25 de novembro de 2005

Aulas de substituição (2)

Eduardo Prado Coelho
Embora já imaginasse uma certa reacção, nunca pensei que a classe dos professores se manifestasse com tanta violência em relação ao meu texto anterior sob o mesmo título. Há aqui aspectos irracionais que têm certamente a ver com uma experiência da escola profundamente traumática. Uma das mensagens que recebi no telemóvel dizia: "Sou debilóide, fiz greve." Como se trata de uma das minhas melhores amigas, e como sempre a considerei extremamente inteligente, fui ver o que tinha escrito: 1) eu nunca disse, nem diria, que os professores que fizeram greve são "debilóides"; 2) o que eu escrevi é que aqueles que por serem de Matemática dizem que não podem dar actividades de substituição quando falta o professor de História se manifestam como "debilóides". Não se pode generalizar a palavra a todas as situações - e convém que um professor leia os textos com a devida atenção e não se precipite quando vê um vocábulo que julga mais insultuoso, achando que necessariamente tem a ver com ele. Quanto ao mais, não retiro uma só vírgula de tudo o que escrevi.
Ouvi a ministra dizer até o que me parece ser importante: que não se trata de dar aulas, mas de conduzir actividades de substituição. Isso implica a possibilidade de utilizar material que não sei se as escolas possuem: seria útil que tivessem filmes, CD, DVD, discos de poesia dita, jornais e revistas de todos os géneros e que se habituassem a pensar com exercícios lúdicos propostos pelo professor - isto é, existe uma metodologia das actividades de substituição.
O que me respondem é que em muitas escolas os professores vivem um clima de terror. Alguém me contava que havia professores que vomitavam de reacção nervosa antes de entrarem na aula. Sem falar nos casos absolutamente inadmissíveis de agressão dos professores, muitas vezes com a cobertura vitimizadora dos próprios pais. Um correspondente do PÚBLICO escrevia há dias, numa carta do maior interesse, que se assistia (não apenas em Portugal, sublinhe-se) a uma transferência das responsabilidades tradicionais da família e do papel psicanalítico do pai para o espaço da escola e para uma sociedade sem pais. Que resulta daqui? Uma saturação explosiva do espaço da escola sobre a qual recai um excesso de expectativas. Mas conheço muitos professores excelentes que sabem lidar com os alunos e estabelecer com eles nexos de cumplicidade. É possível, portanto. E também devo reconhecer que alguns professores vivem das matérias que aprenderam na faculdade e não têm aquele mínimo de cultura geral que se exige a quem ensina.
Concluo, portanto, que é necessário restabelecer níveis justos de disciplina na escola. E (para agravar ainda mais o meu caso) gostaria de dizer o que já repeti por várias vezes: que muitos dos males da escola vêm da propagação de ideias no ministério desses profissionais de uma ciência inexistente a que dão o nome de "pedagogia". Cuidado, senhora ministra! Professor universitário

2 comentários:

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