado. Parece que actualmente é prática corrente. Como sabia que estava em perigo de vida e cada hora que passava agravava as expectativas de sucesso entrei em pé de guerra, usei todas as armas à mão, fiz ameaças de todo o tipo e a operação que tinha sido adiada para sábado - o neurocirurgião em causa tinha feito questão de me torturar dizendo que nem no sábado me podia garantir... - afinal foi nessa mesma noite às duas da manhã. Porque o chefe da equipa médica da urgência nessa noite se pôs em acção e persuadiu os renitentes que seria melhor operar. Agradeço-lhe por isso mas não pode ser. Não tem explicação aquilo que foi ouvido por uma porta indiscreta: "Parece que está cá a mãe de um VIP (repugnante palavra) e "eles" meteram água". Como é possível? E as outras mães ou pais?Alguns médicos precisariam de uma reciclagem sobre o que significa ser humano. Tornaram-se negociantes da vida e da morte ao melhor preço. Está muito dinheiro em causa e nunca faltarão clientes. A nota 19 exigida para entrar em Medicina afasta muito provavelmente verdadeiras vocações em detrimento de uma formação que privilegia a terapêutica by the book e negligencia o olhar atento para a pessoa doente. O corpo que está na cama é um caso, um dossier. A rápida ronda matinal - há quantas décadas é que é assim? - seguida de uma prescrição para o resto do dia e da noite, deixa nas mãos dos enfermeiros o real contacto com as pessoas. O discurso sobre a qualidade de vida, sobre os hospitais anglo-saxónicos ou americanos onde a partir de uma certa idade - 70 disseram-me - já nem se entra em cuidados intensivos traduz na verdade a aplicação das políticas que esses países impõem ao resto do mundo. Os velhos são um problema. Enquanto puderem comprar os medicamentos que lhes prolongam a esperança de vida podem fazê-lo. A indústria farmacêutica agradece e acumula lucros fabulosos. As visitas dos doentes graves circulam pelos corredores dos hospitais como almas penadas, com a paralisia estampada no rosto desfigurado pelo sofrimento. Mesmo uma pessoa que vai morrer é uma pessoa. Talvez por isso uma enfermeira (admirável) me tenha dito que era importante estar sempre lá, perguntar, reclamar, porque o comportamento habitual se resumia a três tipos: os que não sabem, os que não podem e os que já desistiram de protestar, de pedir informações ou explicações. Mas há muito pior: como a mulher de 30 anos do quarto ao lado a quem foi prescrito noutro hospital, primeiro, parar com a pílula; três dias depois, recomeçar a tomar; e na terceira ida ao hospital, sugerido consultar um psicólogo. A sua mãe opôs-se: a minha filha não está bem, não precisa de psicólogo nenhum. Tinha um aneurisma e terá danos irreversíveis se sobreviver.Muitos médicos começam as frases por "Estive agora nos Estados Unidos e..." mas esquecem-se de referir a forte responsabilização, os processos e as indemnizações a que lá estão sujeitos administrações e médicos capazes de cometer erros grosseiros e repetidos deste calibre. Assim justifica-se um processo judicial. Para a maioria dos outros casos será urgente a redacção de um Manual de Sobrevivência para doentes e acompanhantes. Pianista e compositor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-115477230326081435?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/115477230326081435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=115477230326081435' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/115477230326081435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/115477230326081435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/08/antnio-pinho-vargas.html' title='António Pinho Vargas'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-114945962700983531</id><published>2006-06-04T22:20:00.000Z</published><updated>2006-06-04T22:20:27.020Z</updated><title type='text'>do Público</title><content type='html'>Apenas um terço dos docentes não colocados são professores, diz Sócrates&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Associação Sindical dos Professores Licenciados afirma-se "decepcionada" com resultados do consurso divulgados na sexta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro-ministro, José Sócrates, desdramatizou ontem o facto de 60 mil pessoas terem ficado sem colocação no concurso de professores, argumentando que "apenas um terço eram professores".&lt;br /&gt;"Dessas 60 mil pessoas que se candidataram e não foram contratadas, só cerca de um terço eram professores, outros eram pessoas que se candidataram ao lugar de professor" e "nunca foram professores na vida", afirmou aos jornalistas em Resende, Viseu.&lt;br /&gt;Por seu lado, a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) afirma-se "decepcionada" com os resulatos do consurso. A ASPL "lamenta que uma vez mais o Ministério da Educação tenha logrado as expectativas de milhares de professores em verem melhorada a sua situação profissional", afirma em comunicado, referindo que "apenas 18% dos candidatos conseguiram ficar num estabelecimento de ensino e que destes 20.989, somente 3151 candidatos ficaram pela primeira vez em lugares de quadro do ME. É inacreditável tal situação!".&lt;br /&gt;O primeiro-ministro afirmou que "o Estado só contrata as pessoas que deve contratar para servir as suas necessidades" e frisou que "o mais importante" deste concurso foi a antecedência com que se souberam os resultados.&lt;br /&gt;"Pela primeira vez fez-se um concurso de professores com tanta antecedência do fim do ano escolar. Agora os professores sabem já qual é o seu lugar, o que revela profissionalismo", considerou. Público/LUSA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-114945962700983531?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/114945962700983531/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=114945962700983531' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114945962700983531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114945962700983531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/06/do-pblico.html' title='do Público'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-7090226714470902969</id><published>2006-05-02T10:37:00.000Z</published><updated>2008-03-16T10:38:29.271Z</updated><title type='text'>Maria Filomena Mónica</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Envelhecer Não é Pêra Doce&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Destaque: Dantes, qualquer roupa me servia. Agora, só encontro trajos desenhados para anoréxicas. Uma vez que é na cintura que a idade mais partidas nos prega, comprar um par de calças é uma tarefa morosa. Embora ainda me possa gabar dos joelhos, sei que, no máximo, terei um ano durante o qual posso usar mini-saias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia 30 de Janeiro, fiz sessenta e três anos. De manhã, olhei-me com uma atenção especial: registei as rugas ao canto dos olhos, a carne flácida do pescoço, os ainda poucos cabelos brancos. Dado que aquilo que o espelho me devolvia eram coisas que normalmente acontecem a quem atinge a minha idade, não me revoltei. Nunca tendo tratado do meu corpo, podia ser pior. Mas a beatitude não durou. À medida que o dia avançava, o humor piorou. &lt;br /&gt;Em Dezembro de 1991, tinha eu quarenta e oito anos, dei uma entrevista à revista «Marie Claire», que organizara um número sob o título «O Charme das Mulheres de 50 Anos». Lendo-a, quinze anos depois, o que me surpreende é o meu optimismo. É verdade que já então descobrira não ser imortal, o primeiro sinal de envelhecimento, ou, se preferirem, de sabedoria, mas declarava, com ar pimpão, que ter cinquenta anos era a melhor coisa do mundo. O único facto que lamentava era não poder registar, numa agenda, a data e a hora da minha morte. Tudo o resto eram rosas. &lt;br /&gt;A minha actual posição é mais complexa. Se há coisas boas no envelhecimento, as más ultrapassam-nas de longe. Não querendo ser fúnebre, começo pelas primeiras. À cabeça, vem a evidência de dispor hoje de mais dinheiro do que em jovem, um benefício apenas atenuado pelo facto de o prazer de fazer compras ter desaparecido. Em seguida, tenho atrás de mim uma carreira, o que me dá conforto moral e, uma vez que deixei de prestar atenção ao que os outros pensam de mim, atrevo-me a deixar as minhas excentricidades virem ao de cima. &lt;br /&gt;Seja como for, o prato negativo da balança é mais pesado. Começo pela saúde. Depois dos sessenta anos, raro é o dia em que não temos uma maleita. E não estou a falar de doenças graves, mas de pequenas aflições, uma subida da tensão arterial, uma dor de cabeça, uma lombalgia. Ligado ao menor vigor físico, está a facilidade com que nos cansamos. Dantes, conseguia trabalhar na Biblioteca Nacional das dez da manhã até às sete da tarde; hoje, em dias com sorte, apenas consigo trabalhar seis. Reconheço que é um tempo intensivo, sem interrupções para conversas nem intervalos para café, mas um deus maléfico retirou três horas ao meu dia de trabalho. Infelizmente, há mais. Dantes, qualquer roupa me servia. Agora, só encontro trajos desenhados para anoréxicas. Uma vez que é na cintura que a idade mais partidas nos prega, comprar um par de calças é, como verifiquei ontem, uma tarefa morosa. Embora ainda me possa gabar dos joelhos, sei que, no máximo, terei um ano durante o qual posso usar mini-saias. &lt;br /&gt;Outro aspecto no qual a idade tem efeitos devastadores diz respeito às novas tecnologias. Levei anos a aprender a mudar um fusível, a lidar com uma panela de pressão e a programar um micro-ondas. Ainda consegui - momento de glória - passar da máquina de escrever para o computador, mas a minha evolução parou aqui. Por saber que o tempo gasto a ler instruções não compensaria a utilidade ou o prazer que deles retiraria, já não dei o salto para o telemóvel, muito menos para o Ipod. Fiz um balanço custo-benefício, tendo concluído que o custo de aprender seria maior do que o benefício, uma vez que este nunca poderia exceder mais do que uns anos. &lt;br /&gt;Há ainda, e é decisivo, os amigos que nos deixam. Reconheço que sou lamechas, mas, quando, há um ano, o João Paulo morreu, um pouco de mim desapareceu com ele. Tenho, por fim, de mencionar os medos: o medo de que a reforma não chegue, o medo de perder a razão, o medo de morrer numa cama de um hospital. Tendo em conta o que Henry James chamou «a imaginação para o desastre», poderia encher as páginas desta revista com uma lista infindável. Não o vou fazer, embora pense que é o momento, ou quase o momento, para recordar o refrão dos Beatles, «Will you still need me/ Will you still feed me?», da canção intitulada «When I´m Sixty Four». O pânico é este: o de ficarmos sozinhos ou, pior, de passar a ser dependente de outros. Ora, para isto, não há remédio. Envelhecer é também saber isto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-7090226714470902969?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/7090226714470902969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=7090226714470902969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7090226714470902969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/7090226714470902969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/05/maria-filomena-mnica.html' title='Maria Filomena Mónica'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-114634757127000132</id><published>2006-04-29T21:51:00.000Z</published><updated>2006-04-29T21:52:51.283Z</updated><title type='text'>Do jornal "O Público"</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.publico.clix.pt/coleccoes/hitchcock/alfredhitchcock.asp"&gt;Alfred Hitchcock&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O mestre do suspense viveu dividido entre dois países e duas existências. Nasceu no Reino Unido e, aí, deu os primeiros passos no mundo do cinema, mas foi nos Estados Unidos que realizou os seus maiores clássicos. Fora do set, mantinha um estilo de vida calmo e simples, mas no grande ecrã vivia as suas grandes obsessões e traumas. Alfred Hitchcock tornou-se um génio incontestável na história do cinema. Por Ana Filipa Gaspar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida para além do grande ecrã &lt;br /&gt;Alfred Hitchcock nasceu em Leytonstone, Londres, a 13 de Agosto de 1899, apenas um dia antes da sua (futura e única) mulher, Alma Reville. Filho de um casal de vendedores de galinhas e hortaliças, Alfred Joseph Hitchcock tinha um irmão e uma irmã mais velhos, que devido à diferença de idades não brincavam com ele. Assim, a sua infância foi marcada pela solidão e também pela severidade do pai, que uma vez o enviou à prisão com uma mensagem para o polícia o prender durante alguns momentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua família pertencia à baixa burguesia e era católica praticante. Hitchcock foi, desde cedo, educado pelos padres jesuítas do Saint Ignacius College, onde estudou, como aluno interno, durante cerca de seis anos. Em 1914, o seu pai morreu e Hitch decidiu frequentar o curso de Engenharia na Escola de Engenharia e Navegação. Cerca de três anos depois, começou a trabalhar numa companhia telegráfica, enquanto aprendia a desenhar no curso de Belas-Artes da Universidade de Londres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tinha 20 anos, ofereceu-se para trabalhar como desenhador nos estúdios da companhia norte-americana Famous Players-Lasky em Londres. E entrava, desta forma, no mundo do cinema. Dois anos depois, a Famous Players alugou os seus estúdios a uma recém-criada produtora britânica, a Gainsborough Pictures. Nela, Hitchcock desempenhou várias funções: foi argumentista, assistente de realização, decorador e realizador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1923, conheceu Alma Reville, que trabalhava na época como anotadora e montadora no filme Woman to Woman, de Graham Cutts. Um ano depois ficaram noivos e Alfred Hitchcock teve a oportunidade de realizar, na íntegra, um filme. O Jardim das Delícias foi o primeiro dos seus 53 filmes e Alma Reville trabalhou nele como assistente de realização. A crítica e o público elogiaram a estreia de Hitch e esse sucesso foi suficiente para prosseguir com novos trabalhos. Entre eles, The Lodger (1927) foi considerado pelo próprio realizador como “o primeiro filme hitchockiano”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento com Alma deu-se em Dezembro de 1926 e a única filha do casal, Patricia, nasceu a 7 de Julho de 1928. Lenda ou não, conta-se que, durante a gravidez, Hitchcock não conseguia olhar para Alma, que, além de sua mulher, era a sua mais próxima colaboradora no cinema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1929, os talkies chegaram aos estúdios ingleses e o décimo filme de Hitch, Chantagem, tornou-se num dos primeiros filmes sonoros britânicos. Cerca de cinco anos depois, o realizador alcançou o reconhecimento mundial com O Homem que Sabia Demais, êxito que conseguiu superar com o seu filme seguinte, Os 39 Degraus (1935), frequentemente referido como o melhor trabalho da sua fase britânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso de A Desaparecida (1938) nos EUA levou o produtor norte-americano David O’Selznick a contratar Hitchcock, que se mudou com a família para Hollywood em 1939, meses antes do início da II Guerra Mundial. Aí, a família Hitchcock manteve um estilo de vida calmo e simples, longe da agitação das festas. O primeiro filme desta nova fase foi Rebecca (1940), que recebeu o Óscar para Melhor Filme. Mais tarde, nas décadas de 50 e 60 (época de substituição dos filmes a preto-e-branco pelos a cores), surgiram os seus maiores clássicos – A Mulher que Viveu Duas Vezes, Intriga Internacional, Psico e Os Pássaros. O seu último filme foi realizado já nos anos 70 – Intriga em Família (1976). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1979, Alfred Hitchcock foi distinguido com o Life Achievement Award do American Film Institute, tornando-se o quarto realizador a receber este prémio. Hitch dedicou-o a quatro pessoas que eram, na verdade, apenas uma: Alma Reville, a sua companheira durante 53 anos. E, a propósito da distinção, disse a alguns amigos que o motivo de estar a recebê-la deveria estar relacionado com o facto de morrer em breve. Tinha 80 anos quando morreu, em Abril de 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre e a sua bizarra profissão &lt;br /&gt;A cerimónia de entrega do Life Achievement Award foi uma das últimas aparições de Hitch em público. Durante o discurso de agradecimento, o realizador falou sobre a “profissão bizarra que é o fabrico de filmes”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de mais de 50 anos, Hitchcock revolucionou a história do cinema com o seu estilo sofisticado, que combina as suas subtis aparições com grandes planos dramáticos dos protagonistas. A influência do expressionismo alemão nos primeiros filmes, os temas e fetiches de Hitchcock (como a culpa, a homossexualidade implícita, a figura materna, a identidade, o voyeurismo), a criação do suspense, a representação da mulher vertiginosa (encarnada por protagonistas belas, louras e gélidas) e a regra MacGuffin são algumas das suas marcas pessoais, que permitiram à frase “parece um Hitchcock” e ao termo “hitchcockiano” entrarem no vocabulário comum a partir de meados dos anos 30. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerado o mestre do suspense, Hitch esforçava-se por sublinhar a distinção entre a surpresa e o suspense. Em entrevista ao realizador François Truffaut, explicou que “na forma vulgar do suspense é indispensável que o público esteja perfeitamente informado de todos os elementos em causa”. Ou seja, a principal diferença em relação à surpresa é que o público sabe algo que os personagens desconhecem. Durante a entrevista, Hitch acrescentou ainda que existem muitas situações em que “o suspense não está ligado ao medo”, mas sim à emoção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do princípio do suspense, Hitchcock recorria frequentemente a técnicas em torno das quais se desenvolvia a intriga. Entre elas, a mais célebre é a regra MacGuffin: um pormenor que motiva as acções dos personagens, mas não é relevante para o público. Nos seus filmes de espionagem, há sempre um MacGuffin, representado por um papel, documento ou segredo. Mas a regra também pode estar presente nos seus outros thrillers como, por exemplo, em A Mulher que Viveu Duas Vezes através da personagem ausente, Carlotta Valdes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra característica dos seus filmes é um peculiar género de humor. Aliás, no próprio set, Hitch era conhecido (e temido) pelas suas “brincadeiras de mau gosto”. Para transpor essa faceta da sua personalidade para o grande ecrã, o realizador decidiu aparecer “dentro do campo” do filme, relembrando ao público o carácter ficcional da história e gerando um inevitável efeito cómico. Por vezes, passeia-se livremente entre as personagens mas, em certas ocasiões, é apenas um vulto ou uma sombra – sempre com uma certa dose de ironia e um pouco do humor negro britânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso deste homem, cuja imagem pública é inconfundível, e a sua capacidade de controlo criativo dos seus filmes contribuíram para a valorização do papel do realizador, que anteriormente era relegado para segundo plano face ao produtor. Hitchcock tornou-se o mentor de uma nova geração de realizadores, que continuam ainda hoje a evocar e relembrar os seus filmes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-114634757127000132?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/114634757127000132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=114634757127000132' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114634757127000132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114634757127000132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/04/do-jornal-o-pblico.html' title='Do jornal &quot;O Público&quot;'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-114141828952608333</id><published>2006-03-03T20:37:00.000Z</published><updated>2006-03-03T20:38:09.530Z</updated><title type='text'>DESCOBRIR MARGUERITE DURAS</title><content type='html'>Nos livros de Marguerite Duras há temas obsessivos, personagens que desaparecem e depois regressam, palavras que se repetem ao longo de 50 anos. Escolhemos dez. São portas de entrada possíveis para o universo da escritora. Por Alexandra Prado Coelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música Na escrita de Duras, as palavras e os nomes valem pela sua musicalidade. Nota no início de India Song (livro de 1973, filme de 1975): "Os nomes das cidades, dos rios, dos Estados, dos mares da Índia, têm, antes de tudo, aqui, um sentido musical." As frases repetem-se, os nomes ecoam. "Esta tragédia cinematográfica é toda ela construída como uma composição musical. [...] Todo o filme, incluindo a imagem, é escrito como uma partitura", disse, a propósito de India Song, Dionys Mascolo, pai do filho de Duras. Quando a escritora morreu, o seu caixão foi levado da igreja ao som da música de Carlos d"Alessio, India Song.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens Duras nunca gostou das adaptações ao cinema feitas por outros a partir dos seus livros. "São nulas." Foi isso que a levou a querer fazer os seus próprios filmes. Em 1996 realizou o primeiro, e durante quase 20 anos dedicou-se sobretudo ao cinema, fazendo 19 filmes. É um cinema particular: a "história" está nas vozes off e as imagens mostram muito pouco; o excesso de imagens mata o desejo. Em India Song, muito passa-se através dos sons, das vozes, do canto da mendiga (que nunca é mostrada). Em Son nom de Venise dans Calcutta désert (1976), as imagens mostram apenas um palácio em ruínas, enquanto se ouve a banda sonora (música, diálogos, sons) de India Song. O invisível atinge o seu ponto máximo em L"Homme atlantique (1981), onde, ao fim de dez minutos, o ecrã torna-se negro, até ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indochina É daí que partem todos os seus fantasmas. A escrita de Duras é um eterno retorno a esse lugar onde nasceu e que deixou aos 18 anos. A sua obra cria uma geografia imaginária. É ela quem o explica: "É preciso que eu diga desde já que a geografia é completamente inexacta. Criei uma Índia, Índias, como se dizia... durante o colonialismo." Calcutá - "uma cidade à beira do Ganges, que será aqui [O Vice-Cônsul, 1965] capital das Índias" - é "a capital da dor", uma "cidade de pesadelo". Algo mais próximo de uma "realidade" surge nos livros autobiográficos, como Uma Barragem contra o Pacífico (1950) ou O Amante (1984).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amante Atravessa toda a obra de Duras. Aparece pela primeira vez em Uma Barragem contra o Pacífico, mas aí ainda é um homem branco. Só mais tarde aparecerá como o amante chinês - personagem da "vida real" de Duras (nunca é claro o que é real e ficção). Nessa história, Duras tem 15 anos e apanha o barco para atravessar o Mekong e ir a Saigão, e aí conhece o amante chinês, belo e rico. Por trás existe outra história: a de uma família violenta, de uma mãe em luta contra o mundo e cujo amor vai todo para o filho mais velho, o abandono de Marguerite e do seu irmão mais novo, uma família que a empurra para os braços do chinês rico em cujo corpo ela encontra também o corpo do irmão mais novo. A história volta em O Amante e depois em O Amante da China do Norte (1991), em que o tabu do incesto é quebrado. "Se o escrevi é porque existiu", disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anne-Marie Stretter A mulher do embaixador de França em Calcutá, nascida Anna Maria Guardi, em Veneza, é figura fundamental do chamado ciclo indiano, central no universo de Duras. Em Ausência de Lol V. Stein (1964), é a mulher pela qual Michael Richardson, o noivo de Lol V. Stein, se apaixona durante um baile no Casino. A-M. Stretter volta "às Índias", a Calcutá, e Michael Richardson segue-a. Regressa depois em O Vice-Cônsul, e, por fim, em India Song, já só na memória das vozes que recordam a história desta mulher fascinante mas de tristeza infinita, ferida pelo horror e a miséria da Índia. India Song conta os últimos dois dias da sua vida - a noite do baile e do escândalo do vice-cônsul e o dia seguinte, em que ela parte para uma das ilhas do delta do Ganges, e morre no mar. Na sua origem está uma memória de Duras: Elizabeth Striedter, mulher do administrador-geral de Vinh-Long na Indochina da sua infância, pela qual, dizia-se, um homem se suicidara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vice-cônsul O antigo vice-cônsul francês em Lahore (personagem que dá título a O Vice-Cônsul), "caído em desgraça em Calcutá", aguarda transferência depois do escândalo que manchou a sua carreira: da sua janela em Lahore disparou sobre cães e leprosos adormecidos nos jardins de Shalimar. Dele diz-se nos salões das embaixadas em Calcutá que "os nervos cederam" - tal como A-M. Stretter também nunca suportou o horror das Índias, a fome, a lepra. Virgem, deixa-se fascinar pela mulher do embaixador, que o convida para um baile, a ele que todos evitam. Depois de dançar com Anne-Marie Stretter, o vice-cônsul enlouquece e começa a gritar até ser expulso do palácio. Durante toda a noite e até de madrugada ele grita "o seu nome de Veneza na Calcutá deserta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendiga Duras contou que a mendiga era uma personagem real que a perseguia desde os dez anos: viu-a na Indochina onde ela chegou depois de ter percorrido centenas de quilómetros com uma criança. Na sua história reinventada, esta mendiga, careca, andrajosa e louca, que só repete palavras soltas, como "Battambang" e "Savannaketh", foi expulsa pela mãe quando engravidou e caminha há anos. Atravessou a Birmânia, o Laos, o Camboja, foi perdendo filhos pelo caminho, e chegou a Calcutá. Aparece pela primeira vez na obra de Duras num episódio de Uma Barragem contra o Pacífico, mas está no centro de O Vice-Cônsul, onde representa a miséria da Índia que ronda os salões de festas das embaixadas estrangeiras na Calcutá dos anos 30, pelos quais ecoa o seu canto de Savannaketh. E continua esta eterna deambulação em India Song, onde parece perseguir Anne-Marie Stretter. A sua história passa também pela memória desta, que 17 anos antes assistiu em Savannaketh, no Laos, à venda de uma criança recém-nascida, o que a marcou para sempre.&lt;br /&gt;Lol V. Stein Ou Lola Valerie Stein, nascida em S. Thala (outro dos lugares míticos e inventados de Duras). Em Ausência de Lol V. Stein tem 19 anos, está noiva e esquece-se de si mesma quando perde Michael Richardson para Anne-Marie Stretter. Mais tarde entra num jogo de identidade com uma antiga amiga, Tatiana Karl, e o amante desta, Jacques Hold - que a leva de volta ao Casino e ao momento fundador em que foi excluída do amor de Michael Richarson e Anne-Marie Stretter. Lol V. Stein volta, quase um fantasma, em L"Amour (1971) e La Femme du Gange (filme de 1974). Duras contou numa entrevista que a viu pela primeira vez "num baile de Natal, num manicómio nos arredores de Paris", que ela tinha 30 anos e "parecia um autómato". E que todas as mulheres dos seus livros derivam de Lol V. Stein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hiroxima Hiroxima Meu Amor (1960) é o texto que Duras escreveu para o filme de Alain Resnais. Passa-se no Verão de 1957 e conta a breve história de amor entre uma actriz francesa que está em Hiroxima para fazer um filme, e um engenheiro japonês. Deitados, nus, numa cama de hotel, falam sobre Hiroxima. "Tu não viste nada em Hiroxima, nada" - é a primeira frase do texto. Duras: "Para mim, isso quer dizer "não verás nunca nada, não escreverás nada, não poderás nunca dizer nada sobre este acontecimento". Foi a partir da impotência em falar da coisa que fiz o filme." Para Duras, o indizível, o horror, é Hiroxima, como é o Holocausto. É toda a dor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mar "O meu país natal é a pátria das águas", dizia. Uma Barragem contra o Pacífico, um dos seus primeiros livros, é o relato da luta de uma mãe e dois filhos pela sobrevivência de uma plantação ameaçada pelas águas. É, ao mesmo tempo, a história dos "pequenos brancos" (por contraste com a grande burguesia colonial) na Indochina francesa. A invasão pelas águas é um dos seus fantasmas. Anne-Marie Stretter morre nas águas. A mendiga percorre as margens do Ganges. Mais tarde, em França, Duras compra um apartamento no antigo palácio Roches Noires, em frente à praia de Trouville. No meio da imponente fachada, a sua varanda, frente ao mar. "Olhar o mar é olhar tudo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-114141828952608333?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/114141828952608333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=114141828952608333' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114141828952608333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114141828952608333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/03/descobrir-marguerite-duras.html' title='DESCOBRIR MARGUERITE DURAS'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-114141823386534200</id><published>2006-03-03T20:36:00.000Z</published><updated>2006-03-03T20:37:13.866Z</updated><title type='text'>DEZ ANOS DEPOIS,</title><content type='html'>DURAS SÓ INSPIRA UM PUNHADO DE OBRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem os especialistas de Marguerite Duras que nunca a obra de um autor foi tão criticada, tão apaixonadamente defendida, tão injuriada, tão venerada. Mas a vaga de livros, de conferências, de programas que seria de esperar - ou de recear - nesta efeméride da sua morte não se concretizou. Como se o monstro sagrado que teimou em transformar a sua vida em destino - mas que respondia aos candidatos a biógrafos: "Um escritor não tem história" - continuasse a intimidar curiosos e indiscretos. &lt;br /&gt;Há, no entanto, uma meia dúzia de publicações programadas para este décimo aniversário da sua morte. São biografias, testemunhos, escritos inéditos, memórias, que vão chegando às livrarias, mas sem suscitarem uma avalanche de críticas na imprensa. Marguerite Duras, la vie comme un roman, de Jean Vailier (editora Textuel), é uma biografia ilustrada, em 200 curtas páginas, de Marguerite Donnadieu, o verdadeiro nome da escritora. Do mesmo autor, vai sair em Abril o primeiro tomo de uma biografia: C"était Marguerite Duras, 1914-1945 (editora Fayard). &lt;br /&gt;Outro especialista da obra de Duras, Alain Vircondelet, optou por fazer um passeio literário pelas terras que marcaram a escritora, em Sur les pas de Marguerite Duras (Presses de la Renaissance). O autor leva o leitor até à Indochina, a terra da infância e da adolescência de Duras, a Saint-Germain-des-Près, é claro, o bairro boémio e intelectual de Paris até aos anos 70, e a Trouville, na Normandia, onde Duras comprou uma casa, quando a fortuna se cruzou com a sua obra.&lt;br /&gt;Em Marguerite Duras, 5, rue saint-Benoit, 3è étage gauche, Jean-Marc Turine conta 25 anos de amizade com a escritora, fazendo do célebre apartamento parisiense o palco deste quarto de século de recordações. &lt;br /&gt;Um inédito reúne cinco entrevistas de Marguerite Duras ao (defunto) Presidente da República francesa François Mitterrand, que foi o chefe da rede de resistentes a que pertenceu a escritora durante a II Guerra Mundial. O título, Le bureau de poste de la rue Dupin et autre entretiens recorda precisamente esta época. Nos media, a rádio France-Culture repara o vazio geral com uma série de oito programas sobre Duras. E é preciso ir até à Universidade de Fez, em Marrocos, para se encontrar um seminário ambicioso em memória da escritora. Os franceses estão a dedicar mais atenção aos 15 anos da morte do cantor e poeta Serge Gainsbourg. A.N.P., Paris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-114141823386534200?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/114141823386534200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=114141823386534200' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114141823386534200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114141823386534200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/03/dez-anos-depois.html' title='DEZ ANOS DEPOIS,'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-114141817850533870</id><published>2006-03-03T20:35:00.000Z</published><updated>2006-03-03T20:36:18.520Z</updated><title type='text'>Marguerite Duras, no Público</title><content type='html'>Aquela que dizia "a escrita, sou eu", viveu uma vida que ainda hoje aparece como um jogo de pistas escondidas, desvendadas apenas na sua obra impressionante. Dez anos depois da sua morte, Marguerite Duras permanece uma escritora fascinante e misteriosa. Por Ana Navarro Pedro, Paris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A história da minha vida não existe", escreve Marguerite Duras em O Amante. Este livro autobiográfico - todos o são, de certo, mas não de forma tão abertamente reivindicada - faz dela, em 1984, a escritora francesa mais publicada em França, mais traduzida, mais estudada nas universidades do mundo inteiro. Celebridade mundial, honras, fortuna... Duras tem 70 anos. Os biógrafos começam a exultar com a ideia de examinarem uma já longa vida feita de exibição e de dissimulação, de ódio e de amores brutais, de sedução e de combates. &lt;br /&gt;Mas Marguerite Duras não autoriza mais ninguém a escrever sobre Marguerite Duras. Quem a tenta sondar, enreda-se na tela de confidências e de desmentidos. Perde-se num póquer mentiroso do verdadeiro e do falso. Consome-se na escuta impotente de monólogos que a escritora desenrola, arrogante, triunfante.&lt;br /&gt;Uma jornalista e ensaísta, Laure Adler, levantou, porém, o desafio. Uma amizade de 12 anos com a escritora, a anuência desta, se bem que reticente, para inúmeros encontros e entrevistas, interrompidos inúmeras vezes pelo álcool, pela doença, pelas perdas de memória, e seis anos de paciente investigação - "o biógrafo tem o dever de ser céptico", diz a autora - redundaram em 600 páginas de uma biografia que, no fim, reconhece ter conseguido apenas "aproximar-se da verdade" (Marguerite Duras, 1998, Gallimard).&lt;br /&gt;"Eu sou um assunto em ouro", dizia Duras, ávida, a Yann Andréa, o último amante, e enfermeiro, e bode expiatório, encontrado em 1980 quando ele tinha 27 anos, e ela já 65 anos. Mas quem era ela? "Não sei, eu, se conseguiria suportar Duras", gatafunha a escritora, teatral, na margem de um dos seus cadernos, encontrado por Laure Adler. "Julgamos saber e depois não, nunca", diz Duras pela boca de Emmanuelle Riva, em Hiroxima, Meu Amor. Da sua vida, ficam como marcos algumas fotografias, e umas datas. A sua história, há que procurá-la na sua obra. &lt;br /&gt;De seu verdadeiro nome Marguerite Donnadieu, a escritora francesa mais exibicionista e mais enigmática do século XX nasceu em 1914 em Gia Dinh, uma aldeia perto de Saigão, então a principal cidade da Cochinchina. Aos quatro anos, a menina fica órfã de pai, um professor de Matemática francês. A mãe, tão odiada e tão amada, como o revelam O Amante e Uma Barragem contra o Pacífico (1950), regressa a França com os três filhos. Mas esta professora de escola primária esquece-se de mandar a filha à escola. "Foi, creio, a época da minha vida em que toquei mais de perto a felicidade perfeita. Aos oito anos, não sabia ler nem escrever", recordará, mais tarde, a escritora.&lt;br /&gt;Em 1923, a mãe regressa à Indochina e instala-se com os filhos numa região do Camboja, onde compra uma quinta não longe do mar. A ruína não tardará: os sonhos grandiosos de fortuna atolam-se nestas terras inundadas com água salgada seis meses por ano, sem que a família consiga levantar uma barragem contra a realidade. Durante este período, Marguerite passa dias inteiros empoleirada nas árvores ou a explorar a floresta tropical com o irmão adorado. &lt;br /&gt;Apesar da pobreza da família, a adolescente estuda no excelente liceu francês de Saigão. É na travessia do delta do Mekong que encontra "o amante", Huynh Thoai Lê, herdeiro de uma família de mandarins, que, durante dois anos, vai pagar todas as despesas da família Donnadieu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mitterrand e os nazis&lt;br /&gt;Aos 18 anos, Marguerite regressa a França para estudar Direito. Já na altura, tem toda uma corte de estudantes fascinados com a sua vida exótica e a sua personalidade carismática. Um deles conseguirá casar com ela, em 1939: Robert Antelme, redactor na Prefeitura de Polícia. &lt;br /&gt;A Segunda Guerra Mundial rebenta, e a biografia oficial de Duras esquecerá durante muito tempo - até à obra de Laure Adler - os episódios pouco gloriosos deste período. Antes de entrar na Resistência, em 1994, Marguerite Duras preside à comissão de controlo do papel de edição, sob tutela da ocupação alemã nazi. Desapareceu também da bibliografia de Marguerite Duras um romance da época, fortemente colonialista, segundo Adler, L"Empire Français.&lt;br /&gt;Mas fica na memória o primeiro verdadeiro romance, Os Insolentes, publicado pela Plon em 1943. Na Resistência, combate na rede de François Mitterrand, que seria mais tarde Presidente da República, e apaixona-se por Dyonis Mascolo, com quem terá um filho. Este verdadeiro ménage à trois vive tranquilamente na rua Saint-Benoit, nº5, em Paris - morada célebre de Duras até ao fim da vida. &lt;br /&gt;A rede da Resistência cai em 1944. Mitterrand consegue salvar a escritora, mas Antelme será deportado para o campo de concentração de Dachau. Duras adere ao Partido Comunista Francês (PCF). Mais tarde, Duras cria uma personagem, Thérèse, protagonista do romance A Dor, que tortura com prazer um bufo que denunciara uma rede de resistentes. Duras gaba-se de descrever aqui um episódio autobiográfico, embora mais tarde fuja a confirmar esta reivindicação. &lt;br /&gt;Excluída do PCF, zanga-se com o camarada e escritor Jorge Semprun, que acusa das piores torpezas, sem dar a mais pequena prova. Moderato Cantabile granjeia-lhe em 1958 fama e fortuna. Desesperante e desesperada, viciada no álcool com que a mãe a intoxicara desde pequena, para a fazer engordar, afortunada, mas ávida de dinheiro desde a infância pobre, paranóica e fascinante, Marguerite Duras multiplica os romances, as peças de teatro e os guiões de cinema, onde se estreia em 1960 com Horoxima Meu Amor, sob a direcção de Alain Resnais. Aos 59 anos, deixa-se tentar pela realização de cinema, com Índia Song, que faz sensação em Cannes, em 1973. &lt;br /&gt;Uma travessia do deserto termina em 1984 com O Amante. Eternamente provocante, reivindicando sempre a maldade para poder amar - "Tornei-me injusta e má, acredita", diz a mãe ao filho, na peça Dias Inteiros nas Árvores -, Marguerite Duras continuará a fascinar até à morte, a 3 de Março de 1996. &lt;br /&gt;Laure Adler recorda na biografia da escritora uma frase que ela escrevera durante a revolta estudantil de Maio de 1968 e que seria o seu mais perfeito epitáfio: "Não sabemos onde vamos, mas não é uma razão para lá não ir."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-114141817850533870?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/114141817850533870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=114141817850533870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114141817850533870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/114141817850533870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/03/marguerite-duras-no-pblico.html' title='Marguerite Duras, no Público'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-113673076845128590</id><published>2006-01-08T14:31:00.000Z</published><updated>2006-01-08T14:32:48.470Z</updated><title type='text'>Calendário, o livro de contas do tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&amp;sec=d67d8ab4f4c10bf22aa353e27879133c&amp;subsec=&amp;id=972b16cf2a61bb11a86bd16888fc4f3f"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Do Primeiro de Janeiro&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Calendário, quadro ou catálogo que indica a divisão do ano em estações, meses, semanas e dias, atribuindo muitas vezes a ordem das festas religiosas, assinalando certos fenómenos astronómicos como lunações, marés, eclipses, etc.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.oprimeirodejaneiro.pt/up/artigos-bin_imagem_1_jpg_0675390001136144093-902.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João-Maria Nabais*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde tempos imemoriais que o Homem tentou perceber a razão da sequência dos dias e das noites, e por certo ficaria fascinado, por longos períodos, a olhar os céus numa tentativa de perscrutar a imensa escuridão estelar, para assim justificar muitos dos enigmas com que se confrontava, no seu dia-a-dia, na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calendário, sua origem &lt;br /&gt;e cronologia histórica&lt;br /&gt;A necessidade de dividir e medir o tempo foi sentida com os primeiros passos da civilização. É a sucessão ordenada dos dias e noites, aliada ao fenómeno do ciclo das fases da Lua que conduziram às noções de dia e mês. O conceito de ano, só aparece com o desenvolvimento da agricultura nos povos antigos ao darem conta do ritmo das estações. São o dia, o mês lunar (ou lunação) e o ano, os períodos astronómicos naturais utilizados em qualquer calendário. A sincronização destes três componentes acentua a complexidade do calendário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do conhecimento actual sobre os calendários baseia-se em estudos de referência de dois escritores da Antiguidade: Ovídio, poeta romano, 43 a.C.-17/18 d.C.; e Plutarco, escritor grego, 50 d.C.-120 d.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal motivo da criação de um calendário é o desejo de organizar no tempo, os eventos de uma sociedade. Sempre teve um estatuto sagrado, além de servir de identidade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calendário vem do latim calendarìu (livro de contas, registo) e não de calendas (primeiro dia de cada mês entre os romanos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia solar verdadeiro, intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do Sol pelo meridiano dum lugar, varia entre 23h 59’ 39” e 24h 00’ 30”. Estas variações obrigam a utilizar um dia civil com a duração de 24 horas. Este dia, definido em função do dia solar médio, começa à meia-noite e termina à meia-noite seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lunação, intervalo de tempo entre duas conjunções consecutivas da Lua com o Sol, também não é um valor constante, mas varia entre 29 dias e 6 horas e 29 dias e 20 horas. O seu valor médio, conhecido com grande precisão, é de 29d 12h 44’ 02,8”. A revolução sinódica da Lua (período que decorre entre dois estados sucessivos de conjunção da Lua) está na origem dos calendários lunares, em que os meses têm alternadamente 29 dias e 30 dias. O seu valor médio, aproximado, é 29,5 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano sideral, duração da revolução da Terra em torno do Sol, é igual a 365d 06h 09’ 09,8”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano trópico, tempo decorrido entre duas passagens consecutivas do Sol médio pelo ponto vernal (ponto da esfera celeste por onde passa o centro do Sol, no seu movimento anual aparente, quando transita do hemisfério sul para o hemisfério norte), é actualmente de 365d 05h 48’ 45,3”. É o ano trópico que regula o regresso das estações e que intervém nos calendários solares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro período de tempo usual nos calendários é a semana de sete dias, cujo motivo se desconhece. É possível que estivesse relacionada com o mês lunar, visto que sete dias são aproximadamente um quarto de lunação, o intervalo aproximado entre a Lua cheia e o quarto minguante, ou talvez com o número dos sete astros principais do firmamento (os cinco planetas conhecidos na Antiguidade mais o Sol e a Lua). Mas é provável que a escolha de um intervalo de sete dias se deva ao carácter sagrado do número sete entre os antigos judeus. O período semanal de sete dias encontra-se hoje relacionado a um ciclo normal das actividades de trabalho e lazer, em quase todos os calendários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros Calendários &lt;br /&gt;Os primevos calendários são o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias: curto para representar o ciclo das estações, mas grande para corresponder ao chamado ano lunar, que se define como um período de tempo igual a 12 lunações completas existentes no ano trópico, ainda desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignora-se como os hebreus dividiam o ano, mas julga-se que já utilizavam a semana, visto que seguiam o mesmo princípio para contar os anos, agrupando-os em septanas ou semanas de sete anos. Pelo contrário, os egípcios dividiam o ano em 12 meses de 30 dias e cada mês em três décadas. Os egípcios também dividiam o ano em três estações, de acordo com as suas actividades agrícolas sujeitas às cheias periódicas do Nilo: a estação das inundações; a estação das sementeiras e a estação das colheitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gregos estabeleceram um ano lunar de 354 dias, que dividiram em 12 meses de 30 e 29 dias, alternadamente. Os meses, como no calendário egípcio, eram dedicados aos deuses e neles se celebravam festas, não só em honra do deus correspondente, mas também outras dedicadas aos astros, às estações, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primitivo calendário romano, o ano tinha 304 dias repartidos por 10 meses. Os quatro primeiros tinham nomes dedicados aos deuses da mitologia romana e provinham de tempos mais remotos: Martius (dedicado a Marte), Aprilis (a Apolo), Maius (a Júpiter), Junius (a Juno); os seis restantes eram designados por números ordinais, indicativos da ordem que ocupavam no calendário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Representa um calendário sem qualquer base astronómica, pois os períodos nele definidos não têm qualquer relação com os movimentos do Sol ou da Lua. Por isso, no tempo de Rómulo foram introduzidas algumas inserções de forma a harmonizar este calendário com os citados períodos astronómicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calendário de Rómulo foi reformulado por Numa Pompílio, o qual, seguindo o exemplo dos gregos, estabeleceu o ano de 12 meses, mas introduzindo em primeiro lugar o mês de Januarius, dedicado a Jano, e em último lugar o mês de Februarius, dedicado a Februa, ao qual os romanos ofereciam sacrifícios para expiar as suas faltas de todo o ano. Este foi o motivo por que o mês de Februarius foi colocado no fim. Mas Numa modificou também a duração dos meses, deixando o calendário do seguinte modo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.º Januarius 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.º Martius 31 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.º Aprilis 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.º Maius 31 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.º Junius 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.º Quintilis 31 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.º Sextilis 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.º September 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.º October 31 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.º November 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.º December 29 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12.º Februarius 27 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TOTAL 354 dias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano tinha 354 dias (ano lunar dos gregos). Mas esta curiosa distribuição dos dias pelos meses era devida à superstição dos romanos que tomavam por funestos os números pares. Pela mesma razão, consideraram nefasto o ano com 354 dias e aumentaram-no para 355 dias, atribuindo o dia excedente a Februarius, que passou a ter 28 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calendário juliano&lt;br /&gt;Devido à ignorância e preconceito dos sacerdotes que tinham a seu cargo o propósito de medir o tempo acentuou-se gradualmente a confusão no calendário romano.&lt;br /&gt;Foi esta desordem que Júlio César encontrou ao chegar ao poder. Logo se prepara para introduzir a sua reforma ao adoptar o calendário solar, conhecido por Juliano, que começou a vigorar no ano 709 de Roma (46 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o consulado de Marco António, reconhecendo-se a importância da reforma introduzida no calendário romano por Júlio César, foi decidido prestar-lhe justa homenagem, perpetuando o seu nome no calendário, de maneira que o sétimo mês, Quintilis, passou a chamar-se Julius - Julho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também no ano 730 de Roma (23 a.C.), o Senado romano decretou que o oitavo mês, Sextilis, passasse a chamar-se Augustus – Agosto. Foi durante este mês que começou o reinado, do primeiro imperador romano, César Augusto, sucessor de Júlio César, após ter posto fim à guerra civil que assolava a nação. E para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias do que o dedicado a Júlio César, o mês de Augustus passou a ter 31 dias. Este dia saiu do mês de Februarius, que ficou com 28 dias nos anos comuns e 29 nos bissextos. Também para que não houvesse tantos meses seguidos com 31 dias, reduziram-se para 30 dias os meses de September e November, passando a ter 31 dias, os de October e December. Assim se chegou à distribuição sem lógica alguma dos dias pelos meses, que ainda hoje vigora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calendário gregoriano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reforma gregoriana prepara um ajuste ao calendário Juliano para conseguir determinar correctamente a data da Páscoa, a mais importante festa cristã. Ao fazer regressar o equinócio da primavera a 21 de Março desfaz o erro de 10 dias já existente. Esta divergência causava prejuízos na celebração da Ressurreição e de outras festas móveis religiosas. Foi necessária a autoridade de um Papa. de cultura e perseverança como Gregório XIII (1572–1585), com a ajuda do astrónomo Christoph Clavius, célebre padre jesuíta que estudara matemática em Coimbra com Pedro Nunes, para conseguir impor a reforma. Em 24 de Fevereiro de 1582 promulga a bula Inter Gravíssimas, que estabelece os pontos essenciais do novo calendário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A duração do ano gregoriano é em média de 365d 05h 49’ 12”, isto é, tem actualmente mais 27s do que o ano trópico. A acumulação desta diferença ao longo do tempo representará um dia em cada 3000 anos.&lt;br /&gt;Portugal, Espanha e Itália foram os primeiros países que aceitaram de imediato a reforma do calendário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actualmente o calendário gregoriano pode ser considerado de uso universal. Mesmo aqueles povos que, por motivos religiosos, culturais ou outros, continuam agarrados aos seus calendários tradicionais, utilizam o calendário gregoriano nas suas relações internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosidades e paradoxos&lt;br /&gt;O modelo actual de calendário lunar é o calendário islâmico e do calendário solar é o calendário gregoriano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o calendário gregoriano serve como padrão nas relações internacionais de uso civil. Ao mesmo tempo regula o ciclo de cerimónias das Igrejas Católica e Protestante. De facto, o seu primeiro desígnio foi canónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o ponto de vista astronómico, o seu principal defeito é ser ligeiramente mais longo do que o ano trópico, o que se traduz por uma diferença de um dia em cerca de 3000 anos. Porém, esta pequena diferença não tem qualquer inconveniente imediato e uma reforma do calendário destinada a corrigi-la traria sérios problemas, porque iria criar uma descontinuidade com as consequentes complicações cronológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo não acontece sob o ponto de vista prático, em que, de facto, se justifica uma modificação. Com efeito, o número de dias de cada mês é muito irregular (28 a 31 dias). O mesmo acontece com a semana, adoptada quase universalmente como unidade laboral de tempo, que não se encontra integrada nos meses e muitas vezes repartida por dois meses diferentes. Estas duas anomalias têm sérios inconvenientes numa distribuição racional do trabalho e dos salários, que são maiores do que à primeira vista se pode pensar. Até a própria economia doméstica se recente, visto que um salário mensal fixo tem de ser distribuído por um número diferente de dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais grave ainda é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre 22 de Março e 25 de Abril, com as consequentes perturbações da duração dos trimestres escolares e de outras numerosas actividades (judiciais, económicas, turísticas, etc.) particularmente nos países cristãos em que as festas da Semana Santa têm um grande significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo um recente estudo (Fraser, 1987), haverá hoje cerca de quarenta calendários em uso, em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A complexidade dos calendários deriva pelo facto dos vários períodos de revolução não conterem um número inteiro de dias e também, porque os ciclos astronómicos não serem constantes, nem perfeitamente mensuráveis uns com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___&lt;br /&gt;Nota – alguns dados astronómicos foram em parte documentados, na Origem e evolução do nosso calendário, de Manuel Nunes Marques&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Médico, poeta, ensaísta, investigador&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-113673076845128590?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/113673076845128590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=113673076845128590' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113673076845128590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113673076845128590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/01/calendrio-o-livro-de-contas-do-tempo.html' title='Calendário, o livro de contas do tempo'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-1713776249385304572</id><published>2006-01-06T10:52:00.000Z</published><updated>2008-03-16T10:52:49.331Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aulas de substituição'/><title type='text'>Cansaços</title><content type='html'>O que a Senhora Ministra acabou de explicar à Sic Notícias é que quer acabar com os números negros da ignorância e da iliteracia.&lt;br /&gt;Quem não se rende a este propósito tão nobre?&lt;br /&gt;Eu rendo-me, claro!&lt;br /&gt;Porém, recuso-me a acreditar que a maneira de o fazer seja à custa dos professores. A troco de quê? De aulas de substituição que não servem para nada e desgastam inutilmente as reservas de entusiasmo dos professores? A troco da ameaça velada, e a partir de agora continuada, de uma avaliação injusta por parte de qualquer encarregado de educação muito, pouco ou nada instruído, pois não é isso que está em causa?&lt;br /&gt;Eu sou velha nisto e sempre ouvi os professores dizerem que eram permanentemente avaliados por todos: pais, alunos, colegas, funcionários... Só faltava mesmo a formalização dessa avaliação e a validação por parte do Ministério.&lt;br /&gt;E a indisciplina Senhora Ministra? E os programas? E a carga horária das disciplinas? E as áreas projecto e os estudos acompanhados? Sabem os senhores em geral que, no quinto ano, as disciplinas de Inglês, História e Ciências têm a mesma carga horária do Estudo Acompanhado? E os noventa minutos, em que sobeja tempo útil de aula, ao contrário dos quarenta e cinco, em que falta? E as carências dos meninos mais pobres? E as pobrezas morais que por aí há que "animam" muito os telejornais? Na escola, nós temos de lidar com elas antes da "Alice no País das Maravilhas" Senhora Ministra!!!!&lt;br /&gt;Já percebi, Senhora Ministra, são só os professores que estão mal, para si. Ou melhor, são só os sindicatos. Pensando melhor, é só a Fenprof, que a incomoda de facto.&lt;br /&gt;Estou cansada e estou vencida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-1713776249385304572?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/1713776249385304572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=1713776249385304572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/1713776249385304572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/1713776249385304572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2006/01/cansaos.html' title='Cansaços'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-8136267051587993060</id><published>2005-12-13T10:49:00.000Z</published><updated>2008-03-16T10:50:17.061Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Agualusa'/><title type='text'>José Eduardo Agualusa</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A VIDA DOS PARDAIS&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Destaque: "A humanidade divide-se entre aquelas pessoas que são capazes de apertar a mão a um político, e as que não são. Eu sofro de um excesso de civilização - não sou." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sou pessimista", assegurou o pessimista: "mas o que hei-de fazer se o mundo é um lugar péssimo?" &lt;br /&gt;A pergunta não presumia uma resposta. Parecia uma citação. O pessimista ergueu o copo e bebeu mais um gole de vinho. A mulher, Flávia, trinta anos mais nova, com uma longa cabeleira dourada, solta, que lhe chegava à cintura, repetiu-lhe o gesto. O optimista riu-se: &lt;br /&gt;"Eu cá gosto do mundo. Há muitas coisas terríveis, guerras, fomes, epidemias, homens-bombas, desastres ecológicos, música pimba, enfim, o que vocês quiserem, mas viver é maravilhoso!" &lt;br /&gt;Os outros olharam-no com estranheza, senão mesmo (um ou outro) com mal disfarçada hostilidade. Raramente alguém ousava contestar o pessimista. &lt;br /&gt;"Vejam bem, o Natal, as multidões enchendo as ruas! Eu gosto disto, da alegria das crianças, das luzes nas árvores, da ideia de que, quando Dezembro chegar ao fim, nos será dada a possibilidade de apagar os nossos erros e recomeçar tudo outra vez. Ano novo, vida nova. Ah, que maravilha!..." &lt;br /&gt;"Odeio o Natal", cortou, sombrio, o pessimista: "Puro mercantilismo. Odeio em particular a figura do Pai Natal. Às vezes imagino-me na pele de um serial killer especializado em degolar Pais Natais..." &lt;br /&gt;A ideia divertiu o grupo. O pessimista não tinha aspecto de serial killer. Era um homem já de certa idade, isto é, passara a idade em que seria possível imaginá-lo a degolar Pais Natais. Vinha de uma família com dinheiro e um nome nobre e sonante. Mantinha, apesar dos anos, uma forma física invejável, seco, sempre muito direito. As mulheres achavam-no charmoso. Ele não gostava da palavra. Ironizava: &lt;br /&gt;"Isso a que vocês chamam charme não é outra coisa senão a simples combinação entre boa postura e boa educação." &lt;br /&gt;O optimista, pelo contrário, era um sujeito um tanto desajeitado, nascido e criado numa remota aldeia alentejana (definia-se a si próprio como um luso-alentejano), que subira na vida a muito custo, mas sem nunca perder a gargalhada franca, e a capacidade de rir das próprias desgraças. Estavam numa varanda debruçada sobre o casario, o rio quase ao alcance da mão. Entardecia. Alguém lembrou o espectáculo melancólico da campanha eleitoral para a Presidência da República. Um outro comensal, um homem triste, pálido, condenou o vazio de ideias, e o afã populista dos candidatos: &lt;br /&gt;"Eu não poderia ser político. Não seria capaz de andar mergulhado no meio das multidões, a beijar criancinhas e peixeiras, cartomantes e carteiristas, eu sei lá!, a apertar a mão a desconhecidos." &lt;br /&gt;O pessimista concordou. Ele ia além. O que mais o horrorizava era apertar a mão promíscua dos políticos que afagavam as multidões: &lt;br /&gt;"A humanidade divide-se entre aquelas pessoas que são capazes de apertar a mão a um político, e as que não são. Eu sofro de um excesso de civilização - não sou." &lt;br /&gt;O optimista era tão optimista que, inclusive, acreditava nos políticos, ou pelo menos em alguns políticos, e na democracia. Aquilo pareceu a todos um exagero. Riram-se com gosto da ingenuidade dele. Bem, todos não. Flávia ouviu-o com atenção. O optimista não se esforçava por alcançar a aprovação dos outros. Falava com paixão das vidas minúsculas dos pardais e dos matizes das rosas que plantava no jardim. Ouvindo-o falar a vida parecia um facto inédito, uma festa. Flávia reparou que ele tinha umas mãos bonitas, eloquentes, marcadas pela dureza do passado, mas de unhas limpas e bem cuidadas. Gostou da forma como sorria. Houve um momento de silêncio. A seguir o pessimista propôs que criassem ali mesmo uma associação secreta destinada a eliminar do planeta a figura rídicula do Pai Natal. Flávia não se riu. &lt;br /&gt;O sol inclinou-se gravemente, diante deles, como um mordomo antigo. Tocou com os cabelos em chamas a lenta água em movimento. O pessimista fechou os olhos, absorto, enquanto em redor a luz se extinguia. Quando os reabriu Flávia fora-se embora. O optimista também. Juntos, mas isso ele só descobriu alguns dias depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-8136267051587993060?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/8136267051587993060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=8136267051587993060' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8136267051587993060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/8136267051587993060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/12/jos-eduardo-agualusa.html' title='José Eduardo Agualusa'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-113356522977829137</id><published>2005-12-02T23:12:00.000Z</published><updated>2005-12-02T23:13:49.793Z</updated><title type='text'>Depois...</title><content type='html'>Cinco anos mais tarde, Evangelia e George separam-se e a mãe regressa à Grécia com as duas filhas, mudando novamente o apelido para Kalogeropoulos. No ano seguinte, Maria é admitida no Conservatório Nacional de Atenas, apesar da idade não ser a legalmente exigida. Começa então os estudos musicais, sob a orientação de Maria Trivella e no mesmo ano, a 11 de Abril, faz a primeira aparição em público, num recital, juntamente com os outros estudantes do Conservatório.&lt;br /&gt;Os dados do destino estavam lançados, pelo menos no que dizia respeito ao talento e à voz da diva do bel canto. Ainda na Grécia, viveu momentos difíceis. No entanto, foi aqui que começou o deslumbramento dos músicos com a sua voz. Maria é convidada a substituir a soprano, que adoecera subitamente, na Opera “Tosca” de Puccini, numa representação ao ar livre. Maria, ao longo desses anos, não tinha parado nunca de estudar, de aprender e de cantar, mas esta foi a sua oportunidade.&lt;br /&gt;No ano seguinte começa a preparar o seu regresso aos Estados Unidos, em busca de sucesso, à procura do pai, mas sobretudo de estabilidade política, da paz, que entretanto já se anunciava na Europa, com o fim da guerra. A 3 de Agosto de 1945, Maria despede-se de Atenas num concerto, o primeiro recital a solo, iniciativa que tem como objectivo angariar fundos para a passagem. Em Setembro parte para os Estados Unidos.&lt;br /&gt;Apesar das audições quase imediatas para a Ópera Metroplitana, não parecia fácil arranjar trabalho, um contrato que lhe trouxesse aquilo que sonhava, que procurava e merecia, não só pelo talento natural, como também pelo trabalho árduo, que nem em tempos de glória e de sucesso deixou de ter. “Eu não confio na glória.” Diria um dia, numa entrevista, bem mais tarde. Cedo terá aprendido a não confiar.&lt;br /&gt;Porém, em 1947, o mundo reconhecia o valor desta voz, mais uma vez de um modo inesperado... Quando tudo parecia dar uma volta, deu outra e outra ainda, como se de uma dança se tratasse... A Companhia de Chicago, com quem tinha um contrato, faliu, dias antes da representação tão esperada, onde se encontrariam outras vozes célebres da Europa! Mas Giovanni Zanatello estava nos Estados Unidos, precisamente à procura de vozes, para o Festival de Ópera de Verona desse ano. Contrata-a para cantar “A Gioconda”. Era o sucesso a rondar a vida de Maria Callas.&lt;br /&gt; Durante os ensaios, conhece um amante de ópera, Giovanni Baptista Meneghini, industrial muito rico, com quem casa a 21 de Abril de 1949. Marido, Meneghini torna-se também empresário de Callas, gerindo o êxito quase absoluto dos anos cinquenta, com momentos inesquecíveis da Divina, desde o Scala de Milão a outros lados. No próprio dia do casamento embarcara para a Argentina, para cantar no “Teatro Colon”, em Buenos Aires. &lt;br /&gt;Os anos cinquenta são também de convívio social intenso e, acompanhada do marido, Callas frequenta os ambientes mais ricos e sofisticados. Assim conhece Aristóteles Onassis, o mítico armador milionário grego, em Veneza, por intermédio de Elsa Maxwell, uma anfitriã americana.&lt;br /&gt;A determinada altura, tremendamente magra e frágil, Callas começa a evidenciar sinais de fadiga. A diva abandona uma gala, onde se encontrava o Presidente Italiano, em Roma, a 2 de Janeiro de 1958, a seguir ao primeiro acto de “Norma” de Bellini. A crítica foi severa, mas a diva seguiu, aparentemente indiferente, envolvendo-se em novos incidentes, como uma discussão com o Director de La Scala, em Maio do mesmo ano.&lt;br /&gt;Em Dezembro, reaparece com todo o seu esplendor, na Ópera de Paris. Onassis assiste e percebe-se que o seu interesse vai para além da voz. Ele quer a mulher que não lhe resiste. No ano seguinte, o casamento com Meneghini termina, depois de um cruzeiro no célebre iate Christina, onde também viajou Winston Churchill. &lt;br /&gt;São dois anos de envolvimento amoroso com um dos homens mais poderosos do mundo do dinheiro e Callas abdica de quase toda a sua vida artística para o acompanhar. Os fotógrafos perseguem-na, porque o mundo devora escândalos e a imprensa vende-os a alto preço. É um preço bem alto que Callas começa a pagar com este romance: primeiro o afastamento dos palcos e finalmente a rejeição de Onassis, que casa em 1968 com Jackeline Kennedy, uma das mulheres mais bonitas da época, viúva do presidente John Kennedy.  &lt;br /&gt;São várias as tentativas de regressar às luzes e aos aplausos, mas Callas apenas voltará aos palcos para um canto de cisne, doloroso e prolongado. Um amigo de longa data, tenor, Di Stefano, convence-a a participar com ele, numa série de recitais. A causa é nobre: o dinheiro destina-se ao tratamento da filha do tenor. “...um êxito pessoal, mas um insucesso artístico...” dizem os críticos, em jeito de balanço, depois de terminada a tournée, em 74.&lt;br /&gt;Onassis morre em 75 e dois anos mais tarde, em Paris, no seu apartamento, a 16 de Setembro, Callas morre também, no meio da mais completa solidão e tristeza. &lt;br /&gt;Caiu o pano, sem palmas. Calou-se a voz da protagonista grega de uma tragédia: a sua própria vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-113356522977829137?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/113356522977829137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=113356522977829137' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113356522977829137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113356522977829137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/12/depois.html' title='Depois...'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-113335675178708406</id><published>2005-11-30T13:18:00.000Z</published><updated>2005-11-30T13:19:11.803Z</updated><title type='text'>da Pública para mim</title><content type='html'>SAL E ESQUECIMENTO&lt;br /&gt;José Eduardo Agualusa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Escuder vendeu facilmente as fotografias que fez na Ilha. Eram todas elas muito boas. Publicou-as numa conhecida revista madrilena. Só as vi, porém, no mesmo dia em que, por uma dessas incríveis coincidências que fazem com que, tantas vezes, a vida pareça menos verosímil do que a literatura, li a notícia da morte de Mauro. Na revista madrilena havia uma foto dele, extraordinária, contemplando absorto a Fortaleza de São Sebastião. &lt;br /&gt;Cheguei à ilha na companhia de Escuder, jovem fotógrafo catalão, que se propunha construir, para uma tese de mestrado, um portfolio sobre o esquecimento. Carles lera no Le Monde uma reportagem com o título, não muito original, convenhamos, "A Ilha Esquecida", e fora isso que o trouxera até ali. A mim trouxera-me a poesia de Rui Knopfli: &lt;br /&gt;"A fortaleza mergulha no mar / os cansados flancos / e sonha com impossíveis / naves moiras. / Tudo o mais são ruas prisioneiras / e casas velhas a mirar o tédio. / As gentes calam na / voz / uma vontade antiga de lágrimas / e um riquexó de sono / desce a Travessa da Amizade. / Em pleno dia claro / vejo-te adormecer na distância, / Ilha de Moçambique, / e faço-te estes versos / de sal e esquecimento". &lt;br /&gt;Estava sentado a uma das mesas do restaurante África Blues, na área internacional do aeroporto de Joanesburgo, e tinha nas mãos "A Ilha de Próspero", com fotografias do próprio Knopfli, quando Carles me abordou: &lt;br /&gt;"Vai para a Ilha?" &lt;br /&gt;Fizemos juntos a viagem de avião para Maputo, e de Maputo para Nampula. Em Nampula alugámos um taxi. O motorista era um velho seco, frágil, de cabelo inteiramente branco e o rosto sulcado por fundas rugas, mas um sorriso intacto, luminoso, que parecia ter sido estreado naquele mesmo dia. Chamava-se Ben, diminutivo de Benigno, Benigno Meigos, o que me pareceu um bom presságio, sabendo-se que a palavra meigo provém do grego magikós, pertencente à magia, aquele que encanta. &lt;br /&gt;A Ilha, que foi capital de Moçambique até 1898, está ligada ao continente por uma estreita e compridíssima ponte, ferrugenta, como uma corrente a prender um barco ao cais. O abandono não me surpreendeu. Era o que eu esperava: velhos casarões atordoados sob um sol feroz. Um lento cerco de praias, um mar cor de esmeralda, as enormes árvores fatigadas, cobertas de poeira. Havia também jovens à sombra jogando ntchuva, ou simplesmente imóveis, silenciosos, de braços cruzados. Mais tarde, nas varandas, vi mulheres, em capulanas coloridas, alongadas sobre esteiras (algumas delas com o telemóvel pousado junto à cabeça). Naturalmente, já não encontrámos riquexós. &lt;br /&gt;Benigno parou o carro junto a um largo portão - uma pousada -, recebeu o que lhe era devido e prometeu regressar à tarde, para nos levar a conhecer a Ilha, e uma praia, no continente, que era a única, assegurava, onde nos convinha tomar banho. O proprietário da pousada, Mauro, um italiano ruivo, de meia idade, trazia vestida uma t-shirt cor de laranja na qual se podia ler - "Deus acredita em mim". Não fiquei muito convencido. A cabeleira ruiva, desordenada, dava-lhe um ar meio atónito, implausível. O próprio Deus, vendo-o assim, talvez o colocasse em dúvida. &lt;br /&gt;"Esta ilha é um sumidouro", disse, num português triunfante, depois que nos sentámos diante dele, à sombra lilás de um caramanchão coberto por buganvílias. Mandou que nos servissem um sumo de caju, muito fresco, e continuou: &lt;br /&gt;"Vejam bem, os estrangeiros vêm para esta Ilha para esquecerem algo, ou alguém, ou para serem esquecidos. O poeta Tomás António Gonzaga, por exemplo, e os seus companheiros da inconfidência mineira. As pessoas chegam a este lugar e são esquecidas e depois elas próprias se esquecem de quem foram. Gonzaga esqueceu-se da bela Marília. Talvez até se tenha esquecido do Brasil. Deixou descendentes aqui, sabiam?" &lt;br /&gt;"E o senhor?", perguntei-lhe: "veio para esquecer ou para ser esquecido?" &lt;br /&gt;O italiano sacudiu a áspera cabeleira ruiva: &lt;br /&gt;"Ambas as coisas." &lt;br /&gt;Carles quis saber se lhe poderia fazer um retrato, ali mesmo, sentado à mesa, sob aquela luz de fantasia. Mauro assustou-se: &lt;br /&gt;"Não, não! Fotografias não!..." &lt;br /&gt;A veemêcia com que se recusou a ser fotografado irritou Carles. &lt;br /&gt;"Não é italiano", assegurou-me nessa noite, enquanto passeávamos pela Ilha: "é basco. Disfarça o sotaque, talvez tenha passado alguns anos em Itália antes de vir para aqui, mas de vez em quando distrai-se e então volta a ser basco. E também não é ruivo, não percebeste?, pinta o cabelo." &lt;br /&gt;No dia seguinte, ao almoço, Mauro bebeu um pouco para além da conta. Bebemos todos. Abraçou-se a mim: &lt;br /&gt;"Numa outra vida fiz muitos disparates, muita confusão." &lt;br /&gt;Repetiu a palavra confusão. No geral é uma palavra que agrada aos estrangeiros que vivem, ou visitam, Angola ou Moçambique. Kapuscinski, na sua delirante reportagem sobre a independência de Angola, "Mais um dia de vida", dedica-lhe vários parágrafos. &lt;br /&gt;"É isso", insistiu Mauro: "fiz maning confusão. Mais tarde arrependi-me. Arrepender-me foi a parte pior. Agora só quero esquecer, ser esquecido. Espero consegui-lo..." &lt;br /&gt;Quando li a notícia da sua morte soube que não o conseguira. Um homem branco montado numa moto, dizia o jornal. Passou diante da varanda onde Mauro descansava, estendido numa rede, e disparou um único tiro. Depois desapareceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-113335675178708406?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/113335675178708406/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=113335675178708406' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113335675178708406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113335675178708406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/11/da-pblica-para-mim.html' title='da Pública para mim'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-113290762661864840</id><published>2005-11-25T08:32:00.000Z</published><updated>2006-05-18T08:29:45.416Z</updated><title type='text'>EPC   Aulas de substituição e mais</title><content type='html'>Eduardo Prado Coelho&lt;br /&gt; o fio do horizonte&lt;br /&gt;Fui ver o Prós e Contras com a maior curiosidade. Queria perceber que terá levado professores à greve, que me dizem que foi muito participada (não estava cá para ver de mais perto). Mas nas actuais circunstâncias difíceis do país, um sector tão importante como é a educação só poderia, pensava eu, fazer greve com ponderosas razões. Devo dizer desde já que fiquei convencido que todos estavam de acordo no essencial e que aquilo que os dividia eram questões formais, de lana-caprina, que não justificavam a irresponsabilidade demonstrada. Cheguei à conclusão de que o que teria movido os sindicatos seria uma vez mais uma lamentável ausência de solidariedade para com um governo que tomou medidas corajosas que até agora mais ninguém havia tomado (e isso deve-se à coragem e determinação de José Sócrates), e que deu uma linha orçamental para o país, e aquela tendência dos sindicatos para se tornarem forças de conservação e mesmo reaccionarismo face às mudanças do mundo que manifestamente não entendem (e que conduz a uma dessindicalização vertiginosa em toda a Europa). É triste, quando se trata de profissionais que têm por função compreender o mundo.&lt;br /&gt;Diga-se desde já que a ministra foi excelente. Sem nenhuma arrogância, revelando o espírito de diálogo e abertura que muitos lhe contestam, Maria de Lurdes Rodrigues mostrou entusiasmo na sua missão e foi mesmo ao ponto de reconhecer que esse entusiasmo poderia ter efeitos negativos no modo como por vezes queria resolver as coisas. Parabéns também para David Justino, que, com um sentido de justiça que se sobrepôs a razões políticas (essas que levaram à desgraça parlamentar de Marques Mendes), soube dizer como estava de acordo com quase todas as medidas da actual ministra.&lt;br /&gt;Para além dos aspectos que dizem respeito à função pública em geral (e que todos aceitam para os outros, mas ninguém quer aceitar para si), julgava que a grande questão era a das aulas de substituição. Ouvi sobre isso dizerem-se coisas extraordinárias: que os professores não tinham que ficar a tomar conta de meninos, e que um professor de Geografia não poderia substituir uma aula de Educação Física. Estávamos na demagogia mais despudorada. Substituir uma aula em que um professor falta não é necessariamente dar a matéria que ele estava a dar. Mas qualquer professor que não seja um debilóide sabe estabelecer uma relação com turmas de alunos que não conhece e conversar descontraidamente sobre aspectos genéricos das disciplinas e as suas correlações (nada é estanque), sobre os modos de tirar notas na aula, sobre a procura de um livro ou de um artigo na biblioteca, sobre o uso produtivo da Internet e outras questões metodológicas. O único problema que vejo na permanência dos professores nas escolas está na necessidade de encontrar espaços onde eles possam trabalhar sossegadamente, ler os livros que lhes interessam ou preparar aulas. Esta é a questão que me parece que cada escola, na sua autonomia, tem de resolver.&lt;br /&gt;Quanto à greve, foi certamente um equívoco de que alguns se aproveitaram politicamente. Professor universitário&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depressões&lt;br /&gt;Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há qualquer coisa que não pode deixar de me impressionar: à minha volta vejo cada vez mais pessoas em estado de acentuada depressão. Talvez eu antes fosse mais desatento e elas já existissem também. Mas a verdade é que a atmosfera é agora um pouco desesperante: como se a sociedade adoecesse à nossa vista.&lt;br /&gt;Muitas têm um psicanalista e arrastam análises intermináveis. Mas a maior parte recorre a psicoterapeutas. As razões são as mais diversas: há o Dom Juan compulsivo, que não consegue fixar-se afectivamente e se sente numa espécie de exílio permanente; há aquele que chega a uma certa idade, a idade dos balanços, e acha que falhou tudo na vida; há o outro que considera que ninguém o reconhece na sua qualidade profissional ou na sua vontade de amar louca e perdidamente; há aquele que de repente se sente terrivelmente só porque os pais morreram, e a casa dos pais, onde se refugiava, deixou de existir; há aquele que sente o terrível aproximar da morte e ele não queria morrer; há o hipocondríaco que acumula doenças sobre doenças, lê livros de medicina e tem um medo terrível da dor; há inúmeros professores que perderam o gosto de ensinar e já não suportam a violência das escolas; há os militantes políticos que deixaram de acreditar em qualquer militância e ficaram à deriva; há aqueles que acham que a vida política se tornou num espaço de interesses concorrenciais e perdeu qualquer sentido de utopia e ideal; há os que odeiam o país, a nossa mediocridade, a nossa desordem, a nossa oscilação temperamental, o nosso estilo de patos-bravos endinheirados e gostariam de ir viver para outros lugares, ou em Nova Iorque, ou no Maputo.&lt;br /&gt;Muitos deles têm um traço em comum: pertencem à classe média, mas de súbito perderam o estatuto económico que usufruíam e sentem-se em plena fossa, incapazes de fazer face ao modo de vida a que estavam habituados. Por tudo isto culpam o país, que faz diagnósticos sobre diagnósticos, mas tem dificuldade em encetar uma verdadeira recuperação, culpam o Governo, culpam José Sócrates e vão começar a culpar Cavaco Silva, que nem sempre parece ter uma visão optimista do nosso futuro próximo. Embora quisessem que o país mudasse, gostariam que mudasse para voltar a ser o que era antes (e nós tendemos a idealizar o passado) e não para vir a ser o que virá a ser depois. Nesse plano, os sindicatos são exemplares. Embora haja quem reconheça que precisam de se adaptar aos novos desafios, qualquer mudança surge sempre como uma violência e um atentado aos direitos dos trabalhadores.&lt;br /&gt;Temos agora algo que poderia melhorar a auto-estima dos portugueses: o Campeonato do Mundo de futebol. Falamos como se a vitória final nos estivesse reservada, coisa que não é evidente, longe disso, aos olhos dos observadores estrangeiros. E sobrecarregamos de tanta responsabilidade a nossa selecção que esta só pode sentir ansiedade pelo peso que nela recai.&lt;br /&gt;Mas, se vencermos, será o Verão do nosso contentamento. Nesse caso, talvez Sócrates (que tem a enorme vantagem de não fazer política com estados de alma) pudesse fazer uma remodelaçãozita... Professor universitário &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A arte de perder&lt;br /&gt;Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas coisas que perdemos ao longo de uma vida!&lt;br /&gt;Perdemos as casas onde vivemos, que habitámos por dentro, naquilo que uma casa tem de mais dentro de si mesma. Perdi a casa de infância dos meus pais na adolescência - no mesmo ritmo que os perdi. Perdi a casa da Avenida do Uruguai, a casa da Rua de Entrecampos, a casa do Lumiar, que os meus pais me ofereceram, a casa do Marais, em Paris, onde vivi dez anos, a casa da Parede. Cada casa corresponde a um ritmo de vida, uma forma de cadência do quotidiano. Mas perdi-as e encontrei outros lugares.&lt;br /&gt;Perdi lugares. Cafés - tantos - onde estudava: perdi a Granfina e o Nova Iorque, perdi o Vavá de que tanto gostava, povoado de amigos e cúmplices, perdi o Monte Carlo e raramente volto ao Toni dos Bifes, onde o Carlos de Oliveira ou o Abelaira se encontravam. Perdi um pouco o hábito regular de ir à Versalhes. &lt;br /&gt;Perdi a Faculdade de Letras e o seu bar fumarento e ruidoso, invadido por vagas de alunos de Direito. Perdi o Estádio Universitário, o dos plenários do movimento de estudantes, onde falavam o Jorge Sampaio ou o Eurico de Figueiredo. Perdi o bar do Estádio Universitário, para onde ia estudar, mal chegava a Primavera. Perdi a casa de gelados Monte Branco, ali ao Saldanha, para onde ia ler e escrever nas noites de Verão. Perdi a praia de São Martinho do Porto, a praia dos primeiros namoros. Não a reconheço, porque fui reencontrá-la massacrada por uma urbanização selvagem e incomodativa. Encontrei a foz do Arelho.&lt;br /&gt;Perdi Paris, o Centro Pompidou, os cinemas do boulevard Saint-Germain, os cafés La Hune e Les Deux Magots, as livrarias Le Divan, que já não existe, e La Hune. Perdi o Teatro de la Ville, onde vi espectáculos magníficos, descobri muito da dança contemporânea, e encontrei pela primeira vez a Pina Bausch. Perdi o Châtelet (o Castelinho, como gostava de dizer o Pierre), onde tive a revelação de William Forsythe e de Bob Wilson. Perdi La Gamin de Paris, no Marais, assim como a livraria (asfixiada economicamente com a guerra do Golfo) ou a pequena loja de discos de música clássica. Perdi o quiosque de Saint-Paul, onde ia todas as manhãs com o meu cão Spinoza, e este aguardava sempre com impaciência que a dona do quiosque lhe desse o brioche que estava tacitamente prometido.&lt;br /&gt;Perdi amigos, muitos. O Zé Ribeiro da Fonte, a Margarida Vieira Mendes, o Al Berto aparecem por vezes nos meus sonos. Perdi mulheres, muitas, algumas no Brasil, outras em Portugal. Perdi livros, que ficaram noutras casas, que desapareceram sem que eu saiba porquê, que emprestei e não recuperei. Perdi também alguma memória de tudo o que perdi.&lt;br /&gt;Mas há um poema de Elizabeth Bishop que se chama precisamente "Uma arte" e é sobre essa difícil arte de perder. Diz assim: "A arte de perder não é nenhum mistério; / tantas coisas contém em si o acidente / de perdê-las, que perder não é nada sério. (...) Perdi duas cidades lindas. E um império / que era meu, dois rios e mais um continente. / Tenho saudades deles. Mas não é nada sério. // Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo / que eu amo) não muda nada. Pois é evidente / que a arte de perder não chega a ser mistério / por muito que pareça (Escreve!) muito sério." Professor universitário&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-113290762661864840?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/113290762661864840/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=113290762661864840' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113290762661864840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113290762661864840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/11/epc-aulas-de-substituio-e-mais.html' title='EPC   Aulas de substituição e mais'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-113290749336648117</id><published>2005-11-25T08:30:00.000Z</published><updated>2005-11-25T08:31:33.380Z</updated><title type='text'>Aulas de substituição (2)</title><content type='html'>Eduardo Prado Coelho &lt;br /&gt;Embora já imaginasse uma certa reacção, nunca pensei que a classe dos professores se manifestasse com tanta violência em relação ao meu texto anterior sob o mesmo título. Há aqui aspectos irracionais que têm certamente a ver com uma experiência da escola profundamente traumática. Uma das mensagens que recebi no telemóvel dizia: "Sou debilóide, fiz greve." Como se trata de uma das minhas melhores amigas, e como sempre a considerei extremamente inteligente, fui ver o que tinha escrito: 1) eu nunca disse, nem diria, que os professores que fizeram greve são "debilóides"; 2) o que eu escrevi é que aqueles que por serem de Matemática dizem que não podem dar actividades de substituição quando falta o professor de História se manifestam como "debilóides". Não se pode generalizar a palavra a todas as situações - e convém que um professor leia os textos com a devida atenção e não se precipite quando vê um vocábulo que julga mais insultuoso, achando que necessariamente tem a ver com ele. Quanto ao mais, não retiro uma só vírgula de tudo o que escrevi.&lt;br /&gt;Ouvi a ministra dizer até o que me parece ser importante: que não se trata de dar aulas, mas de conduzir actividades de substituição. Isso implica a possibilidade de utilizar material que não sei se as escolas possuem: seria útil que tivessem filmes, CD, DVD, discos de poesia dita, jornais e revistas de todos os géneros e que se habituassem a pensar com exercícios lúdicos propostos pelo professor - isto é, existe uma metodologia das actividades de substituição.&lt;br /&gt;O que me respondem é que em muitas escolas os professores vivem um clima de terror. Alguém me contava que havia professores que vomitavam de reacção nervosa antes de entrarem na aula. Sem falar nos casos absolutamente inadmissíveis de agressão dos professores, muitas vezes com a cobertura vitimizadora dos próprios pais. Um correspondente do PÚBLICO escrevia há dias, numa carta do maior interesse, que se assistia (não apenas em Portugal, sublinhe-se) a uma transferência das responsabilidades tradicionais da família e do papel psicanalítico do pai para o espaço da escola e para uma sociedade sem pais. Que resulta daqui? Uma saturação explosiva do espaço da escola sobre a qual recai um excesso de expectativas. Mas conheço muitos professores excelentes que sabem lidar com os alunos e estabelecer com eles nexos de cumplicidade. É possível, portanto. E também devo reconhecer que alguns professores vivem das matérias que aprenderam na faculdade e não têm aquele mínimo de cultura geral que se exige a quem ensina.&lt;br /&gt;Concluo, portanto, que é necessário restabelecer níveis justos de disciplina na escola. E (para agravar ainda mais o meu caso) gostaria de dizer o que já repeti por várias vezes: que muitos dos males da escola vêm da propagação de ideias no ministério desses profissionais de uma ciência inexistente a que dão o nome de "pedagogia". Cuidado, senhora ministra! Professor universitário&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-113290749336648117?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/113290749336648117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=113290749336648117' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113290749336648117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113290749336648117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/11/aulas-de-substituio-2.html' title='Aulas de substituição (2)'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-113026224693257249</id><published>2005-10-25T17:42:00.000Z</published><updated>2005-10-25T17:44:06.943Z</updated><title type='text'>Ler ou não ler...eis a questão</title><content type='html'>Os Franceses levaram a cabo sobre os hábitos e preferências de leitura.&lt;br /&gt;Com a colaboração da Fnac e do jornal “Le Monde”, seis mil cidadãos franceses responderam a um inquérito, ou melhor escolheram entre duzentos livros seleccionados, aquele que julgariam dignos de figurar entre os cinquenta livros do século. Isto durante o Verão de 1999.&lt;br /&gt;A pré-selecção de livros foi de livreiros e críticos e diga-se em abono da verdade, estavam representadas figuras da Literatura Francesa do século vinte, mas também não foram esquecidos os mais emblemáticos escritores estrangeiros, nomeadamente Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Para mim tenho que Fernando pessoa não será entre nós o mais lido. A poesia pressupõe já um critério selectivo e o nosso poeta maior do século vinte não é certamente de fácil leitura. Será que Saramago, Lobo Antunes ou Torga faziam parte desta lista? O próprio Paulo Coelho, que em França tem um invejável mercado de leitores? Eu própria soube da sua existência, através dos Franceses que num escaparate de supermercado, davam grande relevo à sua última obra (nessa altura O Alquimista).  E Jorge amado, tão grande entre os seus pares?&lt;br /&gt;A partir dessa escolha, a partir desses resultados, Frédéric Beigbeber, romancista e crítico, leu e comentou as cinquenta obras, dando origem a um trabalho que se chamou “Dernier Inventaire Avant Liquidation”. Trata-se de cinquenta obras-primas e o sue propósito é deitar por terra o conceito generalizado de obra-prima: “um livro de que toda a gente fala mas ninguém lê”.Estas obras não são para venerar, mas sim para ler, contestar, triturar... A convicção com que o diz é simplesmente contagiosa. E, conforme afirma de modo bem explícito, o seu propósito é levar os seus leitores a lerme essas obras e outras, eventualmente melhores...Aqui podemos finalmente propor os nossos, se é que alguém o não fez já.&lt;br /&gt;Em tom talvez tocado ao de leve por uma certa amargura, pergunta o que procuramos nós nos livros. Pergunta que ficará sem resposta. Nos livros encontramos tudo o que temos na vida, na mais comum existência. Ou não? Individualmente daremos as nossas respostas, na intimidade do nosso pensamento, porque de pensamento se trata, quando se trata de ler.&lt;br /&gt;E, finalmente a lista. Para mim, que não sou francesa, a primeira surpresa, desilusão quase: Le Petit Prince não está no topo da lista. Nem em segundo, nem em terceiro lugar. Somente em quarto, depois de O Estrangeiro, de Camus, Em Busca Do Tempo Perdido, de Proust, e de O Processo, de Kafka. John Steinbeck e As Vinhas da Ira, bem como Ernest Hemimgway  e Por Quem  Os Sinos Dobram  aparecem entre os dez primeiros. &lt;br /&gt;E essa surpresa, essa desilusão leva-me a deixar aqui registada a opinião deste crítico sobre Le Petit Prince: “O único conto de fadas do século vinte”. E, como todos nós deixa-se embalar pela lembrança dessa leitura inesquecível, dessa personagem não menos inesquecível  que desperta sempre a mesma ternura. Não resisto a citar: “Este conto podia intitular-se Em Busca Da Infância Perdida.” Considera-a uma obra de contestação contra a idade adulta e contra as pessoas muito racionais. ET e Alice poderão considerar-se os setes mais próximos do menino que um dia largou o planeta B612, para dizer qualquer coisa de muito importante aos homens. Não só uma mensagem de ternura, também de responsabilidade. Somos todos responsáveis por todos os que chamamos ou aceitamos ao pé de nós.&lt;br /&gt;É inevitável referir o primeiro da lista. O Estrangeiro de Camus.&lt;br /&gt;Ao elegerem esta obra , os franceses pronunciaram-se contra a xenofobia e isso é muito relevante na opinião do crítico. Este pequeno romance de cento e vinte e três páginas conta a história de Mersault, um homem estranho, indiferente a tudo. Condenado à morte por homicídio, nem isso parece perturbá-lo. Nem a morte da mãe, acontecimento que abre a narrativa, parece importante, a ponto de ser apontada com precisão no calendário: “ A mamã morreu hoje. Ou talvez ontem, não sei.” É provavelmente a vitória do anti-herói. Hoje que vivemos rodeados de heróis, talvez nos interesse mais conhecer um anti-herói. Tudo parece absurdo, menos o estilo de Camus: frases curtas.&lt;br /&gt;Recorda ainda a própria figura de Camus, o mais novo Nobel da Literatura depois de Kypling, ele próprio a personificação do absurdo. Sósia de Humphrey Bogart até a sua morte foi absurda. Apesar de sofrer de tuberculose, mal da época, “Camus foi assassinado aos 47 anos por um plátano na berma da Nacional 6, entre Villeblevin e Villeneuve-la-Guymard, com a cumplicidade de Michel Galiimard e de um descapotável Facel Vega.” Os amantes dos automóveis talvez reconheçam o modelo, eu não. Mas haveria maneira mais elegante de descrever um acidente e as suas causas? Eu penso que não. E penso também que isso pode ser uma singela homenagem ao autor, que apesar da cor morena da pele e do modo absurdo como viveu e escreveu, venceu as preferências dos Franceses.&lt;br /&gt;Pensemos qual seria o autor que nós, Portugueses, gostaríamos de ver ganhar este primeiro lugar. Cada um terá a sua resposta. Deixemo-la na intimidade do nosso pensamento... Eu também tenho a minha resposta....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-113026224693257249?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/113026224693257249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=113026224693257249' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113026224693257249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/113026224693257249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/10/ler-ou-no-lereis-questo.html' title='Ler ou não ler...eis a questão'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112506165641604136</id><published>2005-08-26T13:03:00.000Z</published><updated>2005-08-26T13:07:36.423Z</updated><title type='text'>Hommage à Horst Tappe</title><content type='html'>&lt;a href="http://carnetsdejlk.hautetfort.com/archive/2005/08/24/horst-tappe-n-est-plus.html"&gt;A La Désirade, ce mercredi 24 août&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Nous venions de passer à table, hier soir, avec des amis, lorsque Bernard Campiche m’a appris au téléphone la triste nouvelle de la mort de Horst Tappe, rongé par un vilain crabe dont il a été délivré dimanche dernier, dans le même hôpital du Samaritain où s’est éteint Vladimir Nabokov qu’il avait portraituré comme aucun autre, et du coup je suis allé chercher une quinzaine d’autres de ses portraits, de Lobo Antunes et de Patricia Highsmith, d’Ezra Pound et de Picasso, de Nancy Huston et de Judith Hermann, touts marqués par la même qualité de lumière et de présence, qui caractérisait le grand art de notre ami ; et plus tard, nos invités nous ayant quittés, j’ai repensé aux heures passées ensemble avec Horst depuis notre première rencontre, à Saint-Malo, puis à son domicile de Territtet, dans son logis de vieux garçon au visage embellissant quand il se sentait valorisé, où nous nous racontions nos lectures et nos pérégrinations en picolant comme il l’aimait pour s’adoucir la vie. De fait, affligé d’une difformité physique allant s’aggravant, le cher homme, quoique ne se plaignant jamais, devait souffrir de se sentir tenu à distance des femmes, même si deux d’entre elles (les jeunes historiennes de l’art Sarah Benoit et Charlotte Contesse) l’ont entouré, ces dernières années, de prévenances particulières en l’aidant à réaliser plusieurs expositions et ses deux livres consacrés à Nabokov et Kokoschka, jusqu’à la triste fin que lui a valu sa tumeur au visage.&lt;br /&gt;Certains êtres marqués dans leur chair, comme l’était aussi Flannery O’Connor avec son affreux lupus, trouvent dans leur douleur une énergie productrice de beauté, et c’est ce qui me frappe le plus dans le portraits que nous laisse Horst Tappe, au-delà de tout esthétisme de studio : c’est cette beauté intérieure, liée à l’aura de la personne, qu’il parvenait à restituer. La douceur et la gravité qui se dégagent des portraits de Nancy Huston ou de Judith Hermann, la morgue impériale de vieille tortue d’un Somerset Maugham ou le charme ravageusement mélancolique d’un Antonio Lobo Antunes, entre tant d’autres visages réellement révélés, en disent beaucoup sans doute, aussi, sur la qualité d’un artiste et d’un homme auquel, plus que le prestige des noms et des titres, la relation simple et vraie importait pour l’essentiel. Tout cela que j'ai tâché de ramasser dans cet hommage à paraître demain...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un portraitiste des êtres &lt;br /&gt;Le photographe allemand Horst Tappe, dont les portraits de grands auteurs et artistes contemporains (de Nabokov, Pound, Picasso ou Kokoschka, à presque tous les Nobel de littérature) ont fait le tour du monde, est mort dimanche dernier à l’hôpital du Samaritain, à Vevey, à l’âge de 64 ans, des suites d’une cruelle maladie.&lt;br /&gt;Né en 1941 en Westphalie, Horst Tappe avait acquis les bases de son métier dans un atelier traditionnel de sa ville natale, suivi les cours de Martha Hoepffner dans l’esprit du Bauhaus, et achevé sa formation à l’Ecole de photographie de Vevey, auprès d’Oswald Ruppen. Installé à Montreux depuis 1965, il était membre de l’American Society of Magazine Photographers et collaborateur permanent de périodiques et d’éditeurs du monde entier. En Suisse romande, il était devenu, dès 1986, le photographe attitré des auteurs de Bernard Campiche.&lt;br /&gt;Passionné d’art et de littérature dès ses jeunes années, Horst Tappe avait rencontré « son » premier sujet au début des années 60, en la personne de Jean Giono. Suivirent Oskar Kokoschka, à Villeneuve, qui aimait à s’entretenir avec lui à grand renfort de « lait » (ainsi que le peintre appelait son scotch…), le mythique Ezra Pound à Rapallo, puis Vladimir Nabokov son illustre voisin montreusien, qui l’emmena sur les hauts gazons à la chasse aux papillons, et dont il réalisa une série de portraits unique au monde, déjà présentée à Montreux et Saint-Pétersbourg, en attendant d’autres escales.&lt;br /&gt;De Noël Coward posant en son castel des Avants, à Picasso torse nu et l’air d’un empereur inca, Somerset Maugham au faciès de vieux bonze à peau de lézard ou Patricia Highsmith en sa naturelle élégance d’éternelle jeune fille bohème, entre tant d’autres, Horst Tappe, captant l’aura de chacun dans ses lumière magiques, restituait à tout coup le frémissement d’une présence, évitant à la fois l’anecdote et la pose désincarnée.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evoquant son arrivée en Suisse romande, Horst Tappe m'avait déclaré un jour: « Après l’Allemagne d’Adenauer, si lourdement matérialiste, je me suis senti revivre au bord du Léman ! ». La reconnaissance inverse, de la part des instances culturelles vaudoises et suisses, ne lui fut guère concédée en revanche, et l’indifférence que lui manifesta notamment le Musée de l’Elysée n’est pas à l’honneur de celui-ci. Du moins trouva-t-il ces dernières années, auprès des historiennes de l’art Sarah Benoit et Charlotte Contesse, une aide précieuse pour la réalisation de livres (sur Vladimir Nabokov et Oskar Kokoschka) et d’expositions mettant en valeur ses précieuses archives, représentant environ 5000 portraits. La destinée de ce trésor reste actuellement incertaine, soumise à la décision du frère légataire du photographe. Quoi qu’il advienne, il faut espérer que le legs artistique de Horst Tappe, intéressant l’art photographique autant que les archives littéraires du XXe siècle, soit traité avec autant de respect que le photographe vouait à son art et aux êtres qu’il a « immortalisés »…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montreux, Musée, 35 portraits de Kokoschka. Jusqu’au 31 octobre.&lt;br /&gt;Horst Tappe. Kokoschka. Préface de Christoph Vitali. Merian Verlag, 95p.&lt;/em&gt;&lt;a href="http://carnetsdejlk.hautetfort.com/archive/2005/08/24/horst-tappe-n-est-plus.html"&gt;Cet hommage a paru dans l'édition de 24 Heures du 25 août 2005&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://carnetsdejlk.hautetfort.com/images/medium_antunes2.4.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112506165641604136?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/112506165641604136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=112506165641604136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112506165641604136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112506165641604136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/08/hommage-horst-tappe.html' title='Hommage à Horst Tappe'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112431844329415727</id><published>2005-08-17T22:39:00.000Z</published><updated>2005-08-18T12:50:23.473Z</updated><title type='text'>Carta Aberta à Escola</title><content type='html'>&lt;em&gt;Aqui para nós, a escola é um mal necessário que os alunos contestam por todos os lados.&lt;br /&gt;Dentro desse aglomerado de salas , passam-se coisas dignas de se contar.&lt;br /&gt;Antigamente, no tempo da minha avozinha, até havia uma régua grossa e os meninos andavam separados das meninas por turmas. Para não falar já naquela bata ridícula que eram obrigados a usar.&lt;br /&gt;Hoje é um bocadinho diferente: existe maior compreensão da parte dos professores e dos alunos. Já não é preciso a batinha e anda tudo misturado.&lt;br /&gt;Hoje é assim...&lt;br /&gt;O toque da entrada já lá vai e o professor já está sentado, mas falta metade da turma; o segundo toque vem aí e, com ele, a outra metade da turma:&lt;br /&gt;- Stor, posso entrar?&lt;br /&gt;A aula começa e o professor pede para abrir o livro na página quarenta e cinco. Metade da turma não tem livro, mas, apesar disso, o António vai tentar ler, com mais uns cinco em cima dele. É a inflação dos livros...&lt;br /&gt;No silêncio da leitura, ouve-se a voz do Carlos a perguntar que horas são, ao Aíta! O professor faz uma cara de irritado e diz-lhe que vá já, se está com muita pressa, mas com falta, claro! O Carlos, como é evidente, cala-se e dá um sorrisinho sem graça.&lt;br /&gt;A aula continua a desenrolar-se quando é avistado um “aeroplano” de papel a sobrevoar a turma, desde o fundo da sala. O professor, mais uma vez irritado, pergunta quem é que fez o avião. Ninguém se acusa. Apesar das risotas e das insinuações dos da frente, não há outro remédio senão continuar a dar matéria.&lt;br /&gt;Mais adiante, é novamente interrompida a aula.&lt;br /&gt;O que foi desta vez?  Não se sabe. Só se vê o Vítor e o Russo, vermelhões, escondendo a cara no livro. Por fim, o professor, sempre irritado, ameaça-nos de, para a próxima, irmos todos para a rua.&lt;br /&gt;Mas eis que o toque da saída atrapalha o raspanete e eis também que ninguém mais ouve nada, todos se levantam, gritam, batendo nas mesas com os livros, arrastando mesas e cadeiras.&lt;br /&gt;Assim acaba a aula, já sem ninguém na sala.&lt;br /&gt;O professor fica perplexo. Foi mais uma aula em que ninguém ficou a saber “como é a raiz quadrada das invasões napoleónicas, na lei de Lavoisier com o auxiliar do verbo parler, junto à cadeia alimentar ou à espiral das ilhas dos Açores”...&lt;br /&gt;No recreio, sim,  talvez esteja a única coisa que aprendemos bem: a conviver.&lt;br /&gt;Todos fumam ou comem, cravando cinco ou dez escudos ao parceiro. Aí, sim, fazem-se amizades e dezamizades. Todos se abraçam e riem, ao serem criticados pelos vizinho que moram mesmo ali muito perto, neste convívio em que se discute tudo, desde o primeiro namorado da Isabel ao último disco dos Rolling Stones.&lt;br /&gt;Por isso, viva o recreio!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ana Paula, aluna do oitavo ano do Externato de Odivelas, 1981/82&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112431844329415727?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/112431844329415727/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=112431844329415727' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112431844329415727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112431844329415727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/08/carta-aberta-escola.html' title='Carta Aberta à Escola'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112353716980531541</id><published>2005-08-09T12:08:00.000Z</published><updated>2005-08-16T10:00:42.830Z</updated><title type='text'>A Balada Para Jesse Owens</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/46896571@N00/32398881/" title="Photo Sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/32398881_e5bad2916a_o.jpg" width="191" height="796" alt="a Bola 1985" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112353716980531541?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112353716980531541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112353716980531541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/08/balada-para-jesse-owens.html' title='A Balada Para Jesse Owens'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112254185752298919</id><published>2005-07-28T09:10:00.000Z</published><updated>2005-07-28T10:20:17.936Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Lembro-me que fiquei muito triste quando descobri que, no mundo, havia gente pobre e gente rica..." &lt;br /&gt;Talvez a sua compreensão do mundo tenha ficado para sempre moldada por esta conclusão da infância. Talvez todas as compreensões do mundo, de todos nós, nasçam na infância. &lt;br /&gt;Nessa altura, Evita estava ainda desse lado da vida. Do lado da gente pobre.&lt;br /&gt;Terá sido esse tempo que lhe deu a convicção para tomar o partido dos desfavorecidos, dos mais fracos,  e a lembrança desse tempo forneceu-lhe a força dessa convicção.&lt;br /&gt;“Eu sou uma de vós. Eu sei o que é ter fome.”&lt;br /&gt;Esta frase, ou outras frases como esta, punham os pobres todos ao lado de Evita. E estes são muito mais numerosos do que os ricos. Evita contaria sempre com eles, ao longo da sua vida, e mesmo depois, para chegar onde queria. &lt;br /&gt;Em vida, Evita quis ter um lugar de poder. Eles ajudaram-na a chegar lá. &lt;br /&gt;Evita não queria ser esquecida, queria tornar-se lenda, mito. Eles tomaram conta deste seu desejo.&lt;br /&gt;Viveu à velocidade da luz, deixando de brilhar no firmamento dos pobres, dos "descamisados", demasiado cedo, com apenas trinta e três anos.&lt;br /&gt;Eva Peron, Evita, morreu a 26 de Julho de 1952.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a luz da História a que confere mais brilho à figura de Evita. É a luz dos mitos. Ela própria preparou o mito que havia de perpetuar a sua memória e dourá-la cada vez mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112254185752298919?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/112254185752298919/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=112254185752298919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112254185752298919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112254185752298919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/07/lembro-me-que-fiquei-muito-triste.html' title=''/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112164366859188367</id><published>2005-07-17T23:38:00.000Z</published><updated>2005-07-17T23:41:08.600Z</updated><title type='text'>UNESCO aprova monumentos de Macau...</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1228291&amp;idCanal=14"&gt;...para Património da Humanidade &lt;br /&gt;15.07.2005 - 12h54   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A UNESCO aprovou hoje a inclusão de zonas históricas de Macau na lista de Património Mundial da Humanidade, numa decisão tomada na reunião que decorre em Durban, na África do Sul, revelou fonte oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Largo da Barra, onde está situado o Templo de A-Má, a deusa protectora dos pescadores e da cidade, passando pelo Largo do Lilau, junto ao qual se ergue a denominada Casa do Mandarim e que marca as recordações da comunidade macaense, seguindo pelo Largo de Santo Agostinho, do Senado, da Sé, S.Domingos e da Companhia de Jesus atravessamos parte da cidade marcada por construções chinesas misturadas com a traça europeia. Essa influência europeia está vincada nas fachadas das igrejas como S. Lourenço ou São José.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre templos chineses, igrejas católicas, edifícios antigos, como o do Leal Senado, e fortalezas como o Quartel dos Mouros, a Fortaleza do Monte ou a Fortaleza da Guia, em redor da qual estavam situados alguns dos principais pontos de defesa da cidade, a história de Macau é revisitada e deixa à vista a evolução da cidade e convivência das culturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O património histórico de Macau é produto único de mais de 400 anos de intercâmbio cultural entre o Mundo ocidental e a civilização chinesa", lê-se na apresentação da candidatura de Macau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o documento, a candidatura macaense justifica-se porque o "património arquitectónico predominantemente de raiz portuguesa, ergue-se por entre construções de arquitectura tradicional chinesa no povoado histórico, evidenciando um notório contraste".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Parte dos monumentos existentes constituem o grupo de monumentos arquitectónicos de raiz europeia mais antigo, mais completo e mais bem consolidado que ainda se mantém intacto em solo chinês", refere o texto da candidatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A zona de candidatura, apresentada à UNESCO, coincide com núcleo da área correspondente ao primeiro povoado ocidental em Macau, também conhecido como "cidadã-cristã" no contexto da história do território.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O estabelecimento de Macau por navegadores portugueses, em meados do século XVI, lançou as bases de quase cinco séculos de contacto ininterrupto entre o ocidente e o oriente", afirma a nota de candidatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As origens do desenvolvimento de Macau como porto comercial internacional fazem do mesmo o único e mais consistente exemplo do intercâmbio cultural entre Europa e Ásia", assegura o mesmo texto.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Do jornal &lt;a href="http://www.publico.clix.pt/"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112164366859188367?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/112164366859188367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=112164366859188367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112164366859188367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112164366859188367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/07/unesco-aprova-monumentos-de-macau.html' title='UNESCO aprova monumentos de Macau...'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112159381278695150</id><published>2005-07-17T09:49:00.000Z</published><updated>2005-07-17T09:50:12.803Z</updated><title type='text'>Manuel Alegre no JL</title><content type='html'>Manuel Alegre&lt;br /&gt;Viver para cantá-la&lt;br /&gt;Por José Carlos de Vasconcelos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A publicação da Praça da Canção, no final da Primavera de 1965, em Coimbra, foi um verdadeiro acontecimento – poético e político. Tratou-se da revelação em livro de uma voz nova, inconfundível, interveniente, militante, que aliás nos meios estudantis já era muito conhecida e nos meios de combate à ditadura, em geral, já o começava a ser. Manuel Alegre tinha sido actor no TEUC, pertencido a listas de esquerda nas eleições para a Associação Académica, «discursara» em manifestações estudantis, a Trova do Vento que Passa, cantada por Adriano com música de António Portugal, já se transformara numa espécie de hino de resistência, o poeta já tinha sido chamado para a «tropa», estado na guerra colonial e na cadeia, partido para o exílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro saiu, rodeado de grande segredo (obviamente iria ser apreendido pela polícia política), terceiro título do «Cancioneiro Vértice», uma colecção editada pela conhecida revista do mesmo nome, ligada ao neo-realismo, para cuja redacção, em 1961 ou 62, entraram quatro jovens: Alegre, Fernando Assis Pacheco, J. A. Silva Marques e eu próprio. Pouco depois os dois primeiros seriam chamados para a «tropa» e iriam para a guerra, para Angola, Silva Marques sairia de Coimbra e passaria à clandestinidade, e fiquei só eu (quatro ou cinco anos mais novo e «isento» do serviço militar). Aquela colecção iniciara-se, aliás, com Cuidar dos Vivos, do Assis, em 63, a que se seguiu o meu Corpo de Esperança, em 64.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impacto de Praça da Canção foi enorme, é difícil a quem não viveu esses tempos imaginá-lo. O Manel (como os amigos lhe chamavam e chamam) sofreu as agruras do exílio em Paris e depois em Argel (onde foi redactor e «locutor» da rádio Voz da Liberdade), tornou-se uma figura muito destacada da luta anti-fascista. Entretanto publicou, em 1967, O Canto e as Armas, que amplia o registo de Praça da Canção, no qual o exílio (o seu e o dos portugueses em concreto, e o exílio como metáfora) tem um grande peso; e, em 1971, o «poema dramático» Um Barco para Ítaca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1974, com o 25 de Abril e a liberdade, regressa a Portugal, e a partir daí progressivamente vai publicando mais e mais, primeiro só poesia, depois prosa, sobretudo ficção (romance, conto, novela), ensaio criativo, textos políticos. Seria ocioso estar aqui a recensear a sua já vasta bibliografia, assinale-se apenas que, vencendo os (no mínimo) «preconceitos» de muitos críticos e literatos, a sua obra cada vez mais se foi impondo a todos os níveis, sobre ela têm escrito os mais relevantes ensaístas e já recebeu significativas distinções, entre as quais o Prémio Pessoa. Ao mesmo tempo, Alegre manteve uma constante actividade política. Deputado há 30 anos, desde a Assembleia Constituinte, é vice-presidente do Parlamento. No último Congresso do PS, em 2004, aceitou ser candidato a secretário-geral do partido de que tem sido destacado dirigente. E o seu nome é dos mais referidos como eventual candidato a Presidente da República, no início de 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 40 anos de Praça da Canção são assinalados designadamente com uma edição especial do livro (ed. Dom Quixote), em «texto definitivo», com belos desenhos de José Rodrigues e um bom prefácio de Paula Morão, que se vem somar ao que de melhor escreveram sobre o poeta Eduardo Lourenço, Maria Helena da Rocha Pereira, Carlos Reis, Mário Sacramento, Victor Aguiar e Silva, entre outros. Oportunidade para um longo diálogo, sobre a poesia e a vida, nele tão inextrincavelmente ligadas (e daí o título desta ‘tirado’ de García Márquez) de que aqui fica o essencial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Letras: Começamos pelo pretexto próximo desta conversa, que são os 40 anos de Praça da Canção. Como é?...&lt;br /&gt;Manuel Alegre: É uma memória muito viva. Em mim e nas pessoas dessa geração. Mas também há malta nova que sabe esses poemas. Tenho ido a escolas, sobretudo quando se comemora o 25 de Abril, e embora de forma não generalizada vejo que isso acontece, graças ao trabalho de alguns professores. Seja como for, 40 anos são 40 anos. O que queres que te diga? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos então a ‘factos’: Praça da Canção, até hoje, quantas edições teve e quanto exemplares terá tirado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu saiba, deve andar à volta das 13 ou 14 edições autónomas: as primeiras, as da Europa-América e as de bolso da Dom Quixote. Além delas há as incluídas na Obra Poética e outras que eu não controlei, clandestinas. Além das manuscritas e dactilografadas – porque nessa altura ainda não havia máquinas de fotocópias nem computadores. No total, acho que deve ultrapassar os 100 mil exemplares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser o livro de poemas difundido pelo menos da segunda metade do século XX. Será? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Essa é opinião de vários editores. Talvez seja até o livro de poesia mais editado, mais difundido e mais cantado em vida do autor. Mais, mesmo, que os livros do Junqueiro, porque as edições no seu tempo eram menores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é hoje a tua relação com os poemas da Praça da Canção e as circunstâncias em que apareceram? Ainda te marcam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcam, porque correspondem a uma época decisiva da minha vida. Evidentemente que, hoje, escreveria alguns desses poemas de outra maneira - se calhar pior... Porque uma das suas forças é uma certa ingenuidade, a convicção na força da palavra. Ainda não tinha lido o Ezra Pound, nem as suas teorias sobre os cancioneiros e os trovadores. Quando os escrevi foi por impulso, por instinto, por razões não explicáveis. E isso também tem a ver com uma fase intensa da minha vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fase de Coimbra, das lutas estudantis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e, depois, já na tropa, dos Açores, onde escrevi alguns desses poemas, nomeadamente «País de Abril», agora, na edição definitiva, dedicado ao Melo Antunes, a primeira pessoa a quem o li. “País de Abril” que esteve para ser o título do livro, o que só não aconteceu por causa da canção “Avril au Portugal” – podia parecer uma coisa turística. Claro que, nessa altura, não me passava pela cabeça que ia haver uma revolução num mês de Abril e o Melo seria um dos seus líderes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois dos Açores, Angola, a guerra, a prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dessa vida muito atribulada, eu escrevia intensamente. A poesia foi quase como uma casa, um abrigo, um refúgio, uma forma de resistir a essa situação. Além disso, também tinha a convicção (como tu e outros, acho que todos partilhávamos isso) de que pela palavra poética se podia mudar a realidade, se podia mudar o País. O que está presente nesses poemas. Não esqueço as circunstâncias em que escrevi alguns deles. Por exemplo, naquela altura fazia poemas de cabeça e só depois os passava ao papel. Quando estive na cadeia, isolado durante um largo período, sem caneta e sem papel, fiz e memorizei alguns desses poemas, que só mais tarde escrevi. Isso aconteceu-me muitas vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Camilo Pessanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente. O que só mais tarde vim a saber. Nessa época, a poesia tinha para mim uma marca muito oral. Sentia a necessidade de dizer o poema para mim mesmo, e até de o dizer a alguém, às vezes antes de o escrever. O que marcou a minha poesia e talvez explique o seu tom cantabile. Hoje não tenho essa necessidade nem faço isso: quando escrevo, é mesmo um acto de caneta e papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oralidade seria influenciada também pela tua passagem pelo teatro e pelos ‘discursos’ nas lutas académicas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez. E pela poesia oral, sei lá. No TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, dirigido por Paulo Quintela), nós dizíamos muita poesia. De qualquer forma, antes de saber ler, eu já sabia poemas de cor. Os meus pais diziam-se poemas, acompanhavam-se à guitarra e cantavam o fado. A minha mãe era uma repentista fantástica, a cantar ao desafio era imbatível. E tinha uma tia-avó, Maria do Carmo Sampaio, mãe do pintor Fausto Sampaio, que me lia muita poesia. Ensinou-me poemas de António Nobre, Garrett, Guerra Junqueira, até do António Sardinha – porque era monárquica, integralista, ao contrário do irmão, o meu avô, que era republicano, carbonário. O meu pai também me lia versos de Camões e de outros poetas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o primeiro poema de que te lembras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de, muito pequeno, subir para cima de uma cadeira e recitar um poema, cujo autor não sei quem é, que começava «Lá vão elas, as caravelas». São estes os primeiros versos de que me recordo. Mas também recordo, além dos versos dos fados e dos que me lia a minha tia-avó, incluindo do Cancioneiro de Garrett, da «Nau Catrineta», de «Estava a bela Infanta no seu jardim assentada», dos romances que os ceguinhos cantavam na Rua de Baixo, em Águeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola ou no liceu algum professor te influenciou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Liceu Alexandre Herculano, no Porto, onde andei, houve um professor que me marcou muito: o António Cobeira, de quem falo num conto de O Homem do País Azul. Fora amigo íntimo do Fernando Pessoa (que uma vez mandou para a Renascença Portuguesa poemas seus) e do Mário Sá-Carneiro, dos quais falava muito. E revelou-me o Sá Carneiro, um poeta importante para mim nessa fase, que também tem uma grande estrutura rítmica. Além disso ele lia poesia, leu-me o soneto de Arvers, que traduzi em Rouxinol do Mundo: nunca o vi escrito, mas nunca mais o esqueci. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em Coimbra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a ler o Rilke e o Hölderlin, por influência do Paulo Quintela. Escrevi mesmo, nessa altura, uma poesia muito empastada, uma grande trapalhada, onde havia marcas dos dois. Mas aí o importante foi o contacto com o Lousã Henriques, com o Herberto Hélder, que passava temporadas em minha casa, com o (Fernando) Assis (Pacheco). O Assis era de todos nós o que lia mais poesia (poetas franceses, ingleses, muito os espanhóis) e se calhar o que sabia mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... de repente, a minha linguagem soltou-se. Voltando, digamos, a uma estrutura rítmica mais cantabile. Os poemas começaram a aparecer feitos. Os poemas, as trovas. As primeiras foram publicados na Via Latina, em 1961 ou 1962, eras tu o chefe de redacção: a Trova do Amor Lusíada (que mais tarde a Amália haveria de cantar), com um desenho do Topi, em separado, depois uma página inteira com cinco poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Trova do Vento que Passa, que ficou como um símbolo e uma bandeira, até hoje, já é de 1963, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. 1964. Venho de Angola, da cadeia, estou com residência fixa em Coimbra, recordo absoluta e exactamente o momento em que ‘nasceram’ os seus primeiros versos. Eu vinha de casa, ia a atravessar a Praça da República com o Adriano (Correia de Oliveira) e havia uns pides a seguir-nos, a minha vida já estava a ficar muito negra. O Adriano disse, «lá vêm eles». E, de repente, saíram-me os últimos versos: «Mesmo na noite mais triste/ em tempo de servidão,/ há sempre alguém que resiste,/ há sempre alguém que diz não». E o Adriano comentou: «Isso é uma coisa fantástica. Agora tens que escrever o resto. Porque podes nunca mais escrever nada, mas esses versos vão ficar, para sempre, na memória de todos». Mal ele imaginava que isso em parte viria a acontecer graças à sua interpretação da música que para ela escreveu o (António) Portugal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler texto completo no JL&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112159381278695150?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/112159381278695150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=112159381278695150' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112159381278695150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112159381278695150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/07/manuel-alegre-no-jl.html' title='Manuel Alegre no JL'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-112033734323063481</id><published>2005-07-02T20:48:00.000Z</published><updated>2005-07-02T20:49:03.240Z</updated><title type='text'>Autobiografia de António-Pedro Vasconcelos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O cinema e a vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer que fui salvo – se é que alguém é salvo – pela ficção. Foram os autores – os escritores e, sobretudo, os cineastas – quem me moldou o carácter. Não foram os meus pais – cuja memória eu venero – nem os professores, quem me ensinou a viver. Foi Stendhal e Preminger, Montaigne e Howard Hawks. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolescente, interroguei-me sobre a existência de um Deus transcendente, a quem devíamos dar contas e que se encarregava de nos salvar ou condenar; um olho supremo que vigiava os nossos actos e nos ditava os códigos da moralidade. Foi o Marquês de Sade, o divino Marquês, quem me libertou dos preconceitos da fé, foi Sartre quem me ensinou a ser livre, Montaigne quem me ensinou a viver sem garantias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte e poucos anos, em Paris, durante as noites intermináveis em que fui veilleur de nuit num Hotel da Rîve Droite, ao pé da sede do Partido Comunista, devorei todos os livros do mundo, substituí a monotonia das noites tristes dum hotel de duas estrelas pela «ilusion lyrique» dos personagens de Malraux; e, em Julien Sorel, encontrei uma alma gémea com quem partilhei as angústias da solidão e do orgulho: identifiquei-me com aquele jovem ambicioso que esbarrava contra as injustiças do mundo, os paraísos interditos e o preconceito dos poderosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pele de Robert Jordan, conheci o amor, simples, caloroso e doce, enfiado num saco de couchage, com Maria; e, enquanto os sinos dobram, partilhei com os companheiros de combate a defesa da República, numa Espanha demasiado habituada aos desastres da guerra. Mas «terna é a noite», segredava-me Fitzgerald que logo me devolveu a melancolia e a consciência da morte, esse verme maligno instalado no coração da juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmilhei com Rimbaud os caminhos poeirentos de Charleroi a Paris, embarquei com ele no Bateau Ivre e percebi que «je est un autre» e que «la vrai vie est aileurs». Mas o poeta, que se reconciliou com a Beleza, depois de a ter sentado nos joelhos e a ter insultado, abandonou-me no Harrar, depois de ter lançado um grito desdenhoso aos burgueses que o viram morrer com uma gangrena na perna, como um castigo infligido aos que ousam desafiar os deuses e a fortuna: «Qu’est mon néant auprès de la stupeur qui vous attend?» &lt;br /&gt;Ainda guardo alguns livros desses tempos, livres de poche, amarelecidos pelo tempo e roídos pelas traças, a maior parte roubados nas livrarias, alguns sem capa, lidos nos cafés e no metro, onde sublinhei com ênfase juvenil as frases que me guiaram na vida como um vade mecum de algibeira. Abro ao acaso: ouço o velho Ferral da Condição Humana, explicando a Gisors: «Um deus pode possuir, mas não pode conquistar. O ideal de um deus é de se tornar homem, sabendo que não perderá o seu poder; e o sonho de um homem, de se tornar deus sem perder a sua personalidade». E ouço Hemingway comentar o desespero de Thomas Hudson, o seu alter ego nas Ilhas na Corrente, pela perda dos filhos: Ele «esperava poder entender-se a sós com a sua dor, não sabendo, porém, que com a dor ninguém se entende. Cura-a a morte, adormentam-na ou anestesiam-na várias coisas. Supõe-se também que o tempo a cura. Mas se a cura não está só na morte, o mais provável é que não se trate de uma dor verdadeira».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros ensinaram-me a viver comigo, explicaram-me que vivemos livres e morremos sozinhos, e, sobretudo, fizeram-me compreender que eu nunca poderia pensar como um burguês; mas foram os filmes que me libertaram desse solilóquio, dessa solidão que eu partilhava com os meus autores de cabeceira, com quem adormeci, durante anos, e que me deram a consciência de que «o homem é uma paixão inútil» (Sartre) sem outra redenção que o orgulho de o saber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o cinema que me devolveu a confiança na justiça e no heroísmo e deu um sentido a palavras tão simples como a coragem e a abnegação. James Stewart, o sublime James Stewart, na pele de Mr. Smith, esgotado de fadiga, com a voz embargada pelo esforço, batendo-se pela verdade contra os fariseus do Senado, no filme de Capra; James Dean, sacudindo as golas do casaco de um pai intolerante e maniqueu, como se o quisesse matar ou abraçar; John Wayne, descobrindo a compaixão, como Saúl de Tasso, fulminado por um raio na estrada de Damasco, ao levantar nos braços Nathalie Wood, num plano que Godard disse que era roubado às páginas de Homero; Bogart obrigando a Bergman a entrar no avião - porque há momentos em que há coisas mais importantes do que a nossa mesquinha felicidade -, a mesma Bergman que, anos depois, iria descobrir os outros num vulcão em Stromboli, nos bairros degradados em Europa 51, nos corpos dos amantes calcinados pelas chamas do Vesúvio, milhares de anos antes de Cristo, durante uma Viagem a Itália. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema fez-me conhecer Gene Kelly, dançando e cantando à chuva, imagem da felicidade pura, espontânea, inviolável, como só o cinema sabe dar; e Fred Astaire, em Bandwagon, dançando no parque com Cyd Charisse, harmoniosos e mudos, silenciosos e perfeitos; como me fez conhecer Geoff Carter (Gary Grant) fechando a porta do quarto onde o amigo vai morrer, em Only angels have wings, num gesto viril de pudor, amizade e respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filmes não me ensinaram a fazer cinema; ensinaram-me a viver. Foi a vida que me ensinou a fazer filmes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia li, num diário de Stendhal, uma frase que me ilustra: «Deseja tudo, espera pouco, não peças nada». Sou eu, sem tirar nem pôr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiz os filmes que queria porque escolhi um médium universal para me exprimir, e porque nasci – e escolhi viver – num país periférico, perdido no mapa da grande cultura popular que é o cinema, onde os filmes nem sequer falam aos seus contemporâneos. Mas tenho vivido como aprendi nos livros que li e nos filmes que amei. Isso me basta. Não tenho outra biografia nem terei outro epitáfio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a ficção que me ensinou a procurar viver com coragem e justiça, paixão e compaixão; e a aceitar, sem resignação nem azedume, conviver com a imperfeição do mundo e a duplicidade dos homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-112033734323063481?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/112033734323063481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=112033734323063481' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112033734323063481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/112033734323063481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/07/autobiografia-de-antnio-pedro.html' title='Autobiografia de António-Pedro Vasconcelos'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111926299546633955</id><published>2005-06-20T10:22:00.000Z</published><updated>2005-06-20T10:46:26.403Z</updated><title type='text'>As portas ao lado</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"É um menino. Chama-se Gustavo como o pai.”&lt;br /&gt;In A Porta ao Lado, de Guilherme de Melo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta é a história de Guto. &lt;br /&gt;Claro que Guto é um diminutivo carinhoso para Gustavo, aliás Pedro Gustavo. Pedro porque o avô era Pedro. Gustavo porque o pai era Gustavo. Ambos tinham  já morrido, quando Guto nasceu.&lt;br /&gt;Nasceu, ou entrou na vida, pela porta certa. Rodeado de mulheres, criado por mulheres e afogado em mimos pelas mulheres, mãe, avó e criada velha, Guto confessa não ter sentido a falta de um pai. Tinha tudo. Só não tinha um pai. Mas sabia que tinha tido e quem ele era. Havia uma fotografia. A mãe contara-lhe que o pai não o chegara a conhecer. Morrera antes dele nascer.&lt;br /&gt;Num romance narrado pelos próprios protagonistas a duas vozes, vai-se desenrolando a verdade. Marta Lemos é professora do Liceu e faz traduções. Estas actividades preenchem-lhe a vida intelectual, enquanto a vida afectiva é preenchida pelo filho Guto, o filho  que ela tanto desejou e a quem deu tudo o que uma mãe pode dar: colo, conforto, amor e ensinamentos para o caminho.&lt;br /&gt;Contudo, a vida de Marta nada tem a ver com os sonhos que alimentou, quando adolescente e estudante se apaixonou por Gustavo. Ela em Letras, ele em Direito. A vida dos dois é o retrato fiel dos estudantes dessa época. As convenções começavam a cair, mas ainda havia algum caminho a percorrer. No meio desse caminho, a guerra colonial roubou-lhes os sonhos. A guerra acabou, mas Gustavo não voltou. Uma mina traiçoeira, ainda teimosa em continuar a guerra, tirou a vida àquele soldado já em missão de paz. &lt;br /&gt;As recordações de Guto da primeira infância estão todas no meio daquelas mulheres, dentro daquela grande casa de família, em Castelo Branco. As memórias da família são as da família da mãe e das primas, da tia Mena, que tanto contribuíram também para o excesso de mimo. &lt;br /&gt;Um dia, casualmente, Guto descobre um retrato igual ao que a mãe conservava em casa, o retrato do seu pai. E uma evidência abanou-lhe os nervos todos do corpo, deixando-o sem saber o que fazer. O seu “pai” tinha morrido dois anos antes do seu nascimento. Tinha que procurar a verdade! Ela estava certamente guardada a sete chaves entre as coisas mais íntimas da mãe. &lt;br /&gt;Procurou e encontrou vários recortes dos jornais. Entre eles uma notícia com vinte e três anos, a sua idade. Um bebé tinha sido raptado na Costa da Caparica , perto da Fonte da Telha. Tinha dois meses e chamava-se Abílio. Guto não sabia o que fazer com esta nova identidade. Agora tudo se tornava muito claro na sua cabeça. &lt;br /&gt;Disfarçado de jornalista, visitou a sua família natural. Não reconheceu naquela mãe, a sua mãe, nem naquele pai, o seu pai, sonhado e idealizado pela ausência. Eram pobres e o que mais os interessava era saber como teriam direito ao pequeno apartamento da Picheleira, que estava arrendado em nome da avó. Uma avó doente assistia a estas discussões patéticas e pedia “Fanta”, saindo apenas da sua boca um som semelhante a “anta”. Mais do que pobre, tudo era lúgubre.&lt;br /&gt;Depois de conjecturas várias, a opção tinha que ser dele. E para não magoar nem a mãe que o “trouxe no ventre”, nem  a mãe que fez dele “o filho bem amado”, devia guardar para si esta descoberta. “E é o que é, apenas porque, ao invés de nela ( na vida) ter entrado pela porta que me estava reservada desde o berço, nela entrei pela porta ao lado.”&lt;br /&gt;Esta conclusão inquieta do Guto, remeteu-me para as minhas próprias inquietações, para as mais remotas. Muito criança, disseram-me que a idade da razão se atingia aos sete anos. A partir daí sim,  todos os pecados contavam e eu admiti-o porque, nesses tempos, havia tempos muito exactos para tudo.&lt;br /&gt; Antes dessa idade atormentou-me um pensamento que só a crença na sorte (que já deve ter nascido comigo) me desatormentou.  Eu desconhecia em absoluto o que era a herança genética. Sabia lá por que é que uns era mais claros e outros mais escuros! &lt;br /&gt;Um dia recordo-me de passar em frente às casas onde moravam os pobres que, em África, eram negros. As casas dos pobres em África eram palhotas. E as crianças pobres em África andavam descalças e nuas, com muito ranho no nariz. Como eu não conhecia meninos brancos nus e descalços e com ranho no nariz, a morarem em palhotas, pensei muito dentro de mim que aquilo só acontecia aos meninos que tinham tido menos sorte e tinham nascido pretos. Que sorte eu tinha tido ter nascido branca! Podia não ter tudo, mas pelo menos tinha uma casa de pedra e cal, roupa e brinquedos. Mais tarde acabei por ver meninos brancos descalços, nus e com ranho no nariz. &lt;br /&gt;E, com a mesma inquietação, voltei a interrogar-me se é mesmo a sorte que determina haver ou não “a porta ao lado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guilherme José de Melo nasceu em Lourenço Marques, hoje cidade de Maputo, a 20 de Janeiro de 1931, onde viveu até 1974, exercendo as funções de jornalista, no jornal Notícias. Já  então se distinguia pelo carácter mais literário das suas peças. Foi sempre um homem de cultura e a integração em Portugal não foi difícil, nem a nível profissional, nem a nível literário, como provam as obras já publicadas.&lt;br /&gt;Reformou-se do Diário de Notícias em 1997.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-111926299546633955?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/111926299546633955/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=111926299546633955' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111926299546633955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111926299546633955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/06/as-portas-ao-lado.html' title='As portas ao lado'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111842816555439329</id><published>2005-06-10T18:25:00.000Z</published><updated>2005-06-10T18:29:25.563Z</updated><title type='text'>Somewhere over the rainbow</title><content type='html'>A ideia de que os sonhos têm um tempo e um espaço para se tornarem  realidade mora, às vezes quase clandestinamente, dentro de todos nós. A voz de Judy Garland imortalizou essa ideia, cantando-a. “Somewhere over the rainbow skies are blue… And the dreams that you dare to dream really do come true.” A ousadia é sonhar!&lt;br /&gt;Judy era então a pequena Dorothy num filme feito todo de magia, tal como esses sonhos: homens de lata, velhinhas que fazem o seu tricot sentadas numa nuvem, cães maravilha como Toto, uma estrada de tijolos amarelos, o céu azul e o arco-íris da cantiga. E um feiticeiro que transforma qualquer desejo em realidade, o Feiticeiro de Oz. Foi um sucesso, tornou-se um clássico. O New York Daily News, reconheceu de imediato o valor de Judy como actriz e cantora, cuja voz era emocionalmente perfeita para esta magia... &lt;br /&gt;Judy tinha apenas dezassete anos (dezasseis quando rodou o filme) e apaixonou o mundo com a sua voz. Ganhou o Prémio da Academia pela melhor interpretação juvenil. Decorria o ano de 1939 e o mundo precisava de fantasia, pois eclodia a Segunda Guerra Mundial. &lt;br /&gt;Segundo alguns biógrafos, Judy foi a primeira actriz a ter consciência do papel encorajador junto dos soldados e a fazê-lo espontaneamente, mesmo quando o tempo disponível era pouco&lt;br /&gt;Frances Ethel Gumm nasceu a 10 de Junho de 1922, no estado de Minnesota. Terceira filha de dois actores de vaudeville (corruptela do francês "voix de ville", canção parisiense do século XVI),.Frank e Ethel inspiraram-se nos seus nomes para baptizarem a filha que tratavam por Baby ou Frank Jr, porque de facto eles desejariam que Judy tivesse nascido rapaz... De Frank terá Judy herdado o talento de cantar.&lt;br /&gt; A primeira infância foi um período feliz, com uma mãe carinhosa, cuja prioridade era a família, apesar de alguns verem na figura materna apenas o lado empresarial, papel que lhe coube de facto. Tanto o pai como a mãe tentaram transmitir às filhas o gosto pela música e pela arte de entreter. Aos dois anos e meio (dizem) terá feito a sua primeira aparição, num espectáculo de Natal, cantando “Jingle Bells”, incluída numa actuação dos pais.&lt;br /&gt; Dois anos mais tarde, a família mudava-se para a Califórnia, Lancaster, onde Judy e as irmãs cantavam em teatros, clubes e na rádio. Ao pai, Frank Gumm, não seria concedido assistir ao sucesso da filha, pois poucas semanas depois de Judy ter assinado um contrato de sete anos com a poderosa fábrica de estrelas MGM, Frank morreu subitamente, vítima de meningite. Este foi o pior acontecimento da sua vida... A infância feliz tinha chegado ao fim. As três irmãs já tinham mudado o apelido para Garland, por sugestão alheia e razões artísticas, tendo Baby Gumm escolhido Judy para seu primeiro nome.&lt;br /&gt; Judy Garland, para sempre.&lt;br /&gt;Entre os momentos importantes deste princípio de carreira, conta-se a festa de aniversário de Clark Gable, onde Judy cantou, em nome de todas as meninas americanas apaixonadas pelo ídolo, uma versão emocionada de “You made me love you”. Dias depois começaram a surgir pequenos papéis no cinema. E não tardaria a aparecer então o papel que a tornaria para sempre uma das estrelas mais brilhantes desse universo da fama, Dorothy, O Feiticeiro de Oz. Judy tinha apenas dezasseis anos, muito verdadeiros de inocência e naturalidade. Ela era “doce e adorável”, como recorda o actor que interpretou o Homem  Lata. “Não era como algumas (actrizes) de dezasseis anos que representam como se tivessem sessenta...”, acrescentava. &lt;br /&gt;Mas quando se recorda Judy Garland não se consegue evitar a lembrança de uma mulher emocionalmente instável, que casou cinco vezes, uma das quais com um nome grande da tela: o realizador Vicent Minelli, por quem se apaixonou durante a rodagem de um outro musical, em 1944, “Meet me in St Louis”. Era o seu segundo casamento e apesar do nascimento da filha Liza, apesar da dedicação de Vincent, o casamento chegava ao fim no início dos anos cinquenta. A inquietação de Judy é normalmente atribuída à medicação que lhe tinha sido prescrita para controlar o peso, que terá acabado por lhe arrasar os nervos, dormindo à custa de uns medicamentos e acordando à custa de outros...&lt;br /&gt;Remando contra a adversidade que já integrava a sua personalidade, tal como a voz e o talento, Judy voltaria a brilhar nos néons de Hollywood: “A Star is born” é outro dos inesquecíveis trabalhos de Judy no cinema, que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Actriz, em 1955. Estava então casada com Sidney Luft, pai de Lorna e Joseph, seu único filho rapaz. A vida artística continuou, mas este casamento terminou, tendo sido o mais longo dos cinco.&lt;br /&gt;Conta-se ainda entre os momentos altos da vida da “menina pequena de voz grande”, mais uma pobre menina rica, a nomeação para um outro Óscar da Academia, na categoria de actriz secundária, pela sua interpretação no filme “O julgamento de Nuruemberg”, em 1961.&lt;br /&gt;A 22 de Junho de 1969, Judy sucumbiu a uma overdose de barbitúricos, ocasional, segundo os familiares. Tinha quarenta sete anos vividos ao dia, à hora, ao minuto, provavelmente. Quarenta e quatro desses anos foram de trabalho. Parece terem sido todos  consumidos na busca da paz interior que não conseguia encontrar. &lt;br /&gt;Judy inspirou uma rosa, amarela matizada de laranja avermelhado, que tem o seu nome e é cultivada nos jardins da Casa Museu. Bela homenagem, plena de simbolismo: a beleza nunca perdida, a tranquilidade jamais encontrada.&lt;br /&gt;Judy  e a eterna canção vivem, certamente, num céu azul, para lá do arco-íris...&lt;br /&gt;(Publicado pela Editora Ela Por Ela, Divas do Cinema, em 2003)&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.artistdirect.com/Images/Sources/AMGCOVERS/music/cover200/dre700/e743/e74328eb541.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-111842816555439329?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/111842816555439329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=111842816555439329' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111842816555439329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111842816555439329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/06/somewhere-over-rainbow.html' title='Somewhere over the rainbow'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111763247448576053</id><published>2005-06-01T13:17:00.000Z</published><updated>2005-06-01T13:27:54.493Z</updated><title type='text'>Crianças, "sadinhas" e lua</title><content type='html'>O escritor que ousou chamar “Os Putos” à sua obra foi Altino do Tojal. A obra consta de uma série de histórias em que os heróis são os tais miúdos. Sobrevivem à custa de uma inocência ainda intocada e guardada, sabe-se lá porquê. O primeiro título foi “Sardinhas e Lua” e a primeira publicação em 1964, em Braga, terra natal do autor. &lt;br /&gt; O menino dessa história, que deu o nome à primeira publicação, leva os dias sentado na soleira da porta, sozinho, à espera que a mãe chegue, de canastra vazia, ou quase vazia. Há sempre a “sadinha” que sobrou para ele para o filho, para a sua “jóia”, como ela lhe chama, carinhosamente. &lt;br /&gt;Depois, é só o tempo de confeccionar a “sadinha” e começam a chegar os homens grandes. Há medo nestas linhas. Há incompreensão. Mas há a ternura imensa do menino que escolhe a Lua, para companhia do seu jantar. O cão e o gato são hóspedes habituais, com quem tem mesmo que partilhar o seu magro jantar. Eles, como ele, também têm a fome escavada nas caras. O cão e o gato também são muito pobres. A Lua, não. A Lua é “branca e gorda”, tem “as faces cheias”, “devia comer muitas sardinhas”... Ela recusava sempre e até parecia que a ouvia dizer: “Tome tu, menino.”&lt;br /&gt;Acabado o jantar, ali ficava na soleira da porta, a conversar com a Lua. Até quase se esquecia dos homens grandes. Até a mãe o vir buscar, para dormir. Ele olhava então para a Lua, despedia-se dela e esperava que ela percebesse aquele triunfo. Ele, o homem pequenino, é que ia dormir com a mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-111763247448576053?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/111763247448576053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=111763247448576053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111763247448576053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111763247448576053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/06/crianas-sadinhas-e-lua.html' title='Crianças, &quot;sadinhas&quot; e lua'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111497805985442065</id><published>2005-05-01T20:05:00.000Z</published><updated>2005-05-01T20:07:39.856Z</updated><title type='text'>Dia das Mães</title><content type='html'>Embora mantenha na memória o gosto que senti ao longo de todas as histórias, de Mia Couto, em Cronicando, há uma especial: a do filho que dá à luz a mãe. &lt;br /&gt;Chama-se o Filho da Morte e é uma história de morte e de vida, num campo de refugiados, “que se doseavam, na aplicação da tristeza.” Talvez por isso, por terem que dosear a tristeza, não fosse ela consumida em doses mortais, não se ocupavam muito dos mortos, nem mesmo neste caso, tratando-se de uma grávida. “Estavam demasiado ocupados em sobrevivências.” Mas a pele luzidia e volumosa teimava em atrair uma atenção qualquer e a morta entrou em trabalho de parto, porque naquele dia, naquele corpo, a vida “fez horas extraordinárias”. Ninguém se mexeu! Ninguém excepto a “cabistonta” Tazarina, que sofria de tremuras tais que nem a si própria parecia conseguir amparar-se. Mas foi ela que pegou e deu colo àquele ser que vinha do outro lado da vida e, com ela, o choro do recém nascido cessou. O corpo dela ganhou forma e volume quase instantaneamente. Apoderou-se dela a verdadeira maternidade: “os seios se volumavam, os olhos se maternizavam”. “Nunca se viu, dizem, mãe em tanta compostura.”&lt;br /&gt;É impossível falar do texto, sem recorrer às próprias palavras do autor, pois não há no nosso vocabulário palavras que substituam as que  ele inventa. Maternizar... significa tornar materno. E foi o que aconteceu à Tazarina, ou melhor aos seus olhos, tornaram-se olhos de mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-111497805985442065?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/111497805985442065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=111497805985442065' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111497805985442065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111497805985442065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/05/dia-das-mes.html' title='Dia das Mães'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111477703249254077</id><published>2005-04-29T12:15:00.000Z</published><updated>2005-04-29T12:17:12.496Z</updated><title type='text'>Olhai os Lírios do Campo!</title><content type='html'>Devia-lhe tudo: a vida, (...) e um milhão de coisas pequenas.&lt;br /&gt;In  Olhai os Lírios do Campo, de Erico Veríssimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um dia na nossa vida em que alteamos o salto do sapato, mudamos o penteado, usamos a nossa própria chave de casa... por aí adiante. Isto é: há mesmo um dia, em que deixamos de ser crianças. Aparentemente, de um momento para o outro, como se isso não fosse um processo, por vezes tão demorado, que nos pode tomar conta da vida inteira!&lt;br /&gt;E  houve esse dia em que achei que as leituras de criança deviam ser postas de lado e devia começar a ler livros de pessoas crescidas.( Como eu estava enganada! Continuo  a ler livros de crianças. E gosto.) Então, aos treze anos, escolhi o livro que devia marcar a minha maioridade “literária”: Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo. &lt;br /&gt;Quando, alguns anos mais tarde o reli, percebi que os meus treze da altura eram claramente insuficientes, para perceber a complexidade dos livros e das vidas dos crescidos.&lt;br /&gt;Para além dessas vidas complicadas dos adultos, há ainda o processo narrativo, em que os tempos se misturam  e se soltam recordações, aparentemente avulsas. &lt;br /&gt;Ao longo de doze capítulos, o Doutor Eugénio percorre um longo caminho  entre  a sua casa e o hospital, onde Olívia o espera para o ver e depois morrer.&lt;br /&gt; Mergulha em recordações. Sempre as mesmas recordações: a humilhação dos colegas por ter a “calça furada”, a vergonha de confessar que o pai é pobre, os anos da Faculdade, em que conheceu Olívia, estudante de Medicina como ele. &lt;br /&gt;A casa do seus pais e a pobreza, a tristeza, a doença do irmão Ângelo, a vergonha das desordens provocadas por Ernesto. A coragem da mãe, a quem devia tudo, “a vida”, “as meias remendadas”, o “milhão de coisas pequenas” e  que não se vergava às catástrofes. Ganhava e reganhava força, repetindo “Deus é grande!”&lt;br /&gt;Mas mais do que essas recordações da infância pobre, atormenta-o a consciência do preço que pagou pela fama, pela fortuna e pelo sucesso do homem presente. Pagou-os com  sentimentos, esgotando-os até à penúria. É esse mesmo Eugénio, que emerge  dessas recordações, aqui e ali, enfraquecido pelo medo e pela mentira. Olívia  quer vê-lo, antes de morrer. Ela está a morrer e sabe-o. E Eugénio tem medo que a mulher, Eunice, descubra a verdade, tanto quanto teme que Olívia morra. &lt;br /&gt;Recorda-a, no dia da entrega dos diplomas. Era a única mulher daquela turma de Medicina e trabalhava num laboratório de análise clínicas, para pagar o curso. Era calma e tranquila. Admirava a sua simplicidade, o que fazia com que se sentisse bem ao pé dela. Não era uma mulher como as outras. Nas outras, via a sofisticação feminina que lhe davam luta de macho, mas não lhe ofereciam a amizade e tranquilidade que Olívia lhe estendia. Tudo parecia uni-los: eram os dois “obscuros e pobres”, ao contrário dos outros estudantes daquela Faculdade.&lt;br /&gt;Nesse dia, ou nessa noite, Eugénio confessou a Olívia o horrível peso da sua condição de pobre, a falta de vocação para a medicina. O curso, queria-o para ser rico e pertencer à esfera brilhante da sociedade.&lt;br /&gt;Olívia tentou oferecer-lhe o sentimento da dignidade que a profissão impõe. Ajudou-o a ultrapassar o fracasso, quando o doente, que o médico mais velho lhe deu para operar, lhe morreu nas mãos. Ensinou-o também a conviver com o sucesso, quando o ajudou a salvar um menino, que morria com difteria.  &lt;br /&gt;É, porém, Olívia que um dia o deixa à mercê dos medos e das vergonhas, à mercê de Eunice Torres, menina rica e mimada que caprichosamente vai desejar  Eugénio , para ostentar um pobre diabo, como quem exibe uma extravagância rara. Filha de um poderoso industrial, este é o passaporte de Eugénio para o  mundo desejado, o dos ricos e poderosos. &lt;br /&gt;    Quando Eugénio chega ao Hospital, Olívia já morreu.&lt;br /&gt;    Da amálgama de sentimentos  e de  memórias  se faz a determinação de começar uma vida nova, tomando à letra as palavras de Olívia, que dizia que a vida pode começar todos os dias.&lt;br /&gt; A vida vai começar, ou recomeçar, ao lado da filha Ana Maria, legado de Olívia. A personagem reconstrói-se e Eugénio evolui para um homem reconciliado com a condição humana, mesmo a mais  pobre.&lt;br /&gt;A história de Eugénio é uma lição de vida e vale a leitura. Obriga-nos a uma reflexão sobre valores, que parecem arredar-se dos comportamentos de hoje, mesmo contra a nossa vontade. E vale também pelo “nosso português” em que Erico Veríssimo se expressava, enriquecido com registos da oralidade do português do Brasil. “Um, dois, feijão com arrois” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitura sugerida- Olhai os Lírios do Campo , de Erico Veríssimo&lt;br /&gt;Erico  Lopes Veríssimo nasceu a 17 de Dezembro de 1905, em Cruz Alta e faleceu a 28 de Novembro de 1975, Porto Alegre. É considerado pelos críticos “uma  das grandes expressões da moderna ficção brasileira”. &lt;br /&gt;Para além da obra, deixou o testemunho de divulgação da cultura Brasileira e da Literatura, através da conferência e mesmo do exercício da função docente, nos Estados Unidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-111477703249254077?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/111477703249254077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=111477703249254077' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111477703249254077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111477703249254077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/04/olhai-os-lrios-do-campo.html' title='Olhai os Lírios do Campo!'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111461065808469186</id><published>2005-04-27T14:02:00.000Z</published><updated>2005-04-27T14:04:18.086Z</updated><title type='text'>Un home une femme</title><content type='html'>Comme nos voix ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Chantent tout bas ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Nos cœurs y voient ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Comme une chance comme un espoir&lt;br /&gt;Comme nos voix ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Nos cœurs y croient ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Encore une fois ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Tout recommence, la vie repart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combien de joies&lt;br /&gt;Bien des drames&lt;br /&gt;Et voilà !&lt;br /&gt;C'est une longue histoire&lt;br /&gt;Un homme&lt;br /&gt;Une femme&lt;br /&gt;Ont forgé la trame du hasard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comme nos voix&lt;br /&gt;Nos cœurs y voient&lt;br /&gt;Encore une fois&lt;br /&gt;Comme une chance&lt;br /&gt;Comme un espoir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comme nos voix&lt;br /&gt;Nos cœurs en joie&lt;br /&gt;On fait le choix&lt;br /&gt;D'une romance&lt;br /&gt;Qui passait là.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chance qui passait là&lt;br /&gt;Chance pour toi et moi ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Toi et moi ba da ba da da da da da da&lt;br /&gt;Toi et Toi et moi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bon anniversaire, Anouk Aimée!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8265718-111461065808469186?l=textosreunidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosreunidos.blogspot.com/feeds/111461065808469186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8265718&amp;postID=111461065808469186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111461065808469186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8265718/posts/default/111461065808469186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosreunidos.blogspot.com/2005/04/un-home-une-femme.html' title='Un home une femme'/><author><name>Madalena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09166802019118871728</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/_yiayhyZKtK4/SMRI3LMCvQI/AAAAAAAAAtU/dbukpghDXTE/S220/chorices.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8265718.post-111417115446347305</id><published>2005-04-22T11:53:00.000Z</published><updated>2005-04-22T11:59:14.466Z</updated><title type='text'>Estamos outra vez em  Abril!</title><content type='html'>Estamos em Abril!&lt;br /&gt;Para alguns, já estamos em Abril! Meu Deus, como o tempo voa!&lt;br /&gt;Para outros, ainda estamos em Abril! Para estes, o tempo não tem voado, não tem sido tão veloz, como só ele, o tempo, sabe ser. Embora a escritora sul-americana, Laura Esquível, defenda que veloz, veloz  é o desejo....&lt;br /&gt;Hoje  dava (me) jeito dizer que já estamos em Abril, ainda estamos em Abril, ou até, estamos em Abril, outra vez!&lt;br /&gt;Estou a falar daquele Abril de cravos e de poesia. Todos os anos se repete, cada vez com menos cravos, cada vez com menos versos. Nesse Abril, tudo rimava com liberdade: verdade, lealdade, sinceridade e, sobretudo, fraternidade. O provérbio acrescentava versos às águas mil. &lt;br /&gt;Nesse Abril, debaixo de um sol que a todos aquecia, os soldados misturaram-se com os civis. Subiram para cima dos tanques e aclamaram a vitória. Havia cravos nas pontas das baionetas. &lt;br /&gt;Os versos chegaram  de todo o lado, até do lado de lá do mar, onde a língua portuguesa também mora. Do Brasil. Vieram pela voz de Chico Buarque, poeta irmão dos nossos maiores poetas. Os versos de Chico Buarque traziam a alegria da primavera e pedia que lhe guardassem um cravo só para si. E não se esqueceu de nada no seu poema breve. Não se esqueceu que era uma festa “Sei que estás em festa” e,  com  cumplicidade e intimidade de irmão, acrescentava  “pá”. Estávamos tão contentes, pá! Era mesmo uma festa, pá!  Chegaram  a mandar-te o tal cheirinho a alecrim, que pedias com urgência? Se calhar esqueceram-se! Sabes, poeta do outro lado do mar, eles esqueceram-se de tanta coisa...&lt;br /&gt;Poucos anos depois, tornavas a escrever quase os mesmos versos. Outra vez “Tanto Mar”, com um sabor amargo, o sabor do fim da festa. Sabes por que é que  acabou, Chico Buarque da Holanda? Talvez saibas, porque dizes que ainda guardas “renitente” um velho cravo para ti... Mas há esperança no teu recado: uma semente da festa “nalgum canto de jardim”.&lt;br /&gt;Pá, naquele Abril, até o Alegre, o poeta, Manuel voltou. Vivia longe, a perguntar ao vento que passava  notícias  o seu país. Estava exilado na Argélia e era lá que resistia, com aquela voz que enche o mundo, a fazer rádio. “Voz da Liberdade”, chamava-se  o seu programa. Foi o Portugal de Abril que o fez voltar. Regressar. &lt;br /&gt;“Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão/ há sempre alguém que resiste/ há sempre alguém que diz não.” Diz a última quadra das trovas ao vento que passa. &lt;br /&gt;Há muita saudade nestes versos. A saudade é um preço caro. Viver sem liberdade também. Para além do exílio o poeta Manuel Alegre conheceu as masmorras, em Luanda, na Fortaleza de S. Paulo, onde esteve preso durante seis meses e onde começou a escrever o seu primeiro livro de poemas. Mas também diz outro poeta, Carlos Oliveira,  que ninguém corta a raiz ao pensamento, nem um machado. &lt;br /&gt;Há porém, como em Buarque, o adeus à festa.  No poema “Última página”, o poeta despede-se do livro, duma  vida de poesia que termina.. Ao longo destes versos percorre-a. Lá está “Nambuangongo, onde tu meu amor não viste nada”. “Em Nambuangongo a gente pensa que não volta / cada carta é um adeus em cada carta se morre.” Mas, no poeta, a esperança não morre. “ser poeta é ser mais alto” diz Florbela Espanca. Talvez por isso o poeta convide “a rapariga do País de Abril a soltar a primavera no País de Abril”.&lt;br /&gt;Há um país de Abril.  “País de Abril é o sítio do poema./ Não fica nos terraços da saudade / não fic
